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MEU ANIMAL AMIGO: O CÃO DE AUBRY

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O CÃO DE AUBRY

Um fato histórico narrado pelo Beneditino Bernardo de Montfaucon


A primeira estória que nos acode à lembrança quando evocamos o amor, a inteligência e a fidelidade do cão, é aquela extraída pelo beneditino Bernardo de Montfaucon, do Teatro de Honra e de Cavalaria de Colombiere.

"Na corte do Rei Carlos V, da França, havia um fidalgo de nome Macaire, que muito invejava um dos seus companheiros, Aubry de Montdidier, favorecido pelo rei. Macaire decidiu assassinar Aubry.

Um dia esperou-o na floresta de Bondy e matou-o.

Ninguém testemunhou o crime, salvo o cão de Aubry, um grande galgo.

O assassino enterrou a vítima no mesmo lugar em que ela caíra, e o cão durante muitos dias dali não se afastou.

Finalmente, impelido pela fome, partiu em direção a Paris, e foi pedir comida aos amigos de Montdidier, voltando em seguida para o ponto em que jazia o corpo do seu dono. Muitas vezes fez o mesmo trajeto.

Finalmente, intrigados por seus gemidos, os amigos de Aubry tiveram a curiosidade de o seguir; e, na floresta, removendo a terra, acharam o cadáver.

Alguns dias após, o galgo, que fora recolhido por um parente do assassinado, avistou Macaire, num grupo de fidalgos e sem hesitação saltou-lhe ao pescoço.

O rei, que a morte do seu favorito havia entristecido, foi informado e ordenou que a experiência se repetisse na sua presença.

Foi trazido o cão, em seguida entrou Macaire, dissimulando-se entre numerosos cortesãos.

O animal não hesitou um instante: correu a ele e atacou-o com violência.

Um inquérito determinou certas provas contra aquele fidalgo, que continuou, no entanto, a afirmar a sua inocência.

- Vamos, resolveu o rei, apelar para o julgamento de Deus.

Foram conduzidos para a ilha de São Luís, o cão e Macaire. Começou o duelo:

Num campo fechado entrou Macaire, armado de um bastão. O galgo tinha por defesa um tonel aberto nas duas extremidades, onde ele podia refugiar-se.

O combate foi curto. O animal, correndo em torno do seu adversário, evitava o bastão, quando, de súbito, saltou à garganta do fidalgo. O homem fez sinal para que o libertassem, pois diria a verdade.

Conduzido à presença de Carlos V, confessou o crime, sendo, em seguida, enforcado".

Em um saião do Castelo de Montargis, um pintor reproduziu a cena desse original duelo. O cão galgo de Montdidier tornou-se célebre na História, mais célebre talvez que o próprio Montdidier, miseravelmente assassinado por um bandido vestido de casaca e que comia à mesa do rei.

Se naquele corpo de cão, não existisse um Espírito, uma alma racional e sentimental, ele não poderia externar os grandes sentimentos que eternizaram seus fetos.

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