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MEU ANIMAL AMIGO: Março 2010

terça-feira, 23 de março de 2010

O PROCESSO DE ENVELHECIMENTO DE NOSSOS CÃES



(como podemos ajudá-los)
(uma tradução livre do site que contém o artigo: The Aging Process - How We Can Help (Holly Frisby, DVM, MS)

Assim como acontece com os humanos, esperamos que algumas mudanças ocorram no corpo de nossos animais à medida em que eles envelhecem.
Estas mudanças podem não ser as mesmas em cada espécie. Em alguns animais, como os pequenos cães de companhia, problemas cardíacos são comuns, enquanto que nos gatos, por exemplo, os rins podem ser os primeiros órgãos a dar sinais de envelhecimento. Podemos ajudar, de muitas maneiras, nossos animais de estimação a enfrentar e se adaptar a estas mudanças: diagnosticando precocemente os problemas, usando medicamentos e suplementos apropriados, modificando o ambiente, a alimentação e suas atividades, assim como a maneira como interagimos com estes velhos e queridos amigos.

1. Mudanças em necessidades nutricionais
À medida em que os cães envelhecem, seu metabolismo muda e diminuem suas necessidades calóricas. Estas, em geral, decrescem uns 20%. Em função de um simultâneo decréscimo de suas atividades, não devemos alimentá-los com o mesmo volume de comida que fazíamos quando eram jovens porque, deste modo, irão inevitavelmente ganhar peso e tornarem-se obesos. A obesidade é um dos maiores problemas de saúde em cães idosos e contribui de modo decisivo para o surgimento ou agravamento de outras patologias. Além de diminuirmos as calorias, devemos procurar aumentar o volume de fibras e diminuir a gordura em sua alimentação. Dependendo da orientação veterinária, agora também será a hora de acrescentarmos suplementos e vitaminas à sua alimentação. Claro que a diminuição de +- 20% de seu alimento deve ser feita de forma gradual.

Guia geral de recomendações de alimentação para cães idosos:
Objetivos maiores:
1. Manter a saúde e o peso ideal para a idade;
2. Impedir ou tornar mais lenta a progressão de doenças;
3. Minimizar ou melhorar os sinais clínicos de doença existente.
4.Rotina diária consistente, afim de minimizar o stress;
5.Múltiplas refeições diárias com intervalos regulares;
6.Alimentos agradáveis e com odor mais forte;
7.Dieta com baixa proteína, pouca gordura e de boa qualidade;
8.Cuidados dentários rotineiros;
9.Exercício diário moderado;
10.Dieta terapêutica quando necessária.

2. Mudanças no pelo e na pele
Do mesmo modo que os humanos, o cão idoso pode apresentar gradual embranquecimento dos pelos, principalmente no focinho e ao redor dos olhos. Seu pelo pode se tornar mais fininho e sem brilho, ainda que isto também possa ser sintoma de doença ou deficiências nutricionais.
Suplementos de ácidos graxos podem auxiliar a restaurar um pouco do brilho original da pelagem mas estas mudanças sempre devem ser acompanhadas por um veterinário. Cães mais velhos podem necessitar de escovação mais frequente, com atenção especial ao abdômen e à área anal. Escovação é uma ótima maneira de se ter um tempo gostoso com nossos velhos amigos caninos, que vão adorar esta nova rotina. A escovação também é uma ótima maneira de se detectar pequenos tumores na pela ou outros problemas e de ter a oportunidade para poder apalpar o abdômen e as mamas em busca de qualquer alteração suspeita.
A pele dos cães mais idosos torna-se mais fina, menos elástica e mais propensa a machucados. Alguns cães podem também desenvolver múltiplos tumores benignos de pele (ou verrugas) que não devem ser removidos a não ser que sejam alvo de machucados frequentes. Tumores cancerosos também podem ocorrer. Pele seca pode ser um problema para alguns cães idosos e ácidos graxos podem ajudar a aliviar isto.

3. Calos
É comum para cães idosos de raças maiores desenvolver calos em seus cotovelos. Parte da razão para isto acontecer é a tendência dos cães idosos de serem menos ativos e permanecerem mais tempo deitados, especialmente se a superfície é dura. Providenciar uma cama macia, almofadas ou um simples colchonete, pode diminuir o problema e os ossos de seu amigo irão lhe agradecer. Cremes ou óleos amaciam a região.

4. Unhas quebradiças
Assim como vemos mudanças no pelo, as unhas mudam e tendem a tornar-se ressecadas e quebradiças. Devem ser aparadas com cuidado e regularidade para prevenir acidentes. Uma vez que estes cães fazem menos exercícios, também existem menos oportunidades para um desgaste natural de suas unhas.

5. Decréscimo na mobilidade
A artrite é uma ocorrência bastante comum em cães idosos, especialmente em cães de grande porte ou em cães com um espaço maior entre as patas dianteiras e traseiras, como os Dachshunds and Bassets, raças com tendência a doenças intervertebrais (do IV disco). Cães que tiveram acidentes ou algum problema em suas articulações quando jovens também tem tendência a desenvolver artrite quando envelhecem. Assim como nos humanos, a artrite pode causar apenas um pequeno enrijecimento ou se tornar uma limitação debilitante e terrivelmente dolorosa. Os cães podem ter dificuldades em subir ou descer escadas, pular para dentro do carro ou mesmo erguer-se rapidamente quando acordam.
Chondroitin e glucosamina em doses específicas, como em Drs. Foster, Smith Joint Care e Cosequin, podem ser de grande ajuda. Existe muita literatura veterinária e humana sobre o uso destes medicamentos.
Remédios anti-inflamatórios e para a dor como aspirinas, iboprofen e outros, também são recomendados mas podem causar gastrite e úlceras. JAMAIS administrá-los em jejum ou por longo tempo.
Exatamente como com os músculos humanos (if you do not use them, you lose them), os cães idosos mais inativos tendem a perder tonicidade e massa muscular e isto pode tornar seus movimentos mais difíceis e, assim, eles se movem menos, etc.: um círculo vicioso se instala. O exercício moderado é importante: caminhadas mais curtas e frequentes, oportunidades para nadar sem stress e por um tempo curto, ou outras rotinas semelhantes, devem ser pensadas para manter os músculos em atividade mas sem lesionar ou extenuar o animal.
Rampas, banquetas para manter seus pratos de comida e água numa altura confortável, camas com colchonetes ortopédicos, roupa ou cobertor para mantê-los aquecidos, etc., são coisas que auxiliam os cães idosos a manterem uma maior qualidade de vida.

6. Doenças dentais
A doença dental é a mudança mais comum dos cães idosos. Pesquisas mostram que, aos três anos, 80% dos cães mostram sintomas de doenças nas gengivas ou nos dentes. Rotinas dentais como ter ossos verdadeiros e/ou de "couro" para roer e até mesmo a escovação dental com escova apropriada, ajudam a minimizar a doença dental, retardando ou mesmo prevenindo o surgimento de tártaro e das cáries. Os cães que não recebem estes cuidados podem vir a desenvolver problemas dentários a medida em que envelhecem e até desenvolver complicações sérias. A limpeza do tártaro realizada com regularidade pode estar indicada inclusive para atenuar ou evitar o mau-hálito. A retirada de dentes cariados, quebrados ou com alguma doença periodental pode trazer grande alívio ao animal. Faça check-ups periódicos em seu amigo canino.

7. Redução da mobilidade gastrointestinal (constipação)
A medida em que os cães envelhecem, o movimento da comida através do trato digestivo torna-se mais lento. Isto pode resultar em constipação. Ela é mais comum em cães que experimentam algum tipo de dor ao defecar, como aqueles com displasia de quadril ou displasia da glândula anal. A inatividade também contribui para a constipação. Este quadro pode também ser sintoma de outras doenças, razão pela qual esta é uma indicação para uma avaliação veterinária. Dietas com maior quantidade de fibras e, eventualmente, laxativos, podem ser recomendados. Também é importante que o cão disponha de água fresca à vontade.

8. Decréscimo no sistema imunológico
Outra decorrência do envelhecimento, o sistema imunológico já não funciona de modo eficiente e o cão idoso está mais sujeito a desenvolver doenças infecciosas e, nestes casos, a infecção se apresenta com mais gravidade do que num cão jovem. É importante manter seu velho amigos com todas as vacinas em dia. Infestações de pulgas, carrapatos e vermes devem ser imediatamente combatidas.

9. Diminuição da função cardíaca
À medida em que o coração de seu amigo canino envelhece, ele perde um pouco de sua eficiência e deixa de ser capaz de bombear a quantidade de sangue necessária (num certo intervalo de tempo). As válvulas do coração perdem um pouco de sua elasticidade e isto também contribui para uma diminuição de sua eficiência de bombeamento. A válvula mitral é a que está mais comumente envolvida nestes quadros, especialmente entre as raças pequenas. Alguma mudança na função cardíaca é normal.
Entretanto, as mudanças mais severas podem ocorrer em cães que tiveram algum problema cardíaco quando jovens, apresentam algum problema congênito ou, como nos humanos, quando estão muito acima do peso adequado. Exames para um diagnóstico correto, como radiografias, eletrocardiogramas (EKG) e ecocardiogramas devem ser feitos. Vários medicamentos podem estar indicados, dependendo do tipo e da gravidade de cada caso.

10. Diminuição da capacidade pulmonar
Os pulmões também perdem sua elasticidade durante o processo de envelhecimento e a capacidade de oxigenar o sangue também pode estar diminuída. Alguns problemas cardíacos podem fazer refluir líquidos para os pulmões que, gradualmente, ocupam o espaço do ar tornando o cão ofegante e facilmente cansam. Cães idosos também tem mais tendência a terem infecções respiratórias.

11. Diminuição da função renal
Com a idade, os animais correm um maior risco de doenças renais. Isto pode ser devido a mudanças no próprio rim ou como resultado da disfunção de outros órgãos, como o coração - que se não estiver funcionando direito, diminuirá o fluxo sanguíneo ao rim. A função renal pode ser medida através de exames bioquímicos no sangue e análise de urina. Estes testes podem identificar problemas antes de que sintomas físicos os denunciem. O mais frequente sinal de doença renal que pode ser observado pelos donos é o aumento marcado no consumo de água e na eliminação de urina, mas isso geralmente não ocorre até mais ou menos 70% da função renal estar perdida.
Se os rins não estiverem funcionando normalmente, dieta e medicamentos podem auxiliar o cão idoso a eliminar os resíduos tóxicos produzidos pelo funcionamento normal biológico.

12. Diminuição da função do fígado
Apesar de o fígado ser um órgão incrível e único na sua capacidade de regeneração, envelhece do mesmo modo que os demais órgãos do corpo. Sua habilidade de desintoxicar o sangue e de produzir numerosas enzimas e proteínas diminui com a idade.
Algumas vezes as enzimas podem estar aumentadas de forma anormal num animal aparentemente normal e saudável. Outras vezes num animal com doença hepática aparente, a análise das enzimas acusa um resultado normal. Isto, naturalmente, dificulta bastante a interpretação destes testes.
E porque o fígado metaboliza muitos medicamentos e anestésicos, a dose destas drogas deve ser diminuída se a função hepática já não está mais normal. Testes pré-anestésicos devem ser realizados para evitarem problemas potenciais em caso da necessidade de alguma cirurgia.

13. Mudanças na função glandular
Algumas glândulas tendem a produzir menos hormônios à medida em que envelhecem, outras, ao contrário, a produzir mais. Problemas hormonais são comuns em cães idosos, e a propensão de criarem problemas está, com frequência, relacionada com a raça e ou a linhagem. Os Golden Retrievers, por exemplo, tem uma tendência muito grande a desenvolverem hipotiroidismo. Exames de sangue auxiliam a diagnosticar tais doenças, muitas das quais são tratáveis com medicação humana.

14. Alargamento da próstata
O homem e o cachorro são os únicos animais a possuírem próstata. Quando um macho, que não foi castrado, chega aos 8 anos de idade, ele tem 80% de chances de desenvolver doenças da próstata mas estas raramente são cancerosas. Na maioria dos casos a próstata apenas alarga-se. O alargamento da próstata, entretanto, pode causar problemas para urinar ou defecar. Cães machos idosos, especialmente os não castrados, deveriam ter sua glândula checada regularmente. O risco destas doenças é grandemente reduzido se o cão é castrado.

15. Mudanças nas glândulas mamárias
As fêmeas podem desenvolver algum enriquecimento das glândulas mamárias, com a idade, devido a infiltração de tecido fibroso. Câncer de mama, em fêmeas não castradas, é bastante comum, tanto quanto nos humanos. Isso acontece a tal ponto que o câncer de mama é o tumor mais comum da fêmea idosa e também o mais maligno. As fêmeas idosas devem ter suas mamas checadas pelo veterinário regularmente e também por seus donos: basta virá-las de barriga para cima e apalpar suavemente cada mama, em busca de nódulos duros, verrugas ou outras alterações.

16.Medula substituída por gordura
Acima mencionamos a tendência dos cães idosos, assim como os humanos, de acumularem mais gordura. Esta gordura também se infiltra na medula, que é a responsável por criar as células vermelhas no sangue (que são as células que carregam e distribuem o oxigênio no organismo), as células brancas (que atacam as infecções, etc.) e as plaquetas (que auxiliam o sangue a coagular). se a medula é substituída por gordura de modo exagerado, o cão pode tornar-se anêmico. Esta é uma das razões pelas quais é recomendado que os cães façam um exame completo de sangue como parte de seu check-up anual.

17. Sistema nervoso e mudanças comportamentais
À medida em que os animais envelhecem, células nervosas morrem e não são substituídas. Às vezes, algumas proteínas também podem acumular-se nas células nervosas e impedi-las de funcionar corretamente e a comunicação entre as células nervosas pode ficar alterada. Para alguns cães, as mudanças em seu sistema nervoso podem ser suficientemente grandes para causar alterações de comportamento. A isto chamamos de disfunção cognitiva. De acordo com pesquisa realizada pela Pfizer Pharmaceutical, fabricante do Anipryl - um medicamento para tratar disfunção cognitiva canina, 62% dos cães com mais de 10 anos de idade vão sentir pelo menos alguns dos sintomas desta disfunção, que incluem: confusão ou desorientação, inquietação (principalmente à noite), perda total ou parcial do controle esfincteriano, decréscimo de atenção, decréscimo de atividades, e até o não reconhecimento de amigos caninos ou humanos.
Cães idosos podem ter um decréscimo na sua capacidade de lidar com o stress e isto também pode resultar em mudanças comportamentais. Ansiedade da separação, agressão, irritabilidade, fobias (principalmente a barulhos) e crescente vocalização podem aparecer ou tornarem-se mais agudas, em cães idosos. Vários medicamentos combinados com técnicas amorosas de modificação comportamental podem ajudar a resolver ou diminuir alguns destes problemas.
Uma vez que os cães mais velhos não administram bem o stress, adotar um novo filhote quando seu cão começa a mostrar estes sinais de idade, pode não ser uma boa idéia. É importante lembrar que se necessário, devemos trazer o novo filhote quando o cão mais idoso ainda tem plena mobilidade (pode se afastar do filhote caso este o incomode), esteja sem dor (um cão com dor torna-se impaciente e pode mostrar-se agressivo se o filhote o incomodar), quando o cão mais velho não tem nenhuma disfunção cognitiva e ainda pode ver e ouvir bem.

18. Aumento da sensibilidade às mudanças de temperatura
À medida em que os cães envelhecem, decresce sua habilidade de regular sua temperatura corporal. Isto significa que eles estão menos aptos a adaptar-se a mudanças na temperatura do ambiente em que vivem.
Cães que podiam aguentar temperaturas mais baixas, mais frio, quando jovens e ativos, talvez não o façam ao envelhecer. Monitorar a temperatura ao redor do cão, providenciando abrigo, roupas caninas, tapetes mais impermeáveis e fofos, e proteção do vento e da umidade, enfim, fazendo os ajustes para criar um ambiente confortável, ajudará seu cão a ter uma velhice mais agradável. Assim como o cão idoso sofre com o frio, o calor excessivo o incomoda e o deixa abatido e prosternado, diminuindo seu interesse pela comida ou por alguma atividade. Mantê-lo na sombra, em lugar ventilado e fresco, mudar sua água várias vezes por dia, e garantir seu descanso, também é necessário.

19. Diminuição da audição
Alguns cães, ao envelhecer, apresentam uma significativa redução na sua capacidade auditiva. Uma perda pequena é difícil de avaliar em cães. Frequentemente a redução se torna severa antes que os donos percebam o problema. Os primeiros sinais podem parecer agressividade mas na verdade o cão, não percebendo que a pessoa se aproxima, pode ter um sobressalto ao ser tocado e, instintivamente, reagir. Os donos podem também achar que o cão não obedece mais aos comandos familiares mas na verdade o cão não mais os escuta.
A perda auditiva geralmente é irreversível, mas algumas mudanças na interação com o cão podem ajudar a reduzir seus efeitos. Uma das razões de ensinar sinais com as mãos para vários comandos (juntos com o som do comando) enquanto eles são jovens, é que estes sinais manuais são úteis se o cão desenvolve perdas auditivas significativas. O uso de luzes para sinalizar alguns comandos (como piscar as luzes da varanda se você quer que o cão entre, à noite) podem ser úteis, às vezes. Cães com perda auditiva frequentemente podem sentir as vibrações, portanto bater palmas ou os pés podem alertar o cão e avisá-lo de que seu dono quer comunicar-se com ele.

20. Mudanças nos olhos e diminuição da visão
Muitos cães desenvolvem uma doença nos olhos chamada de esclerose nuclear. Uma característica desta doença é que a lente ocular aparece enevoada, apesar de que os cães possam ainda enxergar normalmente. Os donos, com frequência, acreditam que o cão esteja com catarata (que de fato afeta a visão) quando é apenas esclerose nuclear. A catarata é mais comum em cães idosos de certas raças, assim como o glaucoma. Qualquer mudança súbita na visão ou na aparência de um ou dos dois olhos é um sinal de emergência e um veterinário deve ser contatados imediatamente. Exame oftalmológico faz parte do check-up de rotina dos cães idosos.

RESUMO
Os cães mais velhos podem apresentar algumas mudanças nas funções de seus corpos. Alguns apresentam mudanças mais pronunciadas do que outros pois estas mudanças podem variar bastante. Alguns cachorros apresentam já algumas destas mudanças antes de envelhecerem e, sabendo o que esperar, você pode ajudá-lo a ajustar-se "se" e "quando" algumas destas mudanças ocorrerem.
À medida em que este envelhece, a saúde do cão precisa ser monitorada mais atentamente. Não ignore a mudança na atividade e no comportamento de seu cão. Muitas destas mudanças podem ser sinais de doenças sérias.
Se você estiver em dúvida, consulte seu veterinário e não deixe de levar seu velho amigo canino para um check-up anual.

terça-feira, 16 de março de 2010

VELHO COMPANHEIRO


Durante centenas de milhares de anos, o sono dos seres humanos foi leve e conturbado. Animais selvagens, predadores, grupos inimigos e ameaças de todo tipo impediam qualquer pessoa de dormir profundamente. Era preciso estar vigilante. Nossas noites começaram a ser tranquilas graças ao cachorro. A domesticação progressiva dos cães, com sua excepcional capacidade de detectar intrusos pelo ruído e pelo olfato, latindo e dando sinal nas proximidades do acampamento humano, foi uma enorme mudança na vida cotidiana. Comparável à descoberta do fogo.

A habilidade de fazer fogo foi uma das maiores conquistas tecnológicas da humanidade. Permitiu o aquecimento, a iluminação; trouxe conforto e novas técnicas, como o cozimento dos alimentos, a cerâmica, a metalurgia e tantos outros avanços. A domesticação do cachorro foi, talvez, o segundo de nossos maiores êxitos. Hoje o cão é encontrado em todo o mundo como animal doméstico. Impossível, em nossos dias, uma sociedade humana sem fogo e sem cachorro.

O cão é um mamífero carnívoro da família dos canídeos. Seu nome científico é Canis familiaris, e a espécie descende de populações selvagens do lobo eurasiático (Canis lupus). Todo o cão, independentemente de raça, é descendente longínquo dos lobos selvagens e primo da raposa. O menor dos cachorros, como esses que algumas senhoras levam dentro da bolsa, é descendente do lobo. Durante muito tempo acreditou-se que o homem domesticara o lobo, recuperando e criando seus filhotes. Hoje as pesquisas indicam quase o contrário. Foi o cachorro quem, de certa forma, domesticou os seres humanos, acompanhando-os de longe, persistindo, convencendo-os de sua utilidade e colocando-os a seu serviço.

Um pouco como as hienas fazem com os leões e outros predadores, determinados tipos de lobo seguiam os deslocamentos humanos a distância. Sempre prontos a recuperar resíduos alimentares, como ossos, ligamentos e restos com um pouco de gordura e carne. Nômades, os caçadores-coletores primitivos eram comedores de carniça, assim como os lobos. Com o tempo, os seres humanos também seguiam e observavam os mesmos lobos para detectar uma presa ou carniça. Para esses animais, era um ótimo negócio compartilhar uma carniça ou caça com os seres humanos, que apresentavam armas, cada vez mais sofisticadas, para obtê-la e defendê-la de outros predadores.

A competência em dar sinal em caso da chegada de intrusos permitiu e garantiu a permanência desses animais dos acampamentos humanos. Uma interdependência estava criada. Trouxemos os filhotes para dentro de nossas cavernas e cabanas. E imaginamos o simétrico: mitos e histórias em que lobos amamentam, por exemplo, os fundadores de Roma ou Mogli, o menino-lobo (sem falar no lobisomem).

Com essa proximidade, começamos a compartilhar comida e doenças, ócio e trabalho, inimigos e ameaças. Os seres humanos puderam, enfim, dormir. Relaxar. Entrar num estágio de sono profundo, confiando sua noite e seus sonhos ao aguçado olfato e à audição superior dos companheiros cachorros. Faz pouco tempo: menos de 20 mil anos de bons sonhos contra centenas de milhares de anos de pesadelo.

Cachorro de índio

Ao contrário do que muitos imaginam, no século 16, não foram facões, machados ou anzóis as tecnologias europeias mais desejadas e adotadas pelos indígenas brasileiros - mas o cachorro. A razão inicial da ampla difusão e do sucesso dessa tecnologia europeia com os índios do Brasil foi seu uso como defesa. Os cães foram mais úteis aos indígenas que o irreprodutível metal dos europeus.

Na chegada dos portugueses ao litoral brasileiro, a expansão territorial dos tupis ainda não estava consolidada, apesar do desaparecimento dos sambaquieiros e outros povos. As guerras entre tribos e aldeias eram permanentes e marcadas pela exoantropofagia. Mulheres e crianças eram as maiores vítimas: fáceis de capturar, imobilizar e transportar, mais indefesas que os guerreiros. Buscar água ou brincar longe das aldeias era um risco enorme. A vida concreta das mulheres e crianças nativas, naquela época, era muito distante da mítica visão paradisíaca apresentada em alguns livros de história.

A introdução do cachorro pelos portugueses, sobretudo pelas mãos dos jesuítas, inaugurou nova era de sono tranquilo para os índios brasileiros. Em caso de aproximação de guerreiros inimigos, de dia ou de noite, os cachorros davam sinal e até atacavam os potenciais agressores. O cachorro foi integrado nas tribos como o primeiro mamífero doméstico - e continua sendo o mais extraordinário deles, capaz de seguir os passos do indígena, obedecer a suas ordens e cumprir tarefas diversas. Essa intimidade é tamanha que ainda hoje é comum observar índias amamentarem cães em seus seios ou prepará-los assados como alimento.

Como no caso dos primeiros grupos humanos, só tempos depois os índios descobriram a capacidade de caça dos cachorros. Foi uma revolução em suas vidas. A eficiência cinegética dos bichos, sozinhos ou em alcateia, como no caso dos lobos, introduziu mudanças nas técnicas de caça indígenas e até nos ritos relativos à captura da temida onça, por exemplo, antes normalmente atraída para armadilhas cavadas no solo, como indicam relatos dos jesuítas. A capacidade do cachorro de farejar, perseguir e acuar as onças no alto das árvores trouxe nova realidade às aldeias. Conforme o dito popular, nenhum índio se sentia mais num mato sem cachorro. E o sucesso reprodutivo dos cães garantiu rápida expansão de sua presença entre as tribos. Logo os caninos chegaram às aldeias mais remotas no interior, cujo contato com os brancos e suas tecnologias só ocorreria séculos mais tarde.

Símbolo e função

Os cães são naturalmente prolíficos. Cada ninhada tem, em média, de seis a oito filhotes. São fáceis de reproduzir. Os cios são frequentes. As fêmeas aceitam muitos machos. Às vezes, uma ninhada tem filhos de vários pais. E o intervalo entre partos é pequeno, o que permite à fêmea parir duas vezes por ano. Qualquer criador sabe: o tempo de geração curto e os filhotes numerosos são os ingredientes básicos de uma seleção genética animal rápida e eficiente. Há séculos, os seres humanos selecionam e aperfeiçoam raças de cachorro capazes de cumprir os mais diversos papéis e funções sociais. As raças são também símbolos de status, beleza, segurança, riqueza, força.

É curioso, mas um trabalho de seleção bastante parecido também foi feito pelos cachorros, sem que os seres humanos percebessem. Foi assim na Babilônia, nas cidades gregas e no Império Romano. Foi assim no Brasil, é claro. Nas ruas e nos subúrbios das metrópoles, nas fazendas e nos pequenos sítios, nas margens dos rios amazônicos ou no meio da caatinga, nas favelas e nos lixões. No caso dos vira-latas, as condições ambientais e as leis de Darwin selecionaram o melhor sucesso reprodutivo e adaptativo.

O vira-lata brasileiro é um cão autônomo, de grande inteligência e com enorme capacidade de conformação. Seus formato e tamanho são médios. Sua pelagem é curta e de cores ajustadas às condições ambientais, variando do negro ao bege-claro. Correm, nadam, sabem dissimular e têm todos os sentidos aguçados e bastante equilibrados. Muitas pessoas certamente ficariam na dúvida em identificar o nome de certa raça de cachorro com pedigree, mas poucos hesitariam em reconhecer um vira-lata, um rasga-saco, um pé-duro ou um, na linguagem formal dos veterinários, SRD (ou sem raça definida).

O SRD tolera e resiste a doenças e enfrenta sozinho condições ambientais adversas nas quais outros cães não teriam nenhuma chance de sobrevivência, seja no meio do mato, seja na área rural ou mesmo nos grandes centros urbanos. Oposto aos cachorros de raça, especialistas por natureza, o vira-lata é antes de tudo um generalista. Seu talento, seu conhecimento e seu interesse se estendem a vários "campos", não se confinando em nenhum setor, como seus parentes com pedigree. Ele está geneticamente equipado para lidar com diversas situações, impostas pela natureza ou pelos seres humanos.

Uma coleção de acasos e oportunidades deu origem e moldou o vira-lata brasileiro. Ele segue evoluindo enquanto, no caso dos cães de raça, o esforço dos seres humanos é garantir a não evolução, a manutenção das características da raça e sua imutabilidade. Nesse processo, o animal vira-lata foi bem mais proativo que o ser humano. Na história de introdução e multiplicação de cachorros Brasil afora, o cão foi mais sujeito que objeto. Ele sentia o cio das fêmeas. Ele fugia para encontrá-las, viver suas aventuras. Pouco exigente em termos de alimento e abrigo, ele fez sua vida nas fazendas, nas cidades, nos vilarejos, acompanhando boiadas ou bandeiras, sítios e residências, saltando de canoa em canoa, de vagão em vagão, de circo em circo, seguindo andarilhos e romeiros ou caminhando solitário pelas trilhas e estradas, empreendendo viagens aventureiras e amorosas pelas terras brasileiras.

Olhos nos olhos

É necessário enorme treinamento para um chimpanzé aprender o significado de uma ordem ou de dois gestos humanos. Mas um cachorro é capaz de entender mais de 100 palavras e identificar pelo nome até 200 objetos. No Pantanal, nos sertões e nas montanhas de Minas Gerais, os cães pastores atendem a apitos, assobios, gritos, palavras e gestos, mesmo a grandes distâncias, realizando com precisão suas tarefas entre os rebanhos de bovinos, ovinos e caprinos. Da mesma forma, na zona rural, os vira-latas aprendem e colaboram nas diversas técnicas de caça empregadas no caso de onças, tatus, pacas, perdizes, jacus ou no que seja. A razão é simples: há milhares de anos o cachorro tem sido selecionado para nos entender, nos ajudar, cumprir nossas ordens e atender a nossos desejos.

Desde sua domesticação, o cachorro tornou-se uma criatura poliglota, uma das poucas capazes de comunicação interespecífica. Esse animal bilíngue é capaz de comunicar-se com sua espécie e com os seres humanos como nenhum outro. Os cães estão sempre atentos, captam e interpretam a voz das pessoas, seus gestos, a expressão de seu rosto e, sobretudo, seus olhos. É obrigação deles insinuar-se no meio dos seres humanos, acompanhando sua evolução, conquistando os mais diversos grupos e lugares sociais. O primeiro terráqueo a viajar até o espaço sideral foi um cão: a cadela russa Laika.

Algumas raças de cachorro praticamente não latem, outras não uivam e outras são muito barulhentas. Os vira-latas, dada a multiplicidade de situações que enfrentam para sobreviver em meio a outros animais e seres humanos, em áreas rurais e urbanas, não perderam nem uma só nota musical de suas competências sonoras. Cachorros são capazes de rosnar, acuar, barroar, cainhar, esganiçar, ganir, ladrar, latir, uivar e ulular. Não temos tantos verbos para descrever os sons de outra espécie animal. E, no universo sonoro, os cães ainda são aptos a muito mais. Nós é que, simplesmente, não os escutamos.

Suas orelhas, estimuladas por 25 músculos, giram, sobem, descem, movem-se de forma dissociada ou coordenada e detectam com precisão a origem dos sons. Para defender um estábulo ou caçar uma presa, por exemplo, esse recurso é fundamental. Cães são bem mais eficientes que gatos ao caçar ratos, apesar do inabalável marketing dos felinos. Eles percebem os ruídos sutis das mandíbulas dos roedores e sabem onde estão. Seu aparelho auditivo pode captar frequências duas a três vezes maiores do que somos capazes. Em termos de comparação, para alcançar a gama auditiva dos cães, teríamos de agregar 48 teclas à direita de um piano. Por isso, eles sabem, de longe, pelo som, se um animal escapou do curral, se um estranho parou do lado de fora do muro ou se o veículo de sua dona se aproxima a cinco quadras dali. E, diante disso, tomam todas as providências pertinentes.

Faro fino

Cães de raça são procurados em canis especializados, comprados por altos valores e vêm com atestados de pedigree. No caso dos vira-latas, ocorre exatamente o contrário: são eles que buscam os seres humanos. Eles são capazes de insinuar-se e ser úteis nos mais diferentes ambientes ecológicos, sistemas de produção ou condições sociais do Brasil. Se os atestados de pedigree documentam toda a linhagem genealógica de um animal de raça, quase nunca se tem ideia de quem foram os pais de um vira-lata. Mesmo assim, um cão de pedigree com chip de identificação e toda a sua genealogia mapeada tem pouca chance de sobreviver se for abandonado, por exemplo, no meio da avenida Paulista, em São Paulo.

Já os vira-latas urbanos aprenderam a atravessar a rua. Aguardam os veículos passarem. Respeitam os sinais. E, em muitos casos, usam "homens-guias": nos cruzamentos mais difíceis, eles observam e seguem as pessoas. Da mesma forma que os deficientes visuais se utilizam dos cães-guias, os vira-latas, nessas e em várias outras situações, se servem dos seres humanos. Tudo isso sem que seja preciso treiná-los.

Os vira-latas demonstram tão rapidamente sua capacidade de apreender e expandir a mente por razões genéticas. Mas também porque, desde os primeiros dias de seu nascimento, estão expostos a grande variedade de experiências sensoriais, sobretudo nas patas. Seguem a mãe no capim, na areia, no cimento, na terra.

O agitar da cauda expressa a vida emocional dos cachorros, do mesmo modo que nossas expressões faciais. A cauda é, de certa forma, o rosto do cão. Estudos comprovam que o rabo balança, de forma assimétrica, de um lado para o outro. O cachorro agita sua cauda mais para a direita na presença ou proximidade de seu dono e em situações de conforto. Ele a balança mais para a esquerda quando está com medo, cauteloso ou apreensivo. Como diz a lenda, existem vira-latas tão inteligentes que são capazes de jogar pôquer. Mas nunca ganham porque quando têm um bom jogo... sempre balançam o rabo.

A maior genialidade sensorial do vira-lata é seu olfato. Além de uma sensibilidade bem superior à nossa, o que assombra é sua capacidade seletiva. Onde sentimos cheiro de feijoada, o cachorro identifica o odor da linguiça, do feijão, do louro, da cebola e de todos os ingredientes, um por um. O olfato seletivo dos vira-latas permite que sigam uma pista, uma presa ou uma fêmea por longas distâncias. Eles identificam no meio de um saco de lixo a presença de algum item comestível - ou seja, qualquer produto orgânico em qualquer estado de decomposição. Vira-latas não ruminam. Engolem quase sem mastigar. Seu suco gástrico poderoso transforma todas as matérias e bactérias em nutrientes saudáveis.

Com esse conjunto de excelências, é normal que, como superlativo de beleza, utilizemos, em português, a expressão: "Bonito pra cachorro!" Da mesma forma, um prato delicioso é "Bom pra cachorro!" Para elogiar a excepcional competência ou o bom desempenho de alguém, dizemos "O cara é o cão!" E a fidelidade a toda prova é descrita como "lealdade canina".

Atores históricos

Os vira-latas desembarcaram com os portugueses, participaram das entradas e bandeiras, testemunharam o grito do Ipiranga às margens plácidas, a proclamação da República e estiveram presentes nas diversas expedições do marechal Rondon e dos irmãos Villas Bôas. Há uns 15 anos, ouvi, emocionado, em uma roda de jornalistas, uma lição de patriotismo relatada pelo grande indigenista Orlando Villas Bôas como quem conta um causo. E vou narrá-la, do jeito que eu me alembro.

Orlando estava numa de suas heroicas expedições pelo Brasil desconhecido, sem contato com a civilização há muito tempo. Um dia, consultando seu diário, realizou que era 7 de setembro. Não teve dúvida. Mandou improvisar um mastro com um tronco de paxiúba. Reuniu todos os seus homens e, em ordem-unida, hastearam a bandeira brasileira e cantaram o Hino Nacional lá no coração da selva. Uma manifestação cívica, sem nenhuma outra testemunha senão a natureza naquele fim de mundo. A emoção foi geral. Terminada a comemoração patriótica, o chefe de seus mateiros, um rude e experimentado sertanejo, aproximou-se. Com jeitinho, quase confidente, puxou o sertanista de lado e comentou: "Bonita cerimônia, hein, doutor Orlando?" "Pois é", respondeu o sertanista.

"Que mal lhe pergunte...", prosseguiu o sertanejo, curioso. "Qual foi mesmo a razão dessa homenage toda?" "Ora! A independência!", respondeu Orlando. "Ah! Ela merece, merece mesmo." "Como assim?" "A Pendência!" "Pendência?!", questionou o sertanista, intrigado.

Foi quando ouviu do mateiro: "É, ela memo. Cachorra boa pra paca como a Pendência nunca mais nóis tivemo, depois que aquela onça matô a coitada. E eu que já quase nem me alembrava do dia dessa tragédia..."

segunda-feira, 1 de março de 2010

GAROTO DE PRAIA, EU?

Levar os cachorros e os gatos à praia, todos sabem, não é uma atitude recomendável, principalmente quando esta praia é movimentada e com muitas crianças. Não se trata de um  ato anti-social ou preconceituoso contra nossos amigos, mas sim, de uma medida de prevenção e de conscientização, já que tudo começa a partir das fezes deixadas na areia.
Não é à toa que muitas pessoas reclamam quando se deparam com um totó se refestelando na areia da praia, na maior folga, alegria e diversão. Algumas delas temem um ataque do cão ou brincadeiras que sempre resultam em choro de criança, como arranhões, leves mordidas ou tombos, mas outras também sabem que por trás de toda aquela festa, escondem-se algumas doenças que podem ser transmitidas ao homem, trazendo-lhes muitos incômodos durante a temporada de verão, como o famoso Bicho Geográfico.
Tanto os cães como os gatos podem transmitir doenças aos seres humanos quando freqüentam a praia. Isso porque existem milhares de microorganismos em suas fezes, que sempre são deixadas como pistas da sua presença no local, podendo prejudicar a saúde dos banhistas. “Isso ocorre porque as pessoas pisam ou sentam em locais infestados por essas fezes”- explica a médica veterinária Daniela Perez Malfatti, da Clínica Veterinária Marajoara, em São Paulo. “Os ovos do parasita são eliminados nas fezes que, com o calor e a umidade, viram larvas, que são as verdadeiras causadoras das doenças”.

Caminhos Tortuosos
Os parasitas causadores do Bicho Geográfico podem ser o Ancylostoma caninum, que está presente somente no organismo dos cachorros ou Ancylostoma braziliense, que é peculiar de cães e gatos. “Eles são capazes de penetrar na pele das pessoas, causando a doença, que só é percebida quando começam a aparecer os ‘mapas’ característicos e muita coceira”- diz a veterinária.
O Bicho Geográfico recebeu este nome exatamente por deixar este rastro sinuoso e desregulado, que deixa uma marca semelhante a um mapa e muito avermelhado. Ele também é conhecido como Dermatite Serpinginosa e não é somente na praia que pode ser transmitido, pois parquinhos de diversão, jardins e campos com areia conter as larvas, já que muitos cães e gatos também passam por lá, deixando suas ‘marcas registradas’.

Atenção Redobrada às Crianças
Não é somente o Bicho Geográfico o grande vilão da história quando se trata da permanência de cães e gatos – e suas fezes – na areia. Existe ainda uma outra doença provocada pelas fezes de animais contaminados que é muito mais séria, a Toxocariose. “Esta doença é causada pela ingestão de ovos de larvas do parasita Toxocara canis, também encontrados nas fezes de animais contaminados”- alerta a médica veterinária Daniela Malfatti. Ela atinge o ser humano, mas sobretudo as crianças que permanecem na areia e, sem perceber, levam brinquedos ou as mãos à boca.
Após a ingestão dos ovos, são liberadas larvas no intestino que passam para a corrente sangüínea e circulam pelo organismo. Como o ser humano não é o hospedeiro adequado para o parasita, as larvas não completam o ciclo evolutivo, mas podem se alojar em diversos tecidos ou órgãos, e em especial no fígado, no globo ocular ou no cérebro humano, causando lesões graves. “A Toxocariose, quando não tratada, pode levar à cegueira e danos mais desastrosos para o ser humano”- alerta.

Conscientização e Educação dos Proprietários
Se os cães e gatos entendessem o que o ser humano fala, até poderíamos culpá-los por não contribuir com bons modos, mas como eles ainda não nos entendem perfeitamente, a responsabilidade é mesmo somente dos proprietários dos animais. O primeiro passo para que estas zoonoses deixem de ocorrer com tanta freqüência é a conscientização dos proprietários, para que não levem os animais à praia, playgrounds ou campinhos e, muito menos que deixem de recolher as fezes que eles deixam pelo caminho.
Além disso, é importante que todos tenham em casa animais sadios e longe de parasitas. Muitas vezes, mesmo tendo um tratamento VIP dentro de casa, eles podem estar contaminados. “Os animais precisam fazer exame de fezes para detectar se há contaminação pelos parasitas. Caso o exame seja positivo, o médico veterinário responsável irá ministrar o vermífugo específico para ele”- finaliza o médico veterinário Marcelo Ernesto Strejor, se referindo tanto ao Ancylostoma braziliense como para o Toxocara canis.

Informações Importantes
• Fezes de cães e gatos contaminados podem transmitir doenças quando em contato com os seres humanos
• Os parasitas causadores do bicho geográfico são ancylostma caninum e o ancylostoma braziliense
• O parasita responsável por transmitir a toxocariose é o toxocara canis
• Cães e gatos podem estar contaminados mesmo que tenham um tratamento “vip” dentro de casa
• Essa contaminação pode se dar através da ingestão de insetos, alimentos contaminados, amamentação ou contato com as larvas
• A prevenção pode ser feita com o exame de fezes específico para detectar os agentes causadores e, principalmente, pela conscientização e educação dos proprietários em não levar os cães à praia, parques ou campos
• Recolha as fezes dos animais sempre, e para isso, toda vez que for passear, leve uma pá de lixo e saquinho plástico. Seja educado!