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MEU ANIMAL AMIGO: UM CÃO CHAMADO JÉS...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

UM CÃO CHAMADO JÉS...

Esta é a estória de um menino pobre, principalmente pobre de amor.
O seu nome era apenas um apelido: Nico.
Nada tinha de seu, que pudesse comparar com outros meninos remediados. Mãe e pai andavam sempre ausentes e, quando não prontos para despacha-lo, com palavras irritadas, desejosos de se livrarem das suas pieguices.
Mas um dia, Nico achou um amigo: um cão vadio, tão só e abandonado como ele mesmo. A vida, assim, não lhe parecia tão solitária.
Costumava Nico, às vezes, isolar-se na igreja, onde tinha a mania de conversar com os santos. Aquelas imagens pareciam entende-lo. E jurava ter visto São Roque sorrindo e pedindo para que também o seu cãozinho lhe fosse lamber a ferida da perna. Acidentalmente, ouvia os sermões. Não os compreendia bem, mas foi através deles que aprendeu que o maior amigo do homem era uma pessoa chamada Jesus.
Era dia de Natal, e por toda a parte, este nome Jesus era pronunciado com unção, respeito e até em músicas envolventes. A própria atmosfera parecia contagiada de amor. Horas atrás, até Dna. Quitéria da venda lhe havia dado guloseimas, ela que sempre o enxotava dali! No grameiro, onde ficavam as favelas, tinham lhe dado, também, um pião lindíssimo cheio de estrias douradas e vermelhas!
Não podia haver dia melhor para aquilo que desejava. Assim, caminhando com o cãozinho atrás de si, dirigiu-se à igreja e sorridente adentrou a sacristia. Perante o Pe. Albino expôs a sua pretensão:
"Os nenéns vêm aqui e recebem um nome. Eu desejava dar o nome de Jesus ao meu cãozinho" ‑ tartamudeou. Sim ‑ o seu cãozinho era amigo fiel; merecia tal nome.
O sacerdote escandalizou-se e, diante do que considerava um sacrilégio sem conta, enfureceu-se. Com palavras duras a lhe brotarem dos lábios em borbotões, verdadeiros impropérios, pós o Nico a correr dali com o seu cachorro, ameaçando manda-lo para o inferno, se antes não lhe botasse no encalço toda a gendarmeria.
Transido de medo, com o coraçãozinho a saltar-lhe do peito, Nico e o seu cão vadio, saíram a correr mais do que lhes permitiam as pernas até as estradas ermas. Numa centenária figueira, de nodosas raízes, Nico se acomodou, encolhidinho, com o seu cachorro. .
Nico assim dormiu, partindo para o mundo dos sonhos, onde lhe veio ao encontro formoso jovem, que lhe dirigiu a palavra:
‑ Meu amiguinho, Nico. Hoje estou muito feliz.
‑ Por que? ‑ redarguiu o menino.
‑ Porque hoje tive á certeza, de que você me ama.
‑ Como assim?
‑ Só damos certo nome a quem estimamos muito, se esse nome representa algo importante para nós. E você escolheu o meu nome para o seu melhor amigo.
Nino ficou um tanto enleado. Olhava para aquele luminoso príncipe e ao mesmo tempo para o seu cãozinho e enquanto alisava os pêlos deste, perguntou aflito:
‑ Então, quer dizer que posso chamar meu cãozinho pelo nome de Jesus?
‑ Sabe, meu amiguinho; os homens, por certo não 0 compreenderiam, mas... você não tem o nome de Antonio?
‑ Sim, meu nome é Antonio.
‑ E... não o chamam Nico? Pois bem, faça isso também.
Daquele Natal em diante, ninguém no vilarejo era capaz de explicar onde e de que forma Nico havia escolhido um nome tão incomum, o nome Jés... para seu cãozinho vadio.
(Composição de Mário B. Tamassía sobre um tema ditado pelo espírito de Túlio em trabalhos de psicocinesia espirita.)
Revista André Luiz – Ano VI – nº 11 e 12

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