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MEU ANIMAL AMIGO: Dezembro 2008

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

FELIZ ANO NOVO

Feliz ano novo a todos vocês! Com muita saúde e amor no coração. Que, finalmente, possamos ter boas notícias e que todos os animais possam ser mais felizes. Que as lambidas sejam muito mais lambuzadas, que o carinho seja mais acolhedor e que o rabinho balançando fique ainda mais vibrante.

CUIDADOS COM ANIMAIS NO RÉVEILLON

Tudo bem. Você adora comemorar o Ano-Novo com champanha e fogos.
Mas lembre-se que o seu animal de estimação não entende isso como uma festa e, sim, como um ataque que o deixa desorientado e em pânico.
Para evitar surpresas desagradáveis, preste atenção nestas dicas:

Cães
1-Feche portas e janelas para evitar fugas e suicídios;
2-Dê uma alimentação leve, pois distúrbios digestivos provocados pelo pânico podem matar (torção de estômago, por exemplo);
3-Cobertores pesados estendidos nas janela abafam o som, assim como cobertores no chão ou um edredom sobre o animal;
4-Não deixar muitos cães juntos, pois, excitados pelo barulho, podem brigar até a morte;
5-Um pouco antes da meia-noite, leve seu animal para perto da TV ou de um aparelho de som e aumente aos poucos o volume de tal forma que ele se distraia e se acostume com um som alto;
6-Procure um veterinário para sedar os animais no caso de não poder colocá-los para dentro de casa;
7-Animais acorrentados acabam se enforcando em função do pânico;
8-Alguns veterinários aconselham o uso de tampões de algodão nos ouvidos que podem ser colocados minutos antes e tirados logo após os fogos;
9-Calmantes naturais podem apresentar resultado bastante eficiente para os animais que historicamente apresentam o estresse.

Gatos
1-Escolha um quarto da casa que tenha uma cama e um armário, e prepare para ser o quarto dos gatos no Réveillon;
2-Abra um ou dois armários e coloque cobertores para forrar e formar tocas confortáveis;
3-Desarrume a cama e coloque cobertores formando tocas; tocas embaixo da cama também são boas;
4-Feche toda a janela, passe a cortina e, se possível, encoste um colchão na janela para abafar o barulho;
5-Água, comida e caixinha de areia devem ficar distribuídos estrategicamente pelo quarto, sempre encostados

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

A GALINHA AFETUOSA

Gentil galinha, cheia de instintos maternais, encontrou um ovo de regular tamanho e espalmou as asas sobre ele, aquecendo-o carinhosamente. De quando em quando, beijava-o, enternecida. Se saía a buscar alimento, voltava apressada, para que lhe não faltasse calor vitalizante. E pensava garbosa: - "Será meu pintainho! será meu filho!”.
Em formosa manhã de céu claro, notou que o filhotinho nascia robusto.
Criou-o, com todos os cuidados. No entanto, em dourado crepúsculo de verão, viu-o fugir pelas águas de um lago, sobre as quais deslizava contente. Chamou-o, como louca, mas não obteve resposta. O bichinho era um pato arisco e fujão.
A galinha, desalentada por haver chocado um ovo que lhe não pertencia à família, voltou muito triste, ao velho poleiro; todavia, decorrido algum tempo e encontrando outro ovo, repetiu a experiência.
Nova criaturinha frágil veio à luz. Protegeu-a, com ternura, dedicou-se ao filho com todas as forças, mas, em breve, reparou que não era um pintainho qual fora, ela mesma, na infância. Tratava-se dum corvo esperto que a deixou em doloroso abatimento, voando a pleno céu, para juntar-se aos escuros bandos de aves iguais a ele.
A desventurada mãe sofreu muitíssimo. Entretanto, embora resolvida a viver só, foi surpreendida certo dia, por outro ovo, de delicada feição. Recapitulou as esperanças maternas e chocou-o. Dentro em pouco, o filhote surgia. A galinha afagou-o, feliz, com o transcurso de algumas semanas, observou que o filho já crescido perseguia ratos à sombra. Durante o dia, dava mostras de perturbação e cego; no entanto, em se fazendo a treva, exibia olhos coruscantes que a amedrontavam. Em noite mais escura, fugiu para uma torre muito alta e não mais voltou. Era uma coruja nova, sedenta de aventuras.
A abnegada mãe chorou amargamente. Porém, encontrando outro ovo, buscou ampará-lo. Aninhou-se, aqueceu-o e, findos trinta dias, veio à luz corpulento filhote. A galinha ajudou-o como pôde, mas, em breve, o filho revelou crescimento descomunal. Passou a mirá-la de alto a baixo. Fêz-se superior e desconheceu-a. Era um pavãozinho orgulhoso que chegou mesmo a maltratá-la.
A carinhosa ave, dessa vez, desesperou em definitivo. Saiu do galinheiro gritando e dispunha-se a cair nas águas de rio próximo, em sinal de protesto contra o destino, quando grande galinha mais velha a abordou, curiosa, a indagar dos motivos que a segregavam em tamanha dor.
A mísera respondeu, historiando o próprio caso.
A irmã experiente estampou no olhar linda expressão de complacência e considerou, cacarejando:
- Que é isto amiga? não desespere. A obra do mundo é de Deus, nosso Pai. Há ovos de gansos, perus, marrecos, andorinhas e até de sapos e serpentes, tanto quanto existem nossos próprios ovos. continue ajudando em nome do Poder Criador; entretanto, não se prenda aos resultados do serviço que pertencem a Ele e não a nós, mesmo porque a escada para o Céu é infinita e os degraus são diferentes. Não podemos obrigar os outros a serem iguais a nós, mas é possível auxiliar a todos, de acordo com as nossas possibilidades. Entendeu?
A galinha sofredora aceitou o argumento, resignou-se e voltou mais calma, ao grande parque avícola a que se filiava.
O caminho humano estende-se, repleto de dramas iguais a este. Temos filhos, irmãos e parentes diversos que de modo algum se afinam com as nossas tendências e sentimentos. Trazem consigo inibições e particularidades de outras vidas que não podemos eliminar de pronto. Estimaríamos que nos dessem compreensão e carinho, mas permanecem imantados a outras pessoas e situações, com as quais assumiram inadiáveis compromissos. De outras vezes, respiram noutros climas evolutivos.
Não nos aflijamos, porém.
A cada criatura pertence à claridade ou a sombra, a alegria ou a tristeza do degrau em que se colocou.
Amemos sem o egoísmo da posse e sem qualquer propósito de recompensa, convencidos de que Deus fará o resto.
NEIO LÚCIO
Do livro Alvorada cristã. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

MEU CACHORRO LATE PRO NADA. ELE PODE ESTAR VENDO ALGUM ESPÍRITO ?

O fato narrado é absolutamente natural e até muito comum. Os Espíritos ensinam que nos animais há uma inteligência, porém, limitada (questão 593). Comentando a questão, Kardec afirma que "há neles uma espécie de inteligência, mas cujo exercício quase que se circunscreve à utilização dos meios de satisfazerem às suas necessidades físicas e de proverem à conservação própria". Mais adiante, na questão 597, ensinam os Espíritos que há nos animais uma inteligência que lhes faculta certa liberdade de ação, princípio independente da matéria e que sobrevive ao corpo. "É também uma alma, se quiserdes, dependendo isto do sentido que se der a esta palavra. É, porém, inferior à do homem. Há entre a alma dos animais e a do homem distância equivalente à que medeia entre a alma do homem e Deus". Na questão 606, afirmam os Espíritos que o princípio inteligente dos animais é tirado do elemento inteligente universal, assim como o do homem, sendo que no homem passou por uma elaboração que o coloca acima da que existe no animal. É uma fase de preparação para alçar vôos mais altos. Uma espécie de germinação, que vai propiciar a esse princípio espiritual evoluir até sofrer uma transformação e se tornar espírito (questão 607). O reino animal, desse modo, é uma espécie de germinação, que vai propiciar ao princípio espiritual evoluir até sofrer uma transformação e se tornar espírito, entrando, então, a partir daí, no período de humanização. Há nos animais aptidões diversas, comuns aos seres humanos, tais como certos sentimentos, certas paixões e faculdades espirituais outras que estão em desenvolvimento. Allan Kardec, no Livro dos Médiuns, transcreve uma mensagem de Erasto, em que ele explica que "é certo que os Espíritos podem tornar-se visíveis e tangíveis aos animais e, muitas vezes, o terror súbito que eles denotam, sem que lhe percebais a causa, é determinado pela visão de um ou de muitos Espíritos, mal-intencionados com relação aos indivíduos presentes, ou com relação aos donos dos animais. Ainda com mais freqüência vedes cavalos que se negam a avançar ou a recuar, ouque empinam diante de um obstáculo imaginário. Pois bem! tende como certo que o obstáculo imaginário é quase sempre um Espírito ou um grupo de Espíritos que se comprazem em impedi-los de mover-se. Lembrai-vos da mula de Balaão que, vendo um anjo diante de si e temendo-lhe a, espada flamejante, se obstinava em não dar um passo. E que, antes de se manifestar visivelmente a Balaão, o anjo quisera tornar-se visível somente para o animal."Portanto, o que pode estar ocorrendo com seu cachorro é que ele está tendo a visão de algum espírito que lhe está aparecendo, causando-lhe susto e, em conseqüência, latidos. Os animais, como vimos da explicação do espírito Erasto, têm capacidade para perceberem o plano espiritual, embora, evidentemente, não possam servir como médiuns, pois sua inteligência não está o suficiente desenvolvida para tanto. Procure melhorar a ambiência espiritual de sua residência, para evitar que espíritos perturbadores encontrem as vibrações de que necessitam para se aproximarem. Continue orando e, se ainda não o faz, comece a fazer a Reunião do Evangelho no Lar, para que, não somente você, mas todos da família e auxiliares possam receber os seus benefícios, que envolvem todo o ambiente doméstico. Um roteiro e outros esclarecimentos sobre o assunto poderão ser encontrados em nosso site, no endereço www.cvdee.org.br/cel.asp

sábado, 27 de dezembro de 2008

FIGURAS ANIMAIS NO PLANO ESPIRITUAL


Na literatura espírita, encontramos com bastante freqüência alusões a figuras de animais, no plano espiritual. Por exemplo, Hermínio C. Miranda, em Diálogo com as Sombras, descreve o "Dirigente das Trevas" como sendo visto quase sempre montado em animais. Brota imediatamente, em nossa mente, a pergunta: Qual a natureza desses animais?
Também André Luiz refere-se, em suas obras, a cães puxando espécies de "trenós" (Nosso Lar), aves de monstruosa configuração (Obreiros da Vida Eterna), e assim por diante.
Realmente, identificar a natureza dessas figuras de animais no plano espiritual, não é tarefa fácil. Alguns casos são de mais direto entendimento.
Assim, na GE XIV 14 lê-se que "o pensamento do Espírito cria fluidicamente os objetos dos quais tem o hábito de se servir; um avaro manejará o outro..., um trabalhador o seu arado e seus bois..."
Esses bois, portanto, não são animais propriamente ditos, mas criações fluídicas, formas-pensamento,
Em outras situações, em que são vistos animais, ou sentida a sua presença, existe também ainda a possibilidade de que sejam, mesmo, perispíritos de animais ou, se quisermos assim dizer, animais desencarnados, Digo animais desencarnados, mas haveria ainda a hipótese de serem também animais encarnados, em "desdobramento", estando então seu espírito e perispírito desprendidos do corpo físico, por exemplo, durante o sono. Mas, o Espírito Alvaro" esclareceu-nos, dentre muitas outras questões, que "os animais quando encarnados possuem raros desprendimentos espirituais, isso acontecendo apenas em casos de doenças, fase terminal da existência ou em casos excepcionais com a atuação dos Espíritos, pois geralmente permanecem fortemente ligados à matéria".
Essa a razão porque estou considerando, nesta possibilidade de explicação da presença de animais no plano espiritual, de modo particular os animais desencarnados, uma vez que a colocação de Álvaro me parece lógica e portanto aceitável.
O prezado confrade Divaldo Pereira Franco contou-me, certa feita, a ocorrência de interessante episódio, que tentarei reproduzir o mais fielmente possível. Autorizando-me, por carta, a citação de seu relato neste livro, acrescentou detalhes que passaram a contar da segunda edição em diante.
Há alguns anos, Divaldo foi convidado a proferir palestra em Campo Grande (MS), sendo recebido na residência da Sra. Maria Edwiges Borges, então presidente do Centro Espírita Discípulo de Jesus e mais tarde também presidente da Federação Espírita do Mato Grosso do Sul, quando de sua fundação. Ao chegar pela primeira vez à casa de d. Edwiges - que passou a hospedá-lo desde então, e estando no momento acompanhado por ela e alguns amigos, foi surpreendido por um enorme cão que saltou sobre ele, pondo-lhe as patas quase nos ombros. Acometido pelo susto, emitiu um grito, chamando a atenção das outras pessoas, que prontamente o argüíram sobre o acontecido. Ao elucidar, desconcertado, o que ocorrera, notou a emoção de d. Edwiges. Comovida, ela identificou, pela descrição feita por Divaldo, que se tratava de seu cão de estimação, que havia morrido há meses e ali estava dando o testemunho da sua imortalidade através da presença.
Segundo Divaldo, as pessoas que presenciaram o ocorrido certamente poderão testemunhá-lo.
Tudo leva a crer que o cão de d. Maria Edwiges, mesmo desencarnado, permanecia ali, no ambiente doméstico que o acolheu carinhosamente por muitos anos, enquanto encarnado, tendo sido, sua presença espiritual, detectada pela mediunidade de Divaldo.
Lindo, este caso!
Mas, esperem, tenho outro relato, também muito bonito, soobre a existência de animais no plano espiritual.
Em abril/99, após concluir palestra sobre a questão espiritual dos animais, na IAM - Instituição Assistencial Meimei, em São Bernardo do Campo - Sp, fui abordada pela Sra. Miltes Aparecida Soares de Carvalho Bonna, presidente da entidade. De passagem, disse-me sorrindo: - Devem ser os atavismos!, em resposta à alusão que, brincando, fiz a respeito do ar de nobreza e imponência de seu nome. D. Miltes tem a faculdade de desdobramento, condição em que participa do atendimento de entidades necessitadas. Assim, durante meses, contou-me ela, quando da realização desses trabalhos específicos, lá na Meimei, desdobrava-se e ia em socorro de Petra, uma jovem desencarnada em condições lamentáveis, que se encontrava em atendimento hospitalar, no plano espiritual. Mas, passava o tempo e a paciente não saia do seu estado de aparente "coma". Não dava o menor sinal de que estivesse respondendo ao tratamento, até que um dia, D. Miltes percebeu a figura espiritual de um lindo cãozinho branco e peludo que, como ela, também se aproximava do leito de Petra. A médium se surpreendeu, primeiro pelo inusitado da presença do animalzinho no plano espiritual e, segundo, pelo fato de presenciar, em seguida, a tão esperada manifestação da paciente que, despertada e exibindo evidente felicidade, exclamava: - Xuxu, ao mesmo tempo em que acariciava o seu alegre amiguinho.
Mais tarde, a própria Petra contou a d. Miltes que Xuxu havia sido sua única companhia, amiga e fiel, nos difíceis tempos que antecederam seu desencarne, e que seu maior sofrimento, ao ser levada para um hospital, ainda quando encarnada, consistia em não ter mais a presença do cãozinho a seu lado.
Nas seqüentes oportunidades em que se desdobrava e ia ao encontro de Petra, concluiu d. Miltes, percebia imediatamente a presença de Xuxu que corria à sua frente, acompanhando-a em direção ao leito de Petra.
Que maravilha a dedicação dos animais!
E eu fico me perguntando como é que este cãozinho foi parar lá, ao lado de Petra! É provável que os bons espíritos tenham facilitado o encontro, sabendo que a amizade de Xuxu seria um fator importante na recuperação da paciente.
Por outro lado, que pena a nossa insensibilidade em perceber melhor o íntimo dessas criaturas, pobres animais de que simplesmente dispomos para nos servir!
Talvez por isso, os Espíritos tenham dito (LE 607a) : ... É nessses seres (inferiores da Criação), que estais longe de conhecer inteiramente ... (destaque meu).
Aos poucos, vamos aprendendo ...
Não posso deixar de referir, novamente, a obra magnífica de Ernesto Bozzano Os Animais têm Alma?, que recomendo para leitura e aprendizado sobre o assunto, porque dos 130 casos descritos, de manifestações metapsíquicas envolvendo animais, muitos estão inseridos nessa categoria de fenômenos, ou seja, em que animais, pela atuação de seu perispírito são vistos e ouvidos ou sentida a sua presença.
Também Herculano Pires comenta a respeito de "casos impressionantes de materialização de animais, em sessões experimentais", em seu livro Mediunidade, Vida e Comunicação, cap. Xl, do que se presume que esses animais se encontravam previamente na dimensão espiritual.
Uma terceira possibilidade que vejo, em relação à presença de figuras animais no plano espiritual é a de perispíritos humanos se encontrarem metamorfoseados em formas animais sem, contudo, perderem a sua condição de Espíritos humanos, é claro!
É o fenômeno que se conhece com o nome de zoantropia (zoo = animal e antropos, do grego = homem), do qual uma variedade é a licantropia (lycos, do grego = lobo),
Temos o relato de um caso de licantropia no livro Libertação, de André Luiz. O obsessor, desencarnado, encontra a sua "vítima", uma mulher e conhecendo-lhe a fragilidade sustentada por um complexo de culpa, passa a acusá-la cruelmente, e conclui: "A sentença está lavrada por si mesma! Não passa de uma loba, de uma loba, de uma loba ... "
E assim, induzida hipnoticamente, a própria mente da mulher vai comandando a metamorfose de seu perispírito que, aos poucos e gradativamente, se modifica, assumindo por fim a figura de uma loba.
Diga-se de passagem, não foi o obsessor que diretamente transformou a sua figura humana, em loba. Foi ela mesma, ao aceitar a sugestão mental que partiu dele.
Afinidade e sintonia são os elementos básicos para o estabelecimento do "pensamento de aceitação ou adesão", conforme explica André Luiz em Mecanismos da Mediunidade, Caps. V e VI.
E por falar em perispírito de animais, em A Evolução Anímica, Gabriel Delanne comenta (resumidamente), que na formação da criatura vivente, a vida não fornece como contingente senão a matéria irritável do protoplasma e nada se lhe encontra que indique o nascimento de um ser ou outro, de vez que a sua composição é sempre uma e única para todos. É o perispírito, que contém o desenho prévio e que conduzirá o novo organismo ao lugar na escala morfológica, segundo o grau de sua evolução.
Animais e Erraticidade
No LP 224 encontramos a seguinte questão que Kardec coloca aos espíritos: O que é a alma (entenda-se humana) nos intervalos das encarnações?
R: "Espírito errante, que aspira a um novo destino e o espera. Nas questões que se seguem, lemos também a expressão "estado errante".
Um dos significados da palavra errante, no dicionário de Caldas Aulete é "nômade, sem domicílio fixo", e de errar, é "vaguear" (Errando ao acaso ... ). Por sua vez, erraticidade, o mesmo que erratibilidade, quer dizer: "caráter do que é errático. (Espir): Estado dos espíritos durante os intervalos de suas encarnações".
Bem, chegando aos animais, surge a natural curiosidade de se saber como o seu espírito se comporta na erraticidade, se é que para eles existe erraticidade.
No LE 600, lemos: "A alma do animal, sobrevivendo ao corpo, fica num estado errante, como a do homem após a morte?
R: "Fica numa espécie de erraticidade, pois não está unida a um corpo. Mas não é um Espírito errante. O Espírito errante é um ser que pensa e age por sua livre vontade; o dos animais não tem a mesma faculdade. É a consciência de si mesmo que constitui o atributo principal do Espírito. O Espírito do animal é classificado após a morte, pelos Espíritos incumbidos disso, e utilizado quase imediatamente: não dispõe de tempo para se por em relação com outras criaturas".
Bem, vamos por partes!
Algumas pessoas entendem, a partir deste texto, que os animais, assim que desencarnam, são prontamente reconduzidos à reencarnação.
A expressão "utilizado quase imediatamente" não necessariamente deve ter esse significado. O espírito do animal pode ser prontamente "utilizado" para uma infinidade de situações, dentre elas inclusive o reencarne e, então, em todas elas, "não dispõe de tempo para se por em relação com outras criaturas".
Entendo que os animais, sendo conduzidos por espíritos humanos, não dispõem de tempo livre, para atuarem à sua maneira mas, sim, conforme o estabelecido por seus orientadores. Alias, é o que sugere o texto em foco (LE 600): "o espírito errante é um ser que pensa e age por sua livre vontade; o dos animais não tem a mesma faculdade",
No LM 2ª, XXV 283, Kardec trata da possibilidade da "Evocação de Animais" e pergunta aos espíritos: "Pode-se evocar o espírito de um animal?" R: "O princípio inteligente, que animava um animal, fica em estado latente após a sua morte. Os espíritos encarregados deste trabalho, imediatamente o utilizam para animar outros seres, através dos quais continuará o processo de sua elaboração. Assim, no mundo dos espíritos, não há espíritos errantes de animais, mas somente espíritos humanos ... " Herculano Pires, tradutor da obra, faz a seguinte chamada em rodapé:
"Espíritos errantes são os que aguardavam nova encarnação terrena (humana) mesmo que já estejam bastante elevados. São errantes porque estão na erraticidade, não se tendo fixado ainda em plano superior. Os espíritos de animais, mesmo dos animais superiores, não tem essa condição. Ler na Revista Espírita nº 7 de julho de 1860, as comunicações do espírito Charlet e a crítica de Kardec a respeito.
Apesar da colocação dos espíritos ter sido taxativa, de que não há espíritos errantes de animais, os fatos falam o contrário. Se assim fosse, isto é, se não existissem animais (desencarnados) no plano espiritual, como explicaríamos tantos relatos?
Como explicaríamos a existência dos chamados "Espíritos da Natureza"? Trataremos deles no próximo capítulo e já posso adiantar que vivem na erraticidade!
Ernesto Bozzano, em Os Animais Têm Alma refere, dentre os 130 casos de fenômenos supranormais com animais, dezenas de episódios com aparição de bichos em lugares assombrados, com materializações e visão com identificação de fantasmas de animais mortos.
Quanto às referências de Charlet e a correspondente crítica de Kardec, voltarei em seguida.
"Nos mundos superiores, a reencarnação é quase imediata", lemos no LE 223. Se é assim a reencarnação dos espíritos humanos mais evoluídos, seria até de se esperar que os espíritos de animais, sendo mais primitivos, demorassem mais tempo para voltar à matéria sobre o que, entretanto, nada conheço de conclusivo.
Muito mais do que supomos, os animais são assistidos em seu desencarne, por espíritos humanos zoófilos, que os recebem no plano espiritual e cuidam deles.
Notícias pela Folha Espírita (dez.1992) nos dão conta de que Konrad Lorenz (zoólogo e sociólogo austríaco, nascido em 1903), o pai da Etologia continua trabalhando, no plano espiritual, recebendo com carinho e atenção animais desencarnados.
Também temos informações que nos foram transmitidas pelo espírito Álvaro, de que há vários tipos de atendimento para os animais desencarnados, dependendo da situação, especialmennte para os casos de morte brusca ou violenta, possibilitando melhor recuperação de seu perispírito. Existem ainda instalações e construções adequadas para o atendimento das diferentes necessidades, onde os animais são tratados.
Tendo sido perguntado se os animais tem "anjo da guarda", Álvaro respondeu que sim; alguns espíritos cuidam de grupos de animais e, à medida que eles vão evoluindo, o atendimento vai tendendo à individualização.
Concluindo, podemos dizer que para os animais é discutível se existe o estado errante ou de erraticidade. Eu particularmente estou propensa a aceitar que esse estado existe, sim, para os animais, se o entendermos como "o estado dos espíritos durante os intervalos das encarnações".
Se esses intervalos são curtos ou longos, não se sabe exatamente.
Tenho para comigo que existem situações as mais variadas possíveis, em face da grandeza da biodiversidade animal, devendo portanto acontecer tanto reencarnes imediatos, quanto mais ou menos tardios.
Por outro lado, existe ainda a consideração feita pelos espíritos (LE 600) de que o espírito errante pensa e age por sua livre vontade, além de ter consciência de si mesmo, o que não aconteceria em relação aos animais.
Mas, isso não aconteceria mesmo em relação a espíritos humanos em determinadas e graves condições de alienação mental, como é o caso dos "ovóides", a exemplo do que refere André Luiz em, Libertação, Cap. VII.
A rigor, nesta abordagem, teríamos que condicionar o conceito de erraticidade, não apenas ao fato do espírito (humano ou animal) estar desencarnado (vivenciando, portanto, o intervalo entre duas encarnações) como também às suas condições mentais do momento.
Desencarne e Reencarnação
Quanto ao reencarne dos animais, perguntou-se ao espírito Álvaro se os animais estabelecem laços duradouros entre si. "Sim, disse ele, existe uma atração entre os animais, tanto naqueles que formam grupos como naqueles que reencarnam já domesticados. Procuramos colocar juntos espíritos que já conviveram, o que facilita o aparecimento e a elaboração de sentimentos".
Os animais criam lados afetivos não apenas entre si, como também com os seres humanos, e disso temos provas todos os dias.
Aqueles que amam os animais, de modo geral sofrem bastante com o seu desencarne, às vezes "como se fosse uma pessoa da família"! - Alguns chegam mesmo a se sentirem culpados por amarem mais seus cães e gatos que certos parentes ...
Paciência, se não podemos amar a todos indistintamente! Vamos aos poucos, "tentando o amor até que ele domine soberano em nosso coração", conforme ouvi de uma gravação do prezado conferencista espírita Divaldo Pereira Franco.
Para as pessoas que lamentam a separação de seus queridos bichos desencarnados, tenho um lindo caso que me foi narrado pelo próprio Divaldo, quando do lançamento da 1a. edição deste livro, no II Congresso Espírita Mundial, realizado em Lisboa, Portugal, em outubro/98.
Contou-me ele que Chico Xavier possuía um cão de nome Dom Pedrito, de que gostava muito. Dom Pedrito foi atropelado e assim morreu, para desconsolo do Chico, que muito lamentou o acontecido. Uns tempos depois. Chico andava pela rua quando percebeu que estava sendo seguido por um cachorrinho, filhote. Surge então Emmanuel, o mentor do médium, que lhe diz: - Chico, pare e preste atenção neste cãozinho. É o Dom Pedrito que está voltando para você! Chico recolheu afetuosamente o filhote e deu-lhe o nome de Brinquinho, que será novamente lembrado no último capítulo, e do qual também se encontram referências nos livros escritos sobre a vida do famoso e querido médium Francisco Cândido Xavier.
Sobre reencarnação de animais muito queridos pelos seus donos, tenho o depoimento do sr. Gregório Benevenuto da Silva, conhecido por "Tito", que me foi gentilmente enviado pelo Dr. Marcelo Nalesso Lombardi, médico residente em Sorocaba -Sp, bastante sensivel em relação ao sofrimento dos animais, os quais vive recolhendo das ruas, salvando e cuidando. Que bom, Marcelo!
O sr. Tito, espírita desde os 11 anos, conforme acentua (agora tem perto de 40), e que trabalha no Grupo Espírita da Prece, de Piedade - SP e na Casa do Caminho, em Ibiúna - Sp, possuía um cão pastor de nome Leão, de singular inteligência e também muito bravo, que aos 5 anos morreu envenenado. Tinham uma forte ligação, motivo pelo qual todos na família sofreram demais com a perda do Leão. Sr. Tito estava mesmo resolvido a não ter mais nenhum animal, e assim se passaram três anos. Certo dia, teve de ir a uma loja de produtos agropecuários, e lá deparou com alguns filhotes de cão da raça pastor alemão, colocados à venda, em uma gaiola. Um dos filhotes chamou a sua atenção, pois assim que o viu passou a latir desesperadamente. Ficou intrigado, conforme salientou, porque havia umas seis pessoas ao redor da gaiola, todas brincando com os cãezinhos, menos ele que não queria se deixar envolver. Assim, disfarçou o quanto pode mas, vencido pela insistência do filhote, acabou não resistindo e levou-o para casa. Era uma 4a. feira, por volta de 15:00 horas, e a chegada do cãozinho ao lar foi uma festa só. À noite do mesmo dia, sr. Tito foi à Casa do Caminho, dirigir o trabalho de desobsessão, como sempre fazia. Um dos médiuns, o sr. Manoel de Aquino Resende, que vem a ser sobrinho de Eurípedes Barsanulfo, recebeu o espírito que se identifica como Max. Sem que ninguém dali soubesse do fato, Max referiu-se ao animalzinho que o sr. Tito levara para casa naquele dia, revelando tratar-se do Leão, que havia voltado. Explicou ainda que o amor dedicado pela família a esse animal havia possibilitado o seu retorno. Ele agora se chama Gibran e tanto quanto eu saiba, ainda vive feliz e satisfeito ao lado do sr. Tito, igualmente feliz e satisfeito.
Mais um caso bastante sugestivo de reencarnação de animais, voltando ao ambiente de afetividade em que se achavam envolvidos.
"Renasceu por Amor"! Este é o título de um dos livros de nosso eminente pesquisador espírita Hernani Guimarães Andrade, e focaliza a história de pessoas que se amavam e que se reaproximaram através da reencarnação. Pelos relatos que acabei de apresentar, é bem provável que a reencarnação também possa favorecer o reencontro afetivo de homens e de animais para que continuem juntos o aprendizado do amor.
E por que não?
E qual é a finalidade da reencarnação para os animais?
A finalidade é sempre a da oportunidade de progresso, conforme pude depreender dos itens LE 592 a 609.
Na Revista Espírita de Kardec III, 1860, encontramos várias dissertações feitas pelo espírito Charlet, a respeito da existência de animais em mundos adiantados, como Júpiter. Esse espírito faz inúmeras considerações, algumas fortemente contestadas por Kardec, e nas quais prefiro não me deter, uma vez que são contraditórias e não convencem, a mim pelo menos. Quando Kardec pergunta a Charlet o que pensa das reflexões (contestações) que a ele apresentou, responde: "Apenas as posso aprovar. Eu era pintor e não um literato ou cientista. Por isso, de vez em quando me deixo arrastar pelo prazer, novo para mim, de escrever belas frases, mesmo com sacrifício da verdade". (destaque meu)
Sem comentários!
Fico com a advertência expressa no LM 2ª XXVII 299: "Como só aos espíritos perfeitos é dado tudo conhecer, para os demais como para nós, há mistérios que eles explicam à sua maneira, segundo as suas idéias ... "
Herculano Pires (tradutor), em rodapé complementa: "Como Kardec sempre acentuou, devemos considerar os Espíritos como criaturas humanas desencarnadas e não como entes divinos. Essa posição natural evitaria que aceitássemos grande parte das suas comunicações, evitando muitos enganos".
Irvênia Prada

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008


AMOR E RESPEITO AOS ANIMAIS


Qualquer pessoa pode ser protetora de animais. No dia-a-dia de todos nós, animais compõem a paisagem e, com pequeninos gestos de amor, poderemos agir em benefício deles. Não custa nada amar aos animais e necessariamente o retorno desse amor se fará presente em nossas vidas. Passamos a enumerar algumas situações nas quais nossa opção preferencial de amparo aos animais se constituirá numa atitude digna e principalmente cristã:1 - Educação infantilConta-se que Licurgo foi convidado a falar sobre a educação. O grande legislador de Esparta aceitou, mas pediu um ano para preparar o material que iria apresentar.- Por que um homem tão sábio ocuparia tanto tempo para compor simples exposição de idéias? Exigência aceita, prazo cumprido, ei-lo diante da multidão que compareceu para ouvir-lhe os conceitos. Trazia duas gaiolas. Numa estavam dois cães; duas lebres na outra.Sem nada dizer, tirou um animal de cada gaiola, soltando-os. Em instantes o cão estraçalhou a lebre. Libertou em seguida os restantes. O público estremeceu, antevendo nova cena de sangue. Surpresa: o cão aproximou-se da lebre e brincou com ela. Esta correspondeu, sem nenhum temor, às suas iniciativas.- Aí está, senhores - esclareceu Licurgo -, porque pedi prazo tão extenso, preparando esses animais. O melhor discurso é o exemplo. O que mostrei exemplifica o que pode a educação, que opera até mesmo o prodígio de promover a confraternização de dois seres visceral e instintivamente inimigos.Se é possível educar animais, mesmo antagônicos, levando-os à convivência pacífica, naturalmente será possível educar as crianças, incutindo-lhes desde cedo o respeito devido a Deus, aos semelhantes e à Natureza - fauna e flora. A criança, em particular, em casa, na escola e na sociedade, deve ser esclarecida quanto às normas cristãs de amor e respeito, aí incluindo-se os animais. Deve ser enfatizado que maus-tratos aos animais embrutecem o homem, pois isso é crueldade, que em nada dignifica a alma. As crianças são sensíveis ao aprendizado e, se lhes for demonstrado que os animais sentem dor como nós próprios, certamente serão protetoras de animais por toda a vida.O inevitável sacrifício de animais para servir de alimento, em hipótese alguma pode se revestir de pavor, crueldade e dor para com eles: a maneira deve ser a mais rápida e mais indolor possível. Quanto a insetos daninhos (moscas, mosquitos, baratas, escorpiões etc.) devem ser eliminados mas sem características de crueldade, isto é, de um golpe só.A criança deve ser informada que tais insetos não são "inimigos", mas, sim, seres criados também por Deus: vivendo em rudimentar estágio, estão na Terra em razão de este planeta também abrigar outros seres - nós, inclusive - todos em processo de evolução. Em mundos felizes, certamente, inexistem tais nocivas criaturas, aqui, meros instrumentos consentâneos com a evolução terrena.A exemplo do que já acontece em outros países, de todo recomendável seria a criação, nas escolas, dos chamados "Grupos de Proteção aos Animais" ou "Grupo de Assistência aos Animais"; pertencer como sócio a um desses grupos é dignificante para a criança, para a família e para a Pátria; com seriedade e ardor, semelhantes aos dos escoteiros que protegem os seres indefesos, os sócios desses grupos muito poderão fazer pelos animais, usando sua natural energia e criatividade. Como sugestão, o coordenador pedagógico ou educador responsável pelo Grupo poderá designar, para cada espécie animal, uma equipe de "advogados de defesa". A(s) criança(s) proporia(m), na escola toda, algumas questões do tipo:• como devem ser tratados os cavalos? E os cães? E os gatos?• você sabia que os sapos são extremamente úteis aos jardineiros e na roça, pois comem pragas?• você já pensou no benefício que os urubus, gaviões e crocodilos fazem ao homem, comendo animais mortos? Pois, do contrário, esses restos mortais poderiam contaminar o meio ambiente?• quem gostaria de morar a vida toda numa gaiola ou numa jaula?...Conquanto a educação aqui preconizada refira-se à criança, esforços deverão também ser envidados - por todos os segmentos sociais, principalmente os escolares e religiosos para que os adultos dêem o exemplo.2 - PiedadeO sentimento de piedade demonstra elevação espiritual, principalmente quando seguido da respectiva ajuda para a cessação da causa do sofrimento. Só que se deve sentir piedade, não apenas por semelhantes, mas também pelos animais. A emoção piedosa será a mesma, em ambos os casos. A piedade antepõe-se vigorosamente à crueldade, obstando-a, quando não a eliminando. Tanto a piedade quanto a crueldade têm a proprie­dade de se multiplicar; por isso, melhor será sempre in­crementar aquela, com isso banindo esta.A piedade é a ante-sala do Amor, assim como a crueldade o é da violência.3 - Animais abandonadosCães e gatos, principalmente, "sem casa", perambulando perdidos pelas ruas, famintos, arredios, apavorados, nascem pelos mesmos mecanismos divinos da vida, dos demais seres vivos, estando em árduo processo evolutivo. Merecem nossa compaixão e mais que isso: merecem nosso apoio! Sendo possível, devemos alimentá-los, jamais escorraçá-los. Na hipótese de um animal estar acometido de hidrofobia (raiva), eleja não sabe o que faz. Está sofrendo. Normalmente, anda de cabeça baixa e em silêncio, triste. Espuma na boca pode significar duas anomalias distintas: ou "raiva" ou envenenamento cruel. Nesses casos, deve-se apelar para as autoridades municipais, que apreenderão o animal e, conforme o caso, por inevitável, o sacrificarão. Cabe aqui lembrar que o mundo é lugar destinado também para os animais e isso é decisão divina. Negar-lhes tal direito conflita com o respeito a Deus. O abandono de um animal é condenação certa. O autor desses dolorosos quadros que o cotidiano nos mostra, agindo irresponsavelmente, cedo ou tarde terá que prestar contas à sua consciência.4 - Eutanásia-animalA revista mexicana La Voz de los Animales considera que o abandono de animais (de estimação) é para eles o pior castigo; recomenda que é preferível proporcionar-lhes morte piedosa (se possível, sob cuidados de um veterinário). Conquanto a admiração que nutrimos por aquela revista - toda ela dedicada à proteção dos animais -, respeitosamente discordamos. Discordamos porque, como cristãos, jamais poderíamos aceitar um ou outro procedimento, à guisa de tal ser imperativo.
Se é ruim o abandono do animal que conviveu longos tempos sob a proteção do seu dono, pior será sua execução, quando tal proteção não mais seja possível. O fato é que não se deve descartar de um animal de longa convivência doméstica como se desfaz de um chinelo velho: qualquer argumento falecerá ante as regras da vida e da ética. Morte piedosa do animal, talvez, só quando o veterinário atestar que traumas ou doenças sejam irreversíveis, além de acompanhadas de dores insuportáveis.Obs.: Não podemos confundir fatos e nem devemos nos esquecer que no O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. V, n5 28, consta ser grave equívoco a eutanásia, sob o pretexto de carma sendo esgotado nos casos de doenças incuráveis, com desencarne previsto pela Medicina. O espírito humano tem aí (paciente terminal) preciosíssima oportunidade de reflexão e arrependimento, crescendo às vezes num minuto o quanto não o fez na vida toda.Quanto ao animal, possuindo também uma alma, embora diferente da humana, não lhe é acometido carma (nem bom, nem mau - por não possuir livre-arbítrio), nem lhe ocorrem reflexão ou arrependimento, em qualquer instante, de atos praticados durante sua vida (por não possuir consciência). Dever cristão é que impõe ao dono ampará-lo até o último sopro de vida, para morrer em paz e para com gratidão ao ser humano chegar às regiões espirituais que Deus lhe concede.5 - Cemitério para animaisAqui, muitas pessoas "gente boa" torcem o nariz quando ouvem falar nisso. "Se os cemitérios já andam lotados com gente, era só o que faltava pensar em cemitério para animais..." -argumentam. Não deveriam. Enterrar animais, quando não seja por afeto, por respeito, que seja por questões de higiene ambiental, pois é extremamente perigoso que carcaças de animais mortos destilem líquidos virulentos, que podem infiltrar-se nos mananciais de água ou mesmo contaminar crianças ou outros animais, pelo contato.Não podemos nos esquecer de que os animais estão na face da Terra há mais tempo que o homem; até o aparecimento deste, a própria Natureza se encarregava de dar fim adequado aos animais mortos: quando nas águas, serviam de alimento a outros animais (crocodilos e peixes em geral); quando em terra, os animais mortos serviam de pasto a predadores, a animais carnívoros, ou às aves "faxineiras" (urubus, gaviões etc.).
Em regiões silvestres, isso ainda ocorre e provavelmente sempre continuará a ocorrer. Posteriormente, com a presença do homem, algumas espécies animais vieram (ou foram trazidas...) para sua companhia, passando a viver e a procriar em cidades. E, nas cidades, inexistem aqueles meios naturais de dar fim às carcaças dos animais mortos (referimo-nos, aqui, particularmente aos animais domésticos). Por essa razão, passou a ser responsabilidade humana, única e exclusivamente, o conveniente destino dos cadáveres de animais das cidades: enterrá-los.Em Tóquio, num templo zen-budista, todos os dias são realizados enterros de bichinhos de estimação: os ritos para animais começam com toques de sinos, para buscar a presença de Buda, e com um sacerdote de cabeça rapada entoando os sutras; é assim que "outra alma inicia sua longa jornada para o nirvana". O sacerdote informou que no Budismo "todas as coisas vivas são capazes de alcançar a condição de Buda"; e concluiu: "nossos ritos a favor dos animais são idênticos aos feitos para os humanos". O Templo, em Jikkein, subúrbio de Tóquio, crema cerca de dez mil animais todo ano.Notas: Nos anos 50 foi inaugurado um cemitério para animais no Rio de Janeiro, então capital brasileira, fato que de pronto teve aceitação dos cariocas, bem como numerosos "inquilinos ". Um assessor especial da Prefeitura do Rio de Janeiro propôs (maio/93) a privatização de 63 bens, empresas, entidades e serviços cariocas, neles incluído o Cemitério de Animais Jorge Vaitsman, na Mangueira, Zona Norte do Rio. Desse fato podemos concluir que cemitérios para animais, inclusive, podem ser lucrativos, desde que administrados por empresas particulares.6 - Agressões e defesaSe uma pessoa estiver maltratando um animal deveremos intervir, jamais nos omitir - intervenção por altruísmo, educação e amor à Natureza. - Como? - Com brandura e educação, não piorando o ânimo do agressor, o qual, já exaltado, poderá se tornar mais rude ainda com o animal. Podemos tocar-lhe os sentimentos, lembrando que os animais:• não raciocinam nem sabem falar...;• sentem dor, sede e fome como nós;• não têm "salário" nem "sindicato" onde possam se queixar.Como argumento poderoso podemos citar que foi junto aos animais que Jesus se abrigou ao nascer, abrigo esse negado, ou pelo menos dificultado, pelos racionais, a Ele e a Seus pais.
Eurípedes Kuhl

terça-feira, 23 de dezembro de 2008




ESSES NOSSOS IRMÃOS, OS ANIMAIS

A medida que nós, seres racionais, evoluímos e conquistamos mais amplos conhecimentos de nossa própria origem, de nossa peregrinação pelos reinos mineral, vegetal e animal, até atingir o atual estágio hominal, o patamar da razão, mais cresce a nossa responsabilidade junto aos nossos irmãos que ainda estagiam na irracionalidade, os animais.
Como é de conhecimento público, para atender às necessidades da pesquisa científica, muitos desses animais são levados aos laboratórios experimentais na condição de cobaias. Ali são empregados nos testes de toda sorte de medicamentos, por vezes doloridos e venenosos. São inoculados com vírus, bacilos e vacinas que os levam à morte prematura. Tudo isso para que o homem, animal que pensa, tenha melhorados os seus dias durante a sua vida terrena. Essa prática certamente será substituída, pois os nossos homens de ciência haverão de encontrar opções outras para os seus experimentos e, assim, poupar os irracionais, que também possuem afetividade, sofrem, alegram-se e choram, pois essas manifestações de sentimentos não constituem privilégio dos chamados racionais. E não são poucas as manifestações em defesa dos animais visando acabar ou diminuir esses experimentos. Muitas associações, pensadores e humanistas, de todo o mundo, assim como gente simples do povo, dirigem os mesmos apelos em favor desses nossos irmãos, os animais. Recentemente, a revista “Universo Espírita” (edição 34) divulgou excelente matéria, na qual encontramos valiosas citações de grandes vultos do Espiritismo e da Humanidade em defesa dos animais. Dentre essas citações, vale destacar a que fala de uma comunicação espiritual obtida por Kardec, em Paris, divulgada na “Revista Espírita” de março de 1858. Nessa comunicação, aqueles Espíritos Superiores falam da vida dos animais nos mundos mais elevados.
Fica provado que, tanto o Codificador como a Doutrina Espírita, no seu todo, manifestam respeito para com os animais.
A propósito, é interessante mencionar dois excelentes artigos, relativos a esse tema, publicados na Itália pelo “Giornale dei Misteri” (Jornal dos Mistérios), editado na cidade de Siena, nos quais encontramos, num dos mais recentes números, dois esclarecedores textos assinados, respectivamente, por Stefania Genovese e Giulio La Greca.
O primeiro, intitulado “Os animais e o além” (Gli Animali e L’Aldilà), enfoca a vida dos irracionais nas colônias espirituais, surpreendendo pelas colocações da articulista que, não tendo intimidade com as obras esclarecedoras de André Luiz, faz apontamentos coerentes com aquilo que lemos do conhecido autor espiritual através da psicografia de Chico Xavier. Cita, ainda, declarações do teólogo católico padre Luigi Lorenzetti, que afirma a sobrevivência animal, pois também os mesmos são dotados do princípio de eternidade. E, logo adiante, lembra o Papa Paulo VI, que disse:
“Um dia voltaremos a ver nossos queridos animais na eternidade”. E completa as palavras do pontífice, no seu pronunciamento sobre os animais: “Vos exprimimos nossos agradecimentos pelos cuidados que prestastes aos animais, também estes criaturas de Deus”.
No segundo artigo, Giulio La Greca aborda os “Sentimentos animais” (Sentimenti Animali) e faz uma meticulosa análise a fisiologia dos sentimentos animais e e como estes vivenciam suas emoções, alegrias, temores, sofrimentos, amor materno a grande capacidade de aprender e memorizar aquilo que os humanos lhes ensinam.
E ambos os articulistas renovam pelos a favor dos animais e se colocam em defesa dos mesmos.
E vem, a propósito, esta definição de Léon Denis, quando enfoca o roteiro evolutivo do homem desde os primórdios da Criação: “A alma dorme no mineral, vibra no vegetal, agita-se no animal e desperta no homem”. E também o Espírito Emmanuel, no livro “O Consolador”, ditado a Chico Xavier, que colabora com essa síntese sobre o roteiro evolutivo do binômio alma-homem: “O mineral é atração, o vegetal é sensação, o animal é instinto, o homem é razão, o anjo é divindade”.
Na literatura espírita brasileira contamos com excelentes obras retratando os nossos irmãos que ainda se encontram nos primeiros degraus da evolução. Entre essas, citamos:
“Animais, nossos irmãos” e “Animais, amor e respeito”, de Eurípedes Kuhl; e “Os animais têm alma?”, de autoria do cientista italiano Ernesto Bozzano.
Que possamos ver os animais como sendo nossos amigos e auxiliares, como fez o Cristo ao utilizar um burrinho para a Sua triunfal entrada na capital do judaísmo. E recordemos também que foi junto dos animais “que o Senhor encontrou o seu primeiro lar, na insegurança da estrebaria”, conforme lembra Emmanuel no capítulo 28 do livro “Antologia mediúnica do Natal”.
Artigo retirado do semanário do SEI

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008


CUIDADOS PARA A NOITE DE VIRADA DE ANO E NATAL(Fogos de Artifício)

Vêm chegando o Natal e o Ano Novo, com todas suas típicas comemorações. Os fogos de artifício, no entanto, trazem muito sofrimento aos animais, porque eles têm a audição muito mais apurada que a dos humanos. Depois das festas, todos os anos, os primeiros dias de Janeiro são marcados por animais desorientados e perdidos pelas ruas, muitos deles condenados a nunca mais voltarem aos seus lares. O pânico desorienta o animal e o deixa em desarmonia com o ambiente. Isso não é bom para ele e, em se tratando de cães de grande porte, passa a ser também muito perigoso para as pessoas.
Além da fuga de casa, em desespero pelo medo que o estouro dos rojões ocasiona, os fogos de artifício são responsáveis por acidentes dos mais variados tipos, principalmente com cães: atropelamentos, ataques (investidas contra os próprios donos e outras pessoas), brigas (inclusive com outros animais com os quais convivem), mutilações em grades e portões, enforcamento com a própria coleira, afogamento em piscinas, quedas de andares e alturas superiores, aprisionamentos indesejados em porões e em lugares de difícil acesso, paradas cardiorespiratórias, dentre outros. Reações de medo, susto e espanto demonstradas pelo(s) dono(s) e/ou outras pessoas, deixarão o animal ainda mais inseguro e o medo deles pode tranformar-se em agressividade e/ou fuga. Mas tudo isto pode ser evitado com prudência, atenção e um pouco de boa vontade. Garanta condições mínimas de segurança ao seu animal e às pessoas, evitando colocar seus animais em ambientes conturbados e barulhentos (desde antes do espocar dos fogos) e, durante todo o tempo, passe ao seu animal paz, tranqüilidade e a sensação e que tudo está bem e sob controle.
Algumas dicas:
Alguns veterinários aconselham o uso de tampões de algodão nos ouvidos, que podem ser colocados minutos antes e tirados logo após fogos. Experimente antes, para ver se o seu animal adapta-se a este procedimento.
Calmantes naturais também são indicados, por trazerem resultado bastante eficiente para os animais que historicamente apresentam o estresse. Para isto, consulte o Veterinário.
Cobertores pesados estendidos nas janela abafam o som, assim como cobertores no chão ou um edredon sobre o animal.
Também ajuda deixar uma porta do guarda-roupas aberta para\n que ele se abrigue, mas seu bichinho poderá fazer xixi lá dentro, por medo. Se tiver mais de um cão, deixe-os em quartos separados pois, na hora dos fogos, eles poderão morder-se uns aos outros, no desespero. Se tiver como, coloque rádio em cada quarto em que eles estiverem, com música alta para abafar o som das bombas.Se sua casa for térrea, o espaço pequeno demais e tiver de deixá-los no quintal, prenda-os na corrente (mas fique por perto, para socorrê-los caso corram o risco de enforcamento), pois na primeira explosão eles correrão feito loucos para a rua, sem noção do que estão fazendo, podendo ser atropelados, ou até perderem-se para sempre no tumulto de fim de ano: são muitos cheiros, muitas pessoas diferentes o que tornarão impossível o caminho de volta.
Florais de Bach:
As essências abaixo, combinadas, funcionam bem tanto para cães quanto para gatos:rescue+ mimulus+aspen+ rock rose + cherry plum Mande fazer em qualquer farmácia de\n manipulação ou homeopática SEM ÁLCOOLNEM GLICERINA, e guarde na geladeira (dura todo o vidrinho, apesar de dizerem na farmácia que dura só 2 dias).Dê 4 gotas, 4 vezes ao dia.Comece a ministrar o Floral uns 2 dias antes das comemorações.
PRATIQUE A POSSE RESPONSÁVEL DE ANIMAIS. VAMOS PREVENIR? ".

domingo, 21 de dezembro de 2008

EXISTE AMOR NOS ANIMAIS?

O mundo parece voltar sua atenção para os animais dando-lhes a devida importância que merecem. Cientistas das várias regiões do planeta se empenham em desvendar os segredos que envolvem os seres ditos inferiores da natureza. Fatos e acontecimentos registrados ao longo de inúmeras pesquisas revelam atitudes e comportamentos surpreendentes no reino animal.Como avaliar os sentimentos desses maravilhosos seres? Serão sentimentos semelhantes aos dos humanos? Como explicar o ciúmes, a depressão e outros distúrbios de comportamento presente em algumas espécies de animais?
Assistindo ao canal Discovery, acompanhei uma pesquisa realizada por uma cientista americana, cujo nome não lembro, a qual acompanhou um grupo de chimpanzés durante alguns anos, registrando o comportamento coletivo e individual dos seus componentes. O que mais me impressionou foi o caso de uma mãe chimpanzé e do seu filhote que revelou desde tenra idade um “amor” obsessivo por ela. Esse sentimento o dominou a tal ponto que, no momento em que sua mãe ficou novamente prenha e, obedecendo ao instinto, iniciou o processo natural do distanciamento enxotando-o do seu convívio e da sua dependência, demonstrou uma reação diferente dos outros chimpanzés da sua idade: recusou distanciar-se de sua mãe.
Para a chimpanzé mãe, esse comportamento tomou-se um grande problema, pois assediada diuturnamente pelo filhote, acabou tendo dificuldades no desenvolvimento da gravidez deixando de alimentar-se com o necessário para suprir suas necessidades que agora eram maiores em função o seu estado. Consequentemente, isso acabou comprometendo a sua saúde. Mas, mesmo assim conseguiu parir o novo filhote.
O assédio do filhote obcecado por ela demonstrava a manifestação de ciúmes, dificultando o trato do recém-nascido, acabando por provocar-lhe a morte prematura. A chimpanzé abalada na sua saúde não resistiu e morreu às margens de um riacho. Seu filhote apaixonado deitou-se ao seu lado e, com a cabeça apoiada em sua barriga, passou a acariciá-la, entrando em profunda depressão e ali mesmo morreu, demonstrando que não conseguiria viver sem ela.
Neste caso, podemos considerar que o jovem chimpanzé viveu um intenso amor pela sua mãe?Não seria uma excessiva dependência?
Talvez um descontrole do instinto? Mas o instinto não erra, então como julgar ou analisar tal comportamento?
Dispondo apenas das leis naturais muito bem delineadas cientificamente quando trata da evolução biológica, fica difícil aquilatarmos o psiquismo das espécies animais, porém, quando estamos informados sobre as leis da evolução espiritual do princípio inteligente, delineadas na Codificação Espírita, isso nos permite uma avaliação um tanto mais judiciosa sobre o assunto.
Graças a esse conhecimento passamos a compreender que todos os seres tiveram a mesma origem espiritual, ou seja, foram emanados do Criador na condição de Princípios Inteligentes imateriais e que, imantados ao processo irreversível da evolução, se ligam às espécies condizentes com suas condições evolutivas, estagiando em todos os reinos da natureza até culminar no ser humano.
Isso posto, é evidente que mesmo nos reinos inferiores, observamos que existe uma hierarquia entre as espécies onde reconhecemos facilmente os primatas como superiores às outras espécies. Porém, determinar uma escala ou reconhecer o encadeamento entre elas seria muito difícil, pois vemos em algumas aves, certos laivos de inteligência registrados hoje pela ciência, como é o caso das araras e dos papagaios, mas, mesmo assim, termos que considerar que os primatas estão mais próximos de se tornarem seres humanos do que qualquer outra espécie, inclusive pela sua constituição genética.
Sendo a espécie superior entre os seres inferiores, é evidente que o psiquismo demonstrado nas pesquisas científicas, revelam um ensaio das emoções humanas que no futuro irão desenvolver ao migrar para a espécie humana primitiva de algum planeta.
Afirmar que o filhote de chimpanzé extremamente apaixonado pela mãe, viveu o amor, da forma como nós humanos entendemos esse sentimento, seria uma afirmação sem respaldo científico, mas, analisando o fato com vistas aos conceitos espíritas, podemos ter uma compreensão maior dos sentimentos que envolveram nosso chimpanzé “amoroso”.
Vejamos o que dizem os espíritos que orientaram Kardec na questão 890 em O Livro dos Espíritos, no capítulo Amor materno e filial:
Será uma virtude o amor materno, ou um sentimento instintivo, comum aos homens e aos animais?
“Uma e outra coisa. A Natureza deu à mãe o amor a seus filhos no interesse da conservação deles. No animal, porém, esse amor se limita às necessidades materiais; cessa quando desnecessário se tornam os cuidados. No homem, persiste pela vida inteira e comporta um devotamento e uma abnegação que são virtudes. Sobrevive mesmo à morte e acompanha o filho até no além-túmulo. Bem vedes que há nele coisa diversa do que há no amor do animal.”
Segundo esta orientação, existe um amor instintivo nos animais, limitado às necessidades materiais, mas o amor que observamos no filhote de chimpanzé ultrapassou esses limites. Ele não cobrava da mãe o trato, mas sim o afeto, pois não mais dependia dela para se alimentar, alimentava-se sozinho como qualquer outro chimpanzé da sua idade.
Neste caso, teria ocorrido um aprimoramento do amor instintivo?
Uma coisa é certa, ainda temos muito o que aprender sobre nós mesmos e sobre os animais.A inteligência e o amor nos animais domésticos.
No livro A Gênese, no capítulo O Instinto e a Inteligência, diz o seguinte:
“O animal carnívoro é impelido pelo instinto a se alimentar de carne, mas as precauções que toma e que variam conforme as circunstâncias, para segurar a presa e a sua previdência das eventualidades são atas da inteligência.”
Hoje a visão da ciência está plena-mente de acordo com essa colocação dos espíritos; realmente existe em muitas espécies uma acentuada presença da inteligência manifesta nas atitudes de certos animais. Essa realidade é comprovada quando um animal assume uma atitude inteligente que não lhe foi ensinada.
Essa inteligência rudimentar e esse amor instintivo dilatados têm sido registrados com freqüência, principalmente na convivência do homem com o animal doméstico; são relatos interessantes de pessoas que viveram experiências inusitadas com os seus bichinhos de estimação.
O que observamos nessa relação homem animal, é que o animal acaba absorvendo o psiquismo do dono.Principalmente o cão tende a assumir um comportamento semelhante ao da criança quando tenta imitar o pai ou a mãe.Dono nervoso, cão nervoso; dono amoroso, cão amoroso; o poder de assimilação por parte do animal é muito grande. Quando o dono está triste o cão também demonstra tristeza; esse fenômeno é natural, o instinto cobra-lhe uma adaptação ao ambiente e às pessoas em face às suas necessidades materiais que são supridas pelo dono.Observa-se então que os espíritos estão certos ao afirmarem que o amor nos animais, em geral, é instintivo e existe em função das necessidades materiais para a sobrevivência.
Mas, como explicar alguns casos onde esse amor extrapolou, demonstrando um afeto perene que os anos não conseguiram destruir?
Quando eu contava meus quinze anos de vida, um dia, eu e minha mãe, retornando do Centro Espírita que freqüentávamos, fomos seguidos por um cão magro e com sarna; tentamos enxotá-la, mas ele continuou nos seguindo e vez ou outra olhava para mim com um semblante que revelava a dor e o desespero; convenci minha mãe e nós o recolhemos em nossa casa.
Tratamos suas feridas e o alimentamos até se recuperar. Após o tratamento revelou-se um belo cão mestiço da raça collie; o batizamos de Rex; ficou em nossa casa durante um ano e tivemos que dá-lo a um amigo.
Passados cinco anos, estava eu e minha mãe fazendo compras na feira; ao longe ouvimos latidos que nos pareciam familiar. Para nossa surpresa avistamos Rex preso à corrente do dono, esforçando-se para vir em nossa direção. Será que ainda se lembrava de nós?
Grande foi a nossa surpresa e alegria quando chegou até nós choramingando; eu me abaixei e o abracei e ele começou a lamber meu rosto e depois lambeu os pés de minha mãe e, após esta manifestação de carinho e afeto, o dono mal conseguiu se afastar, pois Rex lutava para permanecer conosco, mais acabou partindo arrastado pelo dono choramingando o tempo todo.
Então eu pergunto:
Esse amor ainda existirá?
Eu me lembro emocionado e com um certo amor pelo Rex e por outros cães que eu tive. Mas e ele o Rex? Onde estará? Terá ainda o seu amor por mim e por minha mãe? É lógico que não; provavelmente deve estar reencarnado como chipanzé, um golfinho, ou quem sabe em um outro cão que agora desfruta do amor de outras pessoas. O importante é saber que foi o princípio inteligente que o animou, enquanto Rex continua sua marcha evolutiva em direção a Deus.
O amor que nutrimos pelos seres humanos e pelos animais não pode jamais ultrapassar a raia do bom senso e do equilíbrio, levando-nos aos exageros que transformam esse amor em um amor possessivo e deprimente, causando mais mal do que bem ao objeto do nosso afeto.
Repito: ainda temos muito o que aprender sobre nós mesmos e sobre os animais.
Publicado na Revista Internacional de Espiritismo. Março de 2005.

sábado, 20 de dezembro de 2008

CÃES E COISAS SANTAS


"Não deis aos cães as coisas santas." - Jesus. (MATEUS, 7:6.)

Certo, o cristão sincero nunca se lembrará de transformar um cão em participe do serviço evangélico, mas, de nenhum modo, se reportava Jesus à feição literal da sentença.
O Mestre, em lançando o apelo, buscava preservar amigos e companheiros do futuro contra os perigos da imprevidência.
O Evangelho não é somente um escrínio celestial de sublimes palavras. É também o tesouro de dádivas da Vida Eterna.
Se é reprovável o desperdício de recursos materiais, que não dizer da irresponsabilidade na aplicação das riquezas sagradas?
O aprendiz inquieto na comunicação de dons da fé às criaturas de projeção social, pode ser generoso, mas não deixa de ser imprudente. Porque um homem esteja bem trajado ou possua larga expressão de dinheiro, porque se mostre revestido de autoridade temporária ou se destaque nas posições representativas da luta terrestre, isto não demonstra a habilitação dele para o banquete do Cristo.
Recomendou o Senhor seja o Evangelho pregado a todas as criaturas; entretanto, com semelhante advertência não espera que os seguidores se convertam em demagogos contumazes, e, sim, em mananciais ativos do bem a todos os seres, através de ações e ensinamentos, cada qual na posição que lhe é devida
Ninguém se confie à aflição para impor os princípios evangélicos, nesse ou naquele setor da experiência que lhe diga respeito. Muitas vezes, o que parece amor não passa de simples capricho, e, em conseqüência dessa leviandade, é que encontramos verdadeiras maltas de cães avançando em coisas santas.

Livro: Vinhas de Luz - Emmanuel - Psicografia de Chico Xavier

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

CHICO XAVIER E BONECA


Chico Xavier tinha uma cachorra de nome Boneca, que sempre esperava porele, fazendo grande festa ao avistá-lo.Pulava em seu colo, lambia-lhe o rosto como se o beijasse.
O Chico então dizia:- Ah Boneca , estou com muitas pulgas!!!
Imediatamente ela começava a coçar o peito dele com o focinho.
Boneca morreu velha e doente.
Chico sentiu muito a sua partida.
Envolveu-a no mais belo xale que ganhara e enterrou-a no fundo do quintal, não sem antes derramar muitas lágrimas.
Um casal de amigos, que a tudo assistiu, na primeira visita de Chico a São Paulo, ofertou-lhe uma cachorrinha idêntica à sua saudosa Boneca.
A filhotinha, muito nova ainda, estava envolta num cobertor, e os presentes a pegavam no colo, sem contudo desalinhá-la de sua manta.
A cachorrinha recebia afagos de cada um.
A conversa corria quando Chico entrou na sala e alguém colocou em seus braços a pequena cachorra.
Ela, sentindo-se no colo de Chico, começou a se agitar e a lambê-lo.
- Ah Boneca, estou cheio de pulgas!!! disse Chico.
A filhotinha começou, então, a caçar-lhe as pulgas, e parte dos presentes, que conheceram Boneca, exclamaram:
"Chico, a Boneca está aqui, é a Boneca, Chico!!!
"Emocionados perguntamos como isso poderia acontecer.
O Chico respondeu:
- Quando nós amamos o nosso animal e dedicamos a ele sentimentos sinceros, ao partir, os espíritos amigos o trazem de volta para que não sintamos sua falta. É, Boneca está aqui, sim, e ela está ensinando a esta filhota os hábitos que me eram agradáveis.

Nós seres humanos, estamos na natureza para auxiliar o progresso dos animais, na mesma proporção que os anjos estão para nos auxiliar.

"Por isso, quem maltrata um animal ainda não aprendeu a amar".

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

ESPIRITISMO E FRANGO ABATIDO

Madrugada. No terreiro do quintal banhado em luz amarela, uma mulher atarracada vai, um a um, abatendo os frangos reunidos num cercado feito de arame trançado. Morte seriada, indolor. Dispersos, os animais aguardam a sua vez: a lâmina desliza pelo pescoço fino, e eis o sangue a correr viscoso e quente através das penas. Há outras alternativas, dentre as quais uma é, de longe, a mais espalhafatosa: torcer-lhe o pescoço com as mãos e, em seguida, assistir impassível às piruetas e volteios do animal. Dona Socorro dispensa o espetáculo, preterindo-o em favor de uma morte sorrateira, evanescente: morrer por falta de sangue. Daí, seguir, faca em punho, em direção ao cercado. Depois de mortos, o destino é o panelão de água fervente. O passo seguinte é os despir de suas penas. As vísceras são retiradas através de um corte profundo na base do frango. À espera, gatos multicores. Roçando-se em suas pernas ou empoleirados nos muros, acompanham, ao longo da noite, o desenrolar do abate.
Em algum momento da conversa, dona Socorro confessa: era uma amadora quando começou. “Nunca tinha matado um frango na minha vida”, uma ponta de culpa nas palavras. Depois, não que fosse tomando gosto, mas, rosto carregado enquanto relata, não demorou a aprender o ofício. E foram, mais ou menos, dez anos abatendo animais e distribuindo-os, tão logo o dia raiasse, entre sua clientela, que incluía hospitais e escolas próximas. O nome completo é Maria do Socorro Carneiro de Moraes. Tem 63 anos e há 43 mora na Parquelândia, bairro de Fortaleza cuja história se confunde muitas vezes com a dela. Nesse tempo, como ela mesma diz, fez de tudo um pouco. Atualmente, mantém uma banca de revistas e livros novos e usados, a Antiquário, bem ao lado da Igreja Redonda, uma das mais tradicionais da cidade. Dona Socorro, como é conhecida de todos, não se surpreende quando, numa quarta-feira de dezembro de 2005, entre livros folheados ao acaso e perguntas desconcertadas, revelo a finalidade da visita. O termo entrevista certamente causaria desconforto, daí a variante empregada: “posso dar uma palavrinha com a senhora?”. O largo sorriso abria-me ótimas perspectivas. A tarde inteira desfiando o novelo de uma vida inteira. Na hora de ir embora, um forte abraço. A esta visita seguiu-se mais uma, feita há dois ou três meses. Desta vez, fui recebido como um velho amigo a quem dona Socorro há muito não via. Sentamos nos mesmos bancos de madeira, agora à esquerda de Antiquário. “É que de manhã o sol bate lá daquele lado”, explicou.
O trânsito na Avenida Jovita Feitosa fluía, àquela hora, tranqüilo. Aliás, era por ali, descobriria depois, que dona Socorro seguia, no finalzinho de tarde, até a casa da mãe, no bairro de Fátima. Antes, a extensa avenida não passava de uma estradinha de terra vermelha a perder de vista. A tarde apenas começava. Foi relembrando um pouco esses dias de ontem e hoje que reatamos as pontas de uma conversa perdida no tempo. Um exercício cuidadoso, amarrar as pontas e descobrir outras nuances num quadro banhado em cores fortes. A conversa arrastava-se em alguns momentos; noutros, ganhava fôlego escorregando sobre a planície de uma vida inteira vista de agora. Entre um momento e outro, erguia-se a custo do banquinho para atender um cliente ou, ainda, catadores de lixo que lhe traziam pilhas de Cláudia, Veja e Caras esfarrapadas. “Se não fosse por mim, estas revistas iriam pro lixo. Também compro pra ajudar”, explicou-se depois que um negro esquálido, curvado sobre um carrinho-de-mão cheio de papelão, foi embora.
Há 15 anos à frente da banca, dona Socorro é dessas que fincam pé quando querem alguma coisa. Dessas de querer difícil, imorredouro. Quando pensou em trabalhar, foi como se tivesse entrado, sem querer, em rinha de cachorro grande. Num recuo tático, fingiu esquecer a idéia para, anos depois, filhos crescidos e com as contas no vermelho, abraçá-la. Agora, não mais por obstinação: era a vida que lhe exigia uma atitude. “Sempre quis trabalhar, o pai é que nunca permitiu. Mulher para ele era da cozinha pro quarto, e só. Quando casei e vim morar aqui na Parquelândia, em 1962, a cabeça do marido era a mesma; a discriminação contra a mulher, também. Queria estudar Direito, mas acabei me submetendo”, diz entre risos.
Entre uma atividade e outra, ela garante que fez de tudo: foi costureira, sacoleira, proprietária de uma agência de publicidade e transportou, ainda, alunos de escolas da vizinhança. Catou alimentos em feiras livres da capital. Nesta época, a cabeça, segundo ela, “já tinha parado de funcionar”. Tudo por causa dos frangos abatidos ao longo da madrugada no quintal de casa.“Fornecíamos frangos ao Hospital Antônio de Pádua, que hoje nem existe mais. Nunca tinha matado um frango na minha vida. Comecei mesmo por necessidade. Foram quase dez anos abatendo frangos. Como tínhamos de entregá-los de manhã muito cedo no hospital, passava quase toda a madrugada abatendo”, relembra. “A partir de certo momento, percebi que morria a cada animal abatido. Foi a pior coisa que já fiz em toda a minha vida”. Dona Socorro esclarece. Após cerca de dez anos trabalhando como açougueira, caiu em uma espiral de crises: financeira, psicológica, religiosa, emocional. “Minha vida era um conflito. O Walter, meu marido, foi embora pra São Paulo no final dos anos 70. Fiquei sozinha”. O episódio funcionou como uma espécie de divisor de águas em sua vida. Mudou radicalmente os seus hábitos alimentares, passando a não comer mais carne animal, e descobriu na doutrina Espírita um refúgio. A banca, encontrou-a pouco depois, quando estava à procura de trabalho. “Era o que eu precisava. Depois de conseguir a concessão para trabalhar na banca, fui para lá sem nada, porque as distribuidoras não queriam fornecer revistas para outro estabelecimento, sendo que já havia um na praça. Então comecei só com as revistas que tinha em casa, e foi quando descobri a verdadeira razão da minha vida: os livros”. Os primeiros recolhidos na vizinhança mesmo. “Saí pedindo de casa em casa, e todo mundo contribuiu com alguma coisa”, relembra. A partir daquele instante, segundo dona Socorro, sua vida transcorreu sobre dois eixos: “a necessidade de trabalhar e, antes de tudo, a paixão pelo que fazia”. E assim continua até hoje, quando completa, em meio a dificuldades financeiras, quinze anos de Antiquário. Entre as razões do aperto, dona Socorro aponta a “recessão que vive o País.” “Infelizmente, livro não é artigo de primeira necessidade. As pessoas passam em frente à banca e apenas olham. Seguem direto para a Frangolândia, um supermercado logo ali. A comida é mais importante”, brinca. Antes de ir embora, uma grata surpresa. Dona Socorro enfurna-se em um compartimento da banca que não sabia existir. Em poucos minutos, retorna com um exemplar de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. “Este livro me salvou”, diz olhando-me demoradamente. Hoje, encostado na estante de casa, o terceiro numa pilha que reúne ainda O apelo da selva e O feijão e o sonho.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

UM GRANDE AMOR


Stella estava sentada na sala. Era inverno. Mas o maior frio que ela sentia vinha de dentro. Da alma.Jamais ela sentira tanto medo da tempestade, dos ventos gelados e da chuva. É que agora estava sozinha.
Seu querido David havia morrido há 3 meses. Ela jamais poderia imaginar que sentiria tanto a sua falta.Desde que o diagnóstico de câncer terminal chegara, ela se preparara para a morte dele.Ele também. Homem organizado, deixara toda a papelada em ordem.
Dinheiro não lhe faltaria para as necessidades. Ele pensara em tudo.
Mas a ausência dele era terrível. Ao terceiro toque da campainha, ela se levantou para atender a porta.
Antes, olhou pela janela, um pouco desconfiada. Afinal, havia tantos assaltos.
Era um rapaz com uma caixa grande. Viu o carro de entregas estacionado em frente ao portão.
Abriu a porta e o ar gélido entrou, tomando conta da sala inteira.
É a senhora Araújo?
-perguntou o funcionário.
Ao sinal afirmativo de Stella, ele pediu licença para entrar e colocou a caixa no meio da sala.
Antes que pudesse indagar qualquer coisa, o entregador, jovial, foi explicando:
A senhora nos desculpe. Era para entregar somente na véspera do Natal. Porém, hoje é o último dia de expediente no canil. Espero que a senhora não se importe.
Entregou-lhe um envelope, abriu a encomenda e retirou o presente: um filhote de cão Labrador.
A carta explica tudo, continuou o rapaz. O cão foi comprado em julho, quando a mãe dele estava prenhe.
Ele tem seis semanas de idade e é um cão doméstico.
A senhora espere um pouco que vou buscar o restante da encomenda.
Largou o cãozinho e ele foi se sentar aos pés de Stella, fungando feliz e olhando para ela.
O restante da encomenda era uma caixa enorme de alimentos para cães, uma correia e um livro Como cuidar de seu cão Labrador.
Stella continuava parada, estática. Acabara de reconhecer no envelope a letra de David.
Quando o entregador se foi, ela andou de volta até a sua poltrona. Tremia inteira.
O cãozinho ficou ali, olhando-a ainda com seus olhos castanhos, à espera de um afago.
A carta não era longa mas repassada de carinho.
David a escrevera antes de morrer e a deixara com o proprietário do canil. Era seu último presente de Natal.
Ele havia comprado o animal para lhe fazer companhia. A carta era cheia de amor e lhe dava ainda conselhos e incentivo para que fosse forte, até o dia em que voltariam a ficar juntos, na espiritualidade.
Ela olhou para o cãozinho e estendeu a mão para o apanhar. Segurou-o nos braços. Pensou que fosse pesado, mas tinha o peso e tamanho da almofada do sofá.
O animalzinho de pelos castanhos lhe lambeu o queixo e se aninhou em seu pescoço.
Ela chorou de saudade. Ele ficou ali, quietinho.
Então, criaturinha, aqui estamos você e eu.
O cachorrinho fungou, concordando, pondo sua língua rosada para fora.
Stella sorriu.
Então, vamos para a cozinha fazer uma sopa?
Vou lhe dar ração e depois leremos um bom livro, juntos.
Que acha?
O cãozinho latiu e abanou a cauda, como se tivesse entendido exatamente o sentido de cada uma das palavras.
E acompanhou Stella até a cozinha.

Na sua imensa sabedoria, Deus criou os animais para auxiliar o homem em suas tarefas, tanto quanto para lhe prover algumas necessidades.Também para servir de amparo aos que andam sós, aos famintos de afeto.
Tornam-se muitas dessas criaturas, em sua missão de servirem ao homem, excelentes zeladores de vidas humanas.
Ao homem cabe amparar-lhes as vidas e retribuir-lhes com cuidados a atenção e devotamento.
São também eles a manifestação do amor de Deus na Terra.

Momento Espírita

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

ANIMAIS



ANIMAIS
Eles estão ao nosso lado desde que a Humanidade passou a ter consciência de si mesma.

Servem de alimento, vestimenta, calçado. São amigos fiéis e nada cobram por tantos serviços.
Estamos falando dos animais, esses seres que apesar de nos doarem tanto, são as vítimas preferenciais de nossa crueldade.
A cada ano, milhões de bois, carneiros, coelhos e frangos são sacrificados para nos alimentar, vestir e calçar.
Descuidados, matamos, retiramos peles e ossos, aprisionamos, cozinhamos, sem nos deter para refletir sobre essas criaturas que, mergulhadas na inconsciência espiritual, nos sustentam o corpo físico.
O mais grave não é a indiferença pela sorte dos bichos. O doloroso na espécie humana é a crueldade com que tratamos esses companheiros de jornada.
Se é válida a escolha de alimentar-se de carne, o mesmo não se pode dizer do mercado de peles e dos milhares de animais sacrificados para que os homens tenham artigos de luxo.
Uma norma deveria reger a nossa vida: o limite entre o necessário e o supérfluo.
Uma coisa é usar os animais para sustentar o corpo, transformando-os no alimento necessário. Bem diferente é matá-los cruelmente por prazer, em caçadas que divertem apenas os caçadores.
Igualmente abusivo é arrancar a pele dos animais apenas para ostentar casacos e roupas caras. E o que dizer dos pássaros mortos para retirar as plumas coloridas?
Pobres animais, cujo único crime foi terem sido criados com belas plumagens ou pêlos macios...
Nos dias atuais, já não é mais possível calar-se diante dos excessos que a Humanidade comete. A mortandade dos bichos para satisfazer vaidades e excessos é um crime com o qual não deveríamos compactuar.
Felizmente, a evolução moral já começa a se impor. Por isso, cada vez mais vemos pessoas e organizações que se preocupam com o tratamento dado aos animais. É a era da compaixão universal que inicia.
Sim, compaixão com esses irmãozinhos menores, que são também criaturas de Deus. Amá-los, ser-lhes gratos é o mínimo que um coração sensível deveria cultivar.
Os animais são princípios espirituais em evolução. Também estão aprendendo, como todos nós. A diferença é que temos consciência de nós mesmos.
Em nós, seres humanos, há um Espírito que pensa, age, tem livre arbítrio. Nos animais, o Espírito ainda não existe, mas, com o passar dos milênios, eles evoluirão, pois Deus nada faz sem um objetivo profundo e sério.
Para finalizarmos este programa, selecionamos trecho do texto “Apelo em favor dos animais”.
“Vós, que vedes luzes nestas letras que traçam a evolução espiritual, tende compaixão dos pobres animais!
Sede bons para com eles, como desejais que o Pai Celestial vos cerque de carinho e de amor!
Não encerreis os pássaros em gaiolas... Renunciai às caçadas... Acariciai os vossos animais! Dai-lhes remédios na enfermidade e repouso na velhice!
Lembrai-vos de que os animais são seres vivos, que sentem, que pensam, que se cansam, que têm força limitada, que adoecem, que envelhecem...
Os animais são vossos companheiros de existência terrestre! Como vós, eles vieram progredir, estudar, aprender! Sede seus anjos tutelares... Sede benevolentes para com eles, como é benevolente, para com todos, o nosso Pai que está nos céus!"
Redação do Momento Espírita, com versos do livro Gênese da alma, de Cairbar Schutel, ed. O Clarim.

domingo, 14 de dezembro de 2008

SÃO FRANCISCO E O LOBO




Certa feita, estando Francisco de Assis em peregrinação pela cidade de Gubbio, ao norte de Assis, soube que a população daquela região estava em desassossego, pois ali morava, nas encostas de determinados penhascos, um lobo feroz, que já tinha devorado muitos animais, e mesmo algumas crianças. O lobo era remanescente de uma alcatéia, da qual ficara afastado por doença, fazendo morada de uma caverna que encontrara, alimentando-se de animais que por ali passavam, atacando igualmente seres humanos descuidados.
Tantos foram os prejuízos verificados e o pânico espalhado pela região, que a população foi ao seu encontro, para que ele abençoasse aquele lobo, e rogasse a Deus que o fizesse desaparecer, para que a paz se restabelecesse. As mães aflitas imploravam a Pai Francisco que tivesse piedade e as ajudasse, prometendo-lhe fazer qualquer penitência, desde que se livrassem do perigoso animal.
Pai Francisco ouviu, com paciência, o apelo da população e prometeu fazer alguma coisa em benefício de todos. Iria pedir a Deus para que o lobo procurasse outro lugar, que não fosse aglomeração humana. E Francisco, como de costume, à noite, entrou em meditação e em oração ao Senhor. Nestas horas, os seus ouvidos sempre registravam coisas fora do comum dos homens. E foi o que ocorreu, ao pedir a Deus nestes termos:
- Meu Deus!... Meu Senhor!... Permite que Te peça algo, talvez inoportuno, mas que está na alma do povo, por onde estamos passando, e a quem queremos levar o Evangelho do Teu Filho e Nosso Mestre, que nos pede alguma coisa que lhe possa trazer a paz e tranqüilidade física. Que afastes, Senhor, o lobo que os ataca, pois bem sabes o que ele anda fazendo, matando animais e ferindo homens, amedrontando a população. Se for do Teu agrado, e se o merecermos, faze com que esse lobo saia dessa região e procure outro lugar onde ele possa sentir-se melhor, e os homens viverem em paz.
Jesus ajuda-nos a compreender as necessidades dos nossos semelhantes, e fazer por eles alguma coisa; Maria, mãe de Jesus, cobre-nos a todos com o teu manto de luz, confortando os nossos corações tribulados, mas que seja feita a vontade do Senhor e não a nossa.
E nos intervalo em que reinava o silêncio, Francisco, à espera de resposta, ouviu no fundo d'alma um cântico a lhe responder o que deveria ser feito, em um tom harmonioso e cheio de ternura:
- Francisco, ouve-me!... O lobo tem o direito de ficar onde quer que seja, arriscando também a sua vida. Para onde devemos mandá-lo? Ele tem necessidade de algo que existe entre os homens. Esses não procuram melhoria no bem-estar e no convívio com irmãos da mesma e de outras raças? É , pois, um direito que assiste a quem vive, a qualquer criatura nascida de e por Deus. Como expulsar e sacrificar um animal, somente para satisfazer pessoas, algumas sem piedade até para com os próprios semelhantes? O egoísmo dos homens é que os faz sofrer, não simples animais, que pedem socorro, com os recursos que possuem.Vai , Francisco, conversar com ele, o lobo. Depois de entendê-lo, volta e conversa com os homens, e vê se os entende, o que acho mais difícil. Procura fazer uma aliança entre um e outros, para que o que sofre, não falte a quem tem fome, e que , depois de amansada a fera, não a maltratem, pois quase sempre, depois da paz, surge o abuso. O lobo tem fome, Francisco!...
Francisco despertou do êxtase e sentiu o drama do velho lobo. E partiu para uma das gargantas do Monte Calvo, situado nos Apeninos. O grande animal, ao ouvir a voz cantante de um homem, saiu do seu esconderijo, talvez pensando em alimento e água, esquelético e meio fraco. Vidrou os olhos no pequeno homem de Deus, e esse lhe falou mansamente:
- Irmão Lobo!... Que a paz seja contigo, seja feita a vontade de Deus e não a nossa! Eu sou de paz. Venho pedir-te em nome de Deus e de Jesus, que tenhas um pouco de confiança nos homens, porque nem todos são violentos; muitos são bons e gostam de animais. Podes conviver em paz com eles e comer o mesmo que eles.
Espero que em ouças. Peço-te para ir comigo até eles e lhes pedirei para te atender nas tuas necessidades. Eu também sou um animal; nada tenho aqui para te dar, a não ser o meu carinho, mas prometo que te darei a amizade de todos, naquilo que possam te ofertar. As mães estão chorosas, temendo por seus filhos. Vem comigo, que serás compensado por Deus.
O lobo, a essa altura, já estava deitado aos pés de Francisco, roçando seu longo pescoço nas pernas do seu protetor, submetendo-se com confiança. Este ajoelhou-se, pôs-lhe as mãos sobre a atormentada cabeça e agradeceu a Deus pela nova amizade. Ao lado dos dois estava uma pequena falange de Espíritos da natureza, alguns na forma de animais, festejando aquela aliança no sentido de despertar nos homens, o amor para com os animais, e nestes, o amor para com aqueles.
O futuro nos promete que a cobra viverá em paz com o batráquio, o rato com o gato, o cão com o felino, o cordeiro com o lobo, e que os homens viverão em paz com os próprios homens.
Francisco olhou para o lobo e disse com piedade:
- Vamos, meu irmão; desçamos juntos, para junto dos homens, pois somos todos filhos de Deus!
Francisco seguiu na frente e o lobo o acompanhou com passadas lentas, mas sem perder o seu guia. Ao chegar ao lugarejo, o povo saiu às portas assombrado com o fenômeno. Muitos já conheciam o feroz animal, que naquele momento tornou-se um companheiro manso e obediente, na sombra do santo. Esse assentou-se em um cepo, ao lado de uma casa, e o lobo aproximou-se de seu companheiro, que passava lentamente a mão sobre o seu corpo descarnado, falando-lhe com serenidade:
- Irmão lobo, este lugar é também seu. Considera-te filho deste abençoado rebanho de ovelhas humanas que irão te tratar como se fosses filho. Nada vai te faltar, nem água, nem comida, nem o carinho de todos os irmãos em Cristo que aqui residem, e para tanto, vamos de casa em casa confirmar o que desejamos. Se, porventura, tivesse de morder alguém aqui, faze isso comigo agora; não deves trair o que combinamos, eu te peço. Jesus Cristo gosta muito dos animais, tanto que preferiu nascer em uma estrebaria, a nascer em palácio. Ele poderia escolher o lugar que quisesse, e buscou os animais; isto é uma prova de Amor por eles.As mãos do Poverello corriam no lombo do animal, inundadas de luz que só o amor pode fornecer, e os olhos do animal deram um sinal que somente os humanos podem dar, o sinal das lágrimas, porque é mais fácil chorar do que sorrir.
Francisco levantou-se, tornou a chamar seu companheiro e foi de porta em porta, em nome de Deus e de Cristo, pedindo aos moradores para que não faltassem água e alimento para o lobo, e todos, vendo a mansidão do animal junto a Francisco, concordavam.
O filho de Assis ficou alguns dias na região, até o povo acostumar-se com a convivência do animal, e o lobo ficava de porta em porta, comendo e bebendo. Engordou, tomando outras feições, mas, conservou-se sempre manso. Uivava nas madrugadas, sentindo saudades do Santo de Assis.
No fim da sua vida, já suportava até pancadas por parte dos transeuntes, ao tentar acompanhar algumas pessoas. Era mordido por cães agitados que percorriam a cidade, e muitos deles tomavam a sua comida, sem que ele se revoltasse com o fato. Nunca brigava com seus adversários e, por fim, já doente, não tinha forças para andar de casa em casa em busca de alimento. Acomodou-se em uma velha casa, onde mãos caridosas fizeram-lhe uma cama de palha, que foi o seu leito de morte. Muitos moradores levavam para ele o que comer e beber, e, em uma madrugada, escutou-se o lobo uivar, por ver na sua retina um frade a convidá-lo para um passeio. Quando fez força para levantar-se, o fez, não com o corpo físico: levantou-se no outro mundo, em seu duplo etérico, e acompanhou o frade, mostrando pela cauda, a alegria que estava sentindo no coração. E desapareceram no infinito os dois filhos de Deus.
( Trecho do livro Francisco de Assis pelo espírito Miramez )

OS ANIMAIS ANTE O NATAL

Entretecíamos animada conversação, em torno dos abusos da mesa nas comemorações natalinas, com o parecer do grave Jonathan bem Asser, que asseverava a conveniência de ater-se o homem ao sacrifício dos animais apenas quanto ao estritamente necessário, quando o velho Ebenezer bem Aquim, orientador de grupos hebraicos do Mundo Espiritual, tomou a palavra e se exprimiu conciso:
- Talvez não saibam vocês quanto devemos aos bichos na manifestação do Evangelho...
E, ante a nossa curiosidade, narrou, comovido:
- Há muitos anos, ouvi do rabi Eliúde, que se encontra agora nas esferas superiores, interessantes minudências em torno do nascimento de Jesus. Contou-nos esse antigo mentor de israelitas desencarnados que a localização de José da Galiléia e da companheira nos arredores de Belém de Judá não foi assim tão fácil.
O casal, que se compunha de jovem Maria, tocada de singular formosura, e do patriarca que a recebera por esposa, em madureza provecta, entrou na cidade quando as ruas e hospedarias se mostravam repletas.
Os descendentes do ramo de David reuniam-se aos magotes para atender ao recenseamento determinado pelo governo de Augusto.
Bronzeados cameleiros do deserto confraternizavam com vinhateiros de Gaza, negociantes domiciliados em Jericó entendiam-se com mercadores residentes no Egito.
Acompanhados por benemérita legião de Espíritos sábios e magnânimos, a cuja frente se destacava o abnegado Gabriel, que anunciara a Maria a vinda do Senhor. José e a consorte bateram primeiramente às portas da estalagem de Abias, filho de Sadoc, que para logo os rechaçou com a negativa; entretanto, pousando os olhos malevolentes na jovem desposada, ensaiou graçola irreverente, o que fez que José, apreensivo, estugasse o passo para diante.
Recorreram aos préstimos de Jorão, usurário que alugava cômodos a forasteiros. O ricaço considerou, de imediato, a impossibilidade de acolhe-los, mas, ao examinar a beleza da moça nazarena, chamou à parte o enrugado carpinteiro e indagou se a menina era filha de escravos que se pudesse obter a preço amoedado... José, mais aflito, demandou a frente para esbarrar na pensão de Jacob, filho de Josias, antigo estalajadeiro, que declarou impraticável o alojamento dos viajantes; no entanto, ao fixar-se na recém-chegada, perguntou desabridamente como é que um varão, assim velho, tinha coragem de exibir uma jovem daquela raridade na praça pública. Deprimido, o ancião diligenciou alcançar pousada próxima; contudo, as invectivas de Jacob atraíram curiosos e vadios que cercaram o par, crivando-o de injúrias.
Os recém-vindos de Nazaré, vendo-se alvo de chufas e zombarias, tropeçavam humilhados...
Gabriel, no entanto, recorreu à prece, rogando o Amparo Divino, e diversos emissários do Céu se manifestaram, em nome de Deus, deliberando que a única segurança para o nascimento de Jesus se achava no estábulo, pelo que conduziram José e Maria para a casa rústica dos carneiros e dos bois...
Ebenezer, a seguir, comentou, bem humorado:
- Não fossem os anfitriões da estrebaria e talvez a Boa Nova tivesse seu aparecimento retardado...
E terminou, inquirindo:
- Não será isso motivo para que os animais na Terra sejam poupados ao extermínio, pelo menos no dia do Natal?

Irmão X
LIVRO ANTOLOGIA MEDIÚNICA DO NATAL - Psicografia: Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

CORPOS HUMANOS E ANIMAIS


CORPOS HUMANOS E ANIMAIS
Que diferença existe entre o corpo dos animais e o dos homens?A forma exterior. Mas a forma exterior, mesmo entre os homens, apresenta enorme diversidade. Os Docos, de Cafa e Gurage (Abissínia), diz o missionário Krapf, têm traços físicos que denotam uma grande inferioridade.Mesmo entre os homens civilizados a diferença de corpos é patente: uns pretos, outros brancos; e uns peludos, outros sem pelos!Nos homens como nos animais, notam-se os mesmos órgãos, as mesmas funções, modos de nutrição, respiração, secreção, reprodução. Todos nascem, vivem e morrem nas mesmas condições.Não há na carne do homem, no seu sangue, nos seus ossos, um átomo diferente daqueles que se acham nos corpos dos animais; todos, ao morrerem restituem à Terra o oxigênio, o hidrogênio, o carbono, o azoto que se achavam combinados para os formar.Ninguém seria capaz de negar que os Quitches e os Lataucas que habitam a África pertencem ao reino hominal.
Entretanto o explorador Baker afirma que eles se parecem mais com macacos que com homens.Darwin, depois de ter contemplado os Fuegianos, escreveu: "É difícil crer que são nossos semelhantes e habitam o mesmo planeta".Os Vedas, do Ceilão, apresentam tipos verdadeiramente bestiais; a conformação do seu crânio é como a do macaco; seu rosto é saliente e alongado corno um focinho: seus dentes são projetados para diante, etc.Por que, pois, concedem alma ao homem e a negam aos animais?!Naturalmente, aos chefes das religiões estacionárias não convém abordar assuntos desta natureza, que reclamam completa modificação da fé prescrita pelos papas e concílios, fé arbitrária que só sabe proclamar a existência de Deus para fazer do Supremo Criador um verdugo que se compraz no mal, que vive inconscientemente sem saber o que faz e sem fazer o que é de seu dever!Mas, graças às luzes com que o Espiritismo nos vem orientando, o Deus de Bondade e de Sabedoria anunciado por Jesus não tem relação alguma com o "deus padre", esse fantasma execrando inventado pelo espírito sectário, por esse satanás que se tem transformado em anjo de luz e deixa, por onde passa, os rastos de um fogo destruidor, de uma "luz" que queima e arde perpetuamente nas almas vis, feitas de orgulho e de egoísmo.Um período de trevas se estingue; uma era de Luz saúda a Terra, para que os homens despertem e compreendam que é chegado o sétimo dia em que Deus deve descansar nas nossas consciências.
Cairbar Schutel

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

A MEDIUNIDADE NOS ANIMAIS

O que são médiuns?
A palavra médium significa aquele que é um intermediário, então é todo aquele capaz de intermediar uma ação.
No caso de Espiritualidade, é aquele capaz de intermediar a comunicação entre as duas dimensões.
O que é mediunidade?
É o atributo do médium, isto é, a ação intermediadora do médium, que recebe as impressões colhidas de uma dimensão e as transmite para outra, de forma inteligível, aos que deverão receber o resultado desta comunicação ou intermediação.
Para que um médium seja intermediário das comunicações com os Espíritos, é necessário que ocorra uma sintonia mental entre as partes para que o Espírito comunicante encontre um arquivo mental compatível com a comunicação que pretende.
"Sabeis que tomamos ao cérebro do médium os elementos necessários para dar ao nosso pensamento uma forma sensível e compreensível para vós: é com a ajuda dos materiais que possui que o médium traduz nosso pensamento na linguagem vulgar: pois bem: Que elementos nós encontraríamos no cérebro de um animal? Há palavras, nomes, letras, sinais quaisquer similares àqueles que existem entre os homens, mesmo os menos inteligentes.
Erasto afirma que os animais não possuem arquivos mentais e energias compatíveis com as comunicações com seres humanos e que seria inviável a ocorrência destas comunicações tendo como intermediários os animais.
Erasto afirma que a energia humana é perniciosa aos animais.
Para ilustrar, o autor conta o caso de um cão que foi "magnetizado" por seu dono e morreu fulminado como se fosse atingido por um raio.
Os animais podem ser médiuns?
Em tese sim.
Kardec não parece convencido ao expressar-se neste trecho a seguir, retirado do Livro dos Médiuns, dando a impressão de crer na possibilidade de animais poderem ser médiuns:
"Seja como for em relação às experiências acima (adestramento dos animais e prestidigitação),a questão principal não ficou menos intacta em relação a um outro ponto de vista: porque do mesmomodo que a imitação do sonambulismo (transe mediúnico) não impede a faculdade de existir, a imitação da mediunidade por meio de pássaros não provou nada contra a possibilidade de umafaculdade análoga entre eles ou outros animais... parece-nos bastante lógico supor que um ser vivodotado de certa inteligência, seja mais apropriado para esse efeito do que um corpo inerte, sem vitalidade, como uma mesa, por exemplo." (Allan Kardec - Livro dos Médiuns)
No início da campanha dos Espíritos, eles usaram mesas que giravam e flutuavam e produziam sons para efetivarem comunicações com encarnados, no entanto as mesas não eram exatamente médiuns. Eram apenas instrumentos usados pelos Espíritos que, com ajuda de material mediúnico retirado dos médiuns, conseguiam esstes efeitos físicos.
No livro "10 Claves em Parapsicologia", citado por Carlos Bernardo Loureiro no livro "Fenômenos Espíritas no mundo animal", encontramos citações sobre um caso de mediunidade em animais em que um periquito serviu de intermediário da comunicação.
Um casal vivia na Alemanha e em 1971 ocorreu falecimento da filha Bárbara.
Meses depois da morte da filha, o periquito começou a falar. Inicialmente falou com voz masculina e dava notícias da filha falecida.
Depois de algum tempo, a própria Bárbara começou a se comunicar por intermédio da ave.
Algumas vezes o pássaro se comunicava com vozes desconhecidas em outros idiomas como o russo, francês, inglês e outros idiomas desconhecidos do casal.
Estudos realizados pelo cientista Dr. Konstantin Raudive demonstraram que os fenômenos eram autênticos, descartando a possibilidade de alguma fraude.
Enquanto o periquito mantinha-se em transe, não respondia a estímulos exteriores.
Em 17 de agosto de 1974, o periquito morreu e o casal adquiriu outro que, em pouco tempo, começou a entrar também em transe e fazer comunicações.
Como citamos anteriormente, os animais têm uma capacidade grande de captar pensamento; capacidade premonitória (caso da gatinha que previu o bombardeio).
Uma médium recebeu a comunicação de um Espírito que afirmou que se comunicaria por meio de uma gata. Pediu que fosse colocado um papel esfumaçado em uma caixa fechada em que a gata estivesse também. Ao abrirem a caixa encontraram as letras escritas pela pata da gata: "vin". O Espírito prometeu que a gata escreveria "Vinorio".
Portanto, concluímos que os animais podem ser médiuns, mas não seria uma maneira prática de comunicação, pois os Espíritos teriam de agir de modo mais trabalhoso e com resultados menos confiáveis e menos objetivos.
Seria mais fácil e mais interessante a utilização de um médium humano.
De qualquer modo, o exemplo de Butchi, do periquito e da gatinha chamada Macaca são indicativos de que podem ser médiuns, Sim.