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MEU ANIMAL AMIGO: OS ANIMAIS NOSSOS COMPANHEIROS

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

OS ANIMAIS NOSSOS COMPANHEIROS


OS ANIMAIS, NOSSO COMPANHEIROS

Se os animais só inspiram ternura, o que houve, então, com os homens? Guimarães Rosa
Quantos relatos de companheirismo, fidelidade e amizade já ouvimos, todos nós, de pessoas que conviveram com os seus assim chamados animais de companhia, ou de "estimação", como se diz no interior.
E dentre essas pessoas, nem Chico Xavier escapa. Não ouvi dele, diretamente mas, fiquei sabendo. Na Folha Espírita em revista, 1977, edição comemorativa dos 50 anos de mediunidade de Chico, a dra. Marlene Nobre insere, no artigo "Pequena História de uma Grande Vida", pitorescos casos da vivência do médium com os animais, lembrando quantas vezes preás vinham comer em suas mãos ou nos seus pés, onde ele deixasse os miolinhos de pão.
Registrou a ocorrência de enorme formigueiro que começou a devastar as roseiras de Chico que, então, resolve conversar com elas, as formigas:
- Minhas irmãs, vocês são tão eficientes, tão unidas no trabalho! Mas, olha, vocês precisam ir embora ...
Várias vezes Chico conversou com elas e elas acabaram indo embora
Outro caso relatado foi o do Brinquinho (reencarnação do Dom Pedrito, lembram?), o cachorro amigo da casa. Às quartas-feiras, conforme contou Chico, enquanto ele ia receber mensagens, o Brinquinho deitava-se quietinho, enquanto o trabalho de psicografia se desenrolava. Quando tudo terminava, Brinquinho levanta-se e aguarda Chico abrir a porta.
Nessa mesma noite de conversas sobre animais, Chico comentou ainda com a dra. Marlene, que o espírito André Luiz levou-o a um mundo mais adiantado que a Terra, onde os habitantes reúnem os macacóides mais inteligentes e treinam os mesmos para os trabalhos mais rudes.
Tem outros casos, como o da cobra enorme de "bote armado", contado pela dra. Marlene e também por R. A. Ranieri, em Recordações de Chico Xavier. No livro Lindos Casos de Chico Xavier, de Ramiro Gama, acha-se registrada uma história do cão Lorde, muito bonita:
Chico e José, seu irmão, acompanhados do Lorde, vão a uma grande lapa, nas cercanias de Pedro Leopoldo, em busca de uma tal erva que somente se desenvolve em cavernas do sub-solo, recomendada para um caso de reumatismo complicado.
Chegaram à caverna e José, segurando Lorde por uma corda, desceu à frente.
Depois de longa busca, encontraram a erva medicinal. Contudo, os caminhos tortuosos e escuros acabaram por confundi-los e se perderam ...
De vela acesa, debalde procuravam a saída!
Gritavam, mas ouviam apenas o eco de suas próprias vozes. Quando a luz se mostrava quase extinta, recorreram à prece. Dona Maria João de Deus, a mãe de Chico e José, já desencarnada, apareceu e recomendou-lhes:
- Vocês vão precisar do auxílio do Lorde. Aprendam a lição (referia-se à maledicência de ambos, anteriormente). Chega sempre o momento em que necessitamos o amparo de criaturas que supomos desprezíveis. Soltem o Lorde e sigam-lhe os passos.
- Ele sabe o caminho de volta!
Assim fizeram e, acompanhando o animal, venceram o labirinto em poucos minutos.
Uma vez salvos, fora da caverna, meditaram na lição recebida e renderam graças a Deus,
Segue-se outro caso do Lorde, segundo material que me foi enviado pelo prezado confrade Maurício Roriz, da USE de São Carlos, SP, a quem agradeço a gentileza: Em carta (25/01/1951) escrita por Chico Xavier a Wantuil de Freitas, então Presidente da FEB e apresentada no livro Testemunhos de Chico Xavier, de Suely Caldas Schubert, à pag. 283, 2ª ed. FEB, Brasília, 1991, lê-se: " ... Em 1939, o meu irmão José deixou-me um desses amigos fiéis (um cão). Chamava-se Lorde e fez-se meu companheiro, inclusive de preces, porque, à noite, postava-se junto a mim, em silencio, ouvindo musica. Em 1945, depois de longa enfermidade, veio a falecer. Mas, no ultimo instante, vi o Espírito de meu irmão aproximar-se e arrebatá-lo ao corpo inerte e, durante alguns meses, quando o José, em Espírito, vinha ter comigo, era sempre acompanhado por ele, que se me apresentava à visão espiritual com insignificante diferença. Atrevo-me a contar-te as minhas experiências, porque também passaste por essa dor de perder um cão leal e amigo, Geralmente, quando falamos na sobrevivência dos animais, muita gente sorri e nos endereça atitudes de piedade. Mas, a vida é uma luz que se alarga para todos ... "
Também existe referencia à morte do cão Lorde no livro Lindos Casos de Chico Xavier, de Ramiro Gama. Acompanha a figura que ilustra o texto, a significativa legenda: "Ah, sim, os animais têm alma e valem pelos melhores amigos!"
Conforme ainda lembra o Maurício, no livro - Memórias do Padre Germano, de Amália Domingo Soler, ed. FEB, acha-se registrada a lealdade de outro cão, o Sultão, que durante anos acompanhou o Padre Germano em todas as suas atividades fazendo-se, inclusive, grande amigo das crianças de sua aldeia. É admirável o modo como o padre Germano se refere ao cão:
- "Ah! Sultão! Sultão! que maravilhosa inteligência possuías. Quanta dedicação te merecia a minha pessoa! Perdi-te, e perdi em ti o meu melhor amigo! Outrora, quando me recolhia ao meu tugúrio; quando, prosternado ante o oratório, rezava com lagrimas; quando lamentava as perseguições que sofria, era ele quem me escutava imóvel, sem nunca se aborrecer da minha companhia. Seu olhar buscava sempre o meu e, quando às portas da morte, vi-o reclinar a cabeça em meus joelhos, buscar o calor do meu corpo, foi quando no seu olhar se extinguiu a chama misteriosa que arde em todos os seres da Criação. Agora, sei que estou só ... "
Em 1932 Chico Xavier psicografou mensagem do Padre Germano, publicada no Reformador e que se acha inserida no livro de Clóvis Tavares Trinta Anos com Chico Xavier. Interessante a menção de que tanto para a mediunidade de Chico Xavier quanto para a de Divaldo Pereira Franco, o Padre Germano se apresentava sempre acompanhado de seu fiel amigo Sultão.
Em Seleções do Reader's Digest. set. 17 4, li a emocionante história de Marco Polo, um gato resoluto que, após ter sido atropelado e ficado completamente cego, foi driblando as dificuldades, pouco a pouco.
Quem faz o relato é Era Zister, testemunhando seu aprendizado de 15 anos, no convívio com Marco Polo, de como enfrentar a adversidade e a derrotá-la com coragem.
Também aqui em nossa casa, não faltaram lições de toda ordem.
Teca, Nãna e Timi, nossos queridos cães - amigos que já desencarnaram -, passaram por períodos difíceis de doença, cegueira e velhice e em tudo nos ensinaram, com sua postura de recolhimento.
Quando temos perto de nós um animal em sofrimento, queremos recorrer ao passe, à prece e à água fluidificada, para socorrê-los.
Será que isso é válido, em relação aos animais?
Sim, tudo é válido a serviço do bem e em nome de Deus, e os animais também são merecedores de toda forma de auxílio.
Em relação aos passes e à água fluidificada, fui orientada pelo plano espiritual para nos ligarmos mentalmente aos espíritos zoófilos; assim, eles nos ajudam, promovendo a adequada modificação de nosso fluido vital, para o atendimento do animal.
Sabemos que o fluido vital embora seja o mesmo para todos os seres orgânicos, modifica-se segundo as espécies (LE 66).
Aqui em casa, quando a família se reúne semanalmente para o Evangelho no Lar, dela fazem parte a Tábata, nossa amorosa cachorra e a gata Branquinha. Antes também Borralheira e Eduína, mais recentemente desencarnadas.
Sempre nos lembramos com carinho dos que já partiram, nossos parentes e nossos bichos, com os quais compartilhamos as experiências da vida.
Eutanásia!
Quantas vezes esse assunto vem à tona, quando se está diante de um animal em sofrimento intenso.
Sacrificar ou não sacrificar!
Será melhor para ele, acabar com o seu sofrimento? Como vamos saber?
Se isso fosse tão simples, a conduta também seria válida para o homem. Mas, sabemos que não o é. Basta lermos Obreiros da Vida Eterna, de André Luiz.
Por uma questão de bom-senso, concluímos que também não deve ser válida em relação aos animais.
Sei que existem situações muito difíceis, extremas mesmo.
Certa vez uma aluna contou-me que, em extensa fazenda no Mato Grosso, um cavalo rolou o barranco e quebrou o pescoço. Estavam muito longe da sede e não tinham como transportar o cavalo. Para não deixá-lo ali, sozinho, morrendo inclusive de sede, optaram por sacrificá-lo.
Respeito que essa foi a atitude que julgaram ser a melhor, no momento.
Mas, o que se vê por aí é lamentável! Animais companheiros de anos e anos, de repente são "descartados" pelos motivos mais variados e fúteis: mudou-se de casa para apartamento, o animal está com urina solta, ou ficou paralítico, está velho, queremos comprar outro para por no lugar, etc.
Como referiu Konrad Lorenz em Transcomunicação Instrumental relatada por Sônia Rinaldi na Folha Espírita de dez./92, "Às vezes nos envergonhamos de ter vivido como ser humano na Terra (referindo-se à matança de animas na Guerra do Golfo).
Muitas vezes as pessoas me perguntam sobre seus animais velhos ou doentes: - Sacrificar ou não? Sempre respondo lembrando-me de uma página de Emmanuel intitulada "Quanto Puderes", em que recomenda: "Quanto puderes, não te afaste do lar .... Quanto te seja possível, suporta ... Quanto estiver ao teu alcance, tolera ... , etc.". Assim, digo: Quanto puder, quanto lhe seja possível, quanto estiver ao seu alcance, faça opção pela vida. Vale a pena!
O caso de nossa cachorra Nãna foi muito difícil.
Ela veio aqui para casa, com mais ou menos um mês de vida, e em fase terminal de cinomose, uma das piores doenças que acometem cães. Foi abandonada no pátio da Faculdade de Veterinária da USp, aqui em São Paulo, e Cristiana, uma de minhas filhas, a encontrou.
Mil cuidados com a Nãna.
Cuidados médicos, espirituais e afetivos. Para surpresa de todos, ela sobreviveu.
Algumas seqüelas persistiram. Ela ficou com uma escoliose (coluna vertebral torta para um lado), uma mioclonia (uma perninha, de trás ficava o tempo todo em movimento) e também enxergava pouco.
E se isso não bastasse, passados uns meses ... convulsões. A Nãna estava epilética!
Mas, tudo bem! Também nos animais as crises convulsivas são evitadas com medicação diária. E, assim, a situação ficou sob controle.
Num fim de ano, fomos para o interior e deixamos a Nãna, durante três dias, aos cuidados de uma pessoa que estava acostumada com ela e com a sua bateria de medicamentos diários.
Nãna voltou com carrapatos ...
E eu pensei comigo: do jeito que a Nãna é complicada, só falta ela "pegar"alguma doença (transmitida por carrapatos).
"Pegou"!
Passaram-se uns dias e ela começou a mostrar icterícia e outros sintomas.
Apesar do tratamento, sobreveio um derrame cerebral intenso, e a Nãna ficou completamente paralítica. Só mexia a pontinha das orelhas, os olhos e os bigodinhos.
Montamos, em nossa copa/cozinha, uma verdadeira UTI e cuidamos dela, nessas condições, durante quase sete meses.
Em nossas preces, pedíamos aos espíritos que a ajudassem - Konrad Lorenz e outros espíritos zoófilos.
Até hoje, quando lembramos do quanto essa Nãna sofreu, questionamos se não teria sido melhor, para ela, a eutanásia.
Quem vai saber!
Como aqui em casa, nossa postura é a de sempre optar pela vida, foi o que fizemos com você, Nãna, e com todos os animais atropelados, sarnentos ou abandonados que de uma forma ou de outra vieram até nós.
O quanto enriqueceram nossas vidas supera de muito o que fizemos por vocês.
Ao longo dos anos, quanto pude aprender!
Vocês é que despertaram minha sensibilidade para os valores fundamentais da vida, onde quer que ela se manifeste.
De quanta coisa me arrependo!
Na ciência, somos levados a posturas equivocadas, de "frieza profissional".
Quanta bobagem, quanta omissão!
Quanto sofrimento impingimos a esses pobres seres que se amontoam nos laboratórios, à mercê de tudo e de todos.
E a gente, na "santa" ignorância, vai entrando no esquema ... Felizmente, todo sono tem seu despertar e hoje é bem acordada que peço perdão a todos os animais que prejudiquei ou não pude ajudar.
Felizmente, também a vida me colocou no contato com eles, em oportunidades de aprendizado para enxergar a beleza da criação e respeitar a todos.
E para nós, enquanto humanidade, que histórica e egocentricamente sempre nos colocamos como seres excelsos, a quem tudo o mais na natureza devia se curvar e servir, abre-se a maravilhosa compreensão de que somos parte integrante desse imenso Universo, rede cósmica de interligações que comprometem as menores partículas, inclusive as de que somos formados.
Não estamos mais sozinhos no topo da pirâmide aristotélica pois entendemos, agora, nossa participação no todo e a do todo em nós. Somos hoje yin e yang, razão e intuição. Cultivamos a Ciência e queremos merecer a Poesia. Afinal, como já ouvi de nosso querido confrade Hermínio C. Miranda, a Ciência é para os que estão aprendendo e, a Poesia, para os que já sabem.
Um dia chegaremos lá!

Irvênia Prada

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