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MEU ANIMAL AMIGO: EXISTE AMOR NOS ANIMAIS

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

EXISTE AMOR NOS ANIMAIS


O mundo parece voltar sua atenção para os animais dando-lhes a devida importância que merecem. Cientistas das várias regiões do planeta se empenham em desvendar os segredos que envolvem os seres ditos inferiores da natureza. Fatos e acontecimentos registrados ao longo de inúmeras pesquisas revelam atitudes e comportamentos surpreendentes no reino animal.
Como avaliar os sentimentos desses maravilhosos seres? Serão sentimentos semelhantes aos dos humanos? Como explicar o ciúmes, a depressão e outros distúrbios de comportamento presente em algumas espécies de animais?
Assistindo ao canal Discovery, acompanhei uma pesquisa realizada por uma cientista americana, cujo nome não lembro, a qual acompanhou um grupo de chimpanzés durante alguns anos, registrando o comportamento coletivo e individual dos seus componentes. O que mais me impressionou foi o caso de uma mãe chimpanzé e do seu filhote que revelou desde tenra idade um “amor” obsessivo por ela. Esse sentimento o dominou a tal ponto que, no momento em que sua mãe ficou novamente prenha e, obedecendo ao instinto, iniciou o processo natural do distanciamento enxotando-o do seu convívio e da sua dependência, demonstrou uma reação diferente dos outros chimpanzés da sua idade: recusou distanciar-se de sua mãe.
Para a chimpanzé mãe, esse comportamento tomou-se um grande problema, pois assediada diuturnamente pelo filhote, acabou tendo dificuldades no desenvolvimento da gravidez deixando de alimentar-se com o necessário para suprir suas necessidades que agora eram maiores em função o seu estado. Consequentemente, isso acabou comprometendo a sua saúde. Mas, mesmo assim conseguiu parir o novo filhote.
O assédio do filhote obcecado por ela demonstrava a manifestação de ciúmes, dificultando o trato do recém-nascido, acabando por provocar-lhe a morte prematura. A chimpanzé abalada na sua saúde não resistiu e morreu às margens de um riacho. Seu filhote apaixonado deitou-se ao seu lado e, com a cabeça apoiada em sua barriga, passou a acariciá-la, entrando em profunda depressão e ali mesmo morreu, demonstrando que não conseguiria viver sem ela.
Neste caso, podemos considerar que o jovem chimpanzé viveu um intenso amor pela sua mãe?
Não seria uma excessiva dependência? Talvez um descontrole do instinto? Mas o instinto não erra, então como julgar ou analisar tal comportamento?
Dispondo apenas das leis naturais muito bem delineadas cientificamente quando trata da evolução biológica, fica difícil aquilatarmos o psiquismo das espécies animais, porém, quando estamos informados sobre as leis da evolução espiritual do princípio inteligente, delineadas na Codificação Espírita, isso nos permite uma avaliação um tanto mais judiciosa sobre o assunto.
Graças a esse conhecimento passamos a compreender que todos os seres tiveram a mesma origem espiritual, ou seja, foram emanados do Criador na condição de Princípios Inteligentes imateriais e que, imantados ao processo irreversível da evolução, se ligam às espécies condizentes com suas condições evolutivas, estagiando em todos os reinos da natureza até culminar no ser humano.
Isso posto, é evidente que mesmo nos reinos inferiores, observamos que existe uma hierarquia entre as espécies onde reconhecemos facilmente os primatas como superiores às outras espécies. Porém, determinar uma escala ou reconhecer o encadeamento entre elas seria muito difícil, pois vemos em algumas aves, certos laivos de inteligência registrados hoje pela ciência, como é o caso das araras e dos papagaios, mas, mesmo assim, termos que considerar que os primatas estão mais próximos de se tornarem seres humanos do que qualquer outra espécie, inclusive pela sua constituição genética.
Sendo a espécie superior entre os seres inferiores, é evidente que o psiquismo demonstrado nas pesquisas científicas, revelam um ensaio das emoções humanas que no futuro irão desenvolver ao migrar para a espécie humana primitiva de algum planeta.
Afirmar que o filhote de chimpanzé extremamente apaixonado pela mãe, viveu o amor, da forma como nós humanos entendemos esse sentimento, seria uma afirmação sem respaldo científico, mas, analisando o fato com vistas aos conceitos espíritas, podemos ter uma compreensão maior dos sentimentos que envolveram nosso chimpanzé “amoroso”.
Vejamos o que dizem os espíritos que orientaram Kardec na questão 890 em O Livro dos Espíritos, no capítulo Amor materno e filial:
Será uma virtude o amor materno, ou um sentimento instintivo, comum aos homens e aos animais?
“Uma e outra coisa. A Natureza deu à mãe o amor a seus filhos no interesse da conservação deles. No animal, porém, esse amor se limita às necessidades materiais; cessa quando desnecessário se tornam os cuidados. No homem, persiste pela vida inteira e comporta um devotamento e uma abnegação que são virtudes. Sobrevive mesmo à morte e acompanha o filho até no além-túmulo. Bem vedes que há nele coisa diversa do que há no amor do animal.”
Segundo esta orientação, existe um amor instintivo nos animais, limitado às necessidades materiais, mas o amor que observamos no filhote de chimpanzé ultrapassou esses limites. Ele não cobrava da mãe o trato, mas sim o afeto, pois não mais dependia dela para se alimentar, alimentava-se sozinho como qualquer outro chimpanzé da sua idade.
Neste caso, teria ocorrido um aprimoramento do amor instintivo?
Uma coisa é certa, ainda temos muito o que aprender sobre nós mesmos e sobre os animais.
A inteligência e o amor nos animais domésticos
No livro A Gênese, no capítulo O Instinto e a Inteligência, diz o seguinte:
“O animal carnívoro é impelido pelo instinto a se alimentar de carne, mas as precauções que toma e que variam conforme as circunstâncias, para segurar a presa e a sua previdência das eventualidades são atas da inteligência.”
Hoje a visão da ciência está plena-mente de acordo com essa colocação dos espíritos; realmente existe em muitas espécies uma acentuada presença da inteligência manifesta nas atitudes de certos animais. Essa realidade é comprovada quando um animal assume uma atitude inteligente que não lhe foi ensinada.
Essa inteligência rudimentar e esse amor instintivo dilatados têm sido registrados com freqüência, principalmente na convivência do homem com o animal doméstico; são relatos interessantes de pessoas que viveram experiências inusitadas com os seus bichinhos de estimação.
O que observamos nessa relação homem animal, é que o animal acaba absorvendo o psiquismo do dono.
Principalmente o cão tende a assumir um comportamento semelhante ao da criança quando tenta imitar o pai ou a mãe.
Dono nervoso, cão nervoso; dono amoroso, cão amoroso; o poder de assimilação por parte do animal é muito grande. Quando o dono está triste o cão também demonstra tristeza; esse fenômeno é natural, o instinto cobra-lhe uma adaptação ao ambiente e às pessoas em face às suas necessidades materiais que são supridas pelo dono.
Observa-se então que os espíritos estão certos ao afirmarem que o amor nos animais, em geral, é instintivo e existe em função das necessidades materiais para a sobrevivência.
Mas, como explicar alguns casos onde esse amor extrapolou, demonstrando um afeto perene que os anos não conseguiram destruir?
Quando eu contava meus quinze anos de vida, um dia, eu e minha mãe, retornando do Centro Espírita que freqüentávamos, fomos seguidos por um cão magro e com sarna; tentamos enxotá-la, mas ele continuou nos seguindo e vez ou outra olhava para mim com um semblante que revelava a dor e o desespero; convenci minha mãe e nós o recolhemos em nossa casa.
Tratamos suas feridas e o alimentamos até se recuperar. Após o tratamento revelou-se um belo cão mestiço da raça collie; o batizamos de Rex; ficou em nossa casa durante um ano e tivemos que dá-lo a um amigo.
Passados cinco anos, estava eu e minha mãe fazendo compras na feira; ao longe ouvimos latidos que nos pareciam familiar. Para nossa surpresa avistamos Rex preso à corrente do dono, esforçando-se para vir em nossa direção. Será que ainda se lembrava de nós? Grande foi a nossa surpresa e alegria quando chegou até nós choramingando; eu me abaixei e o abracei e ele começou a lamber meu rosto e depois lambeu os pés de minha mãe e, após esta manifestação de carinho e afeto, o dono mal conseguiu se afastar, pois Rex lutava para permanecer conosco, mais acabou partindo arrastado pelo dono choramingando o tempo todo.
Então eu pergunto: Esse amor ainda existirá?
Eu me lembro emocionado e com um certo amor pelo Rex e por outros cães que eu tive. Mas e ele o Rex? Onde estará? Terá ainda o seu amor por mim e por minha mãe? É lógico que não; provavelmente deve estar reencarnado como chipanzé, um golfinho, ou quem sabe em um outro cão que agora desfruta do amor de outras pessoas. O importante é saber que foi o princípio inteligente que o animou, enquanto Rex continua sua marcha evolutiva em direção a Deus.
O amor que nutrimos pelos seres humanos e pelos animais não pode jamais ultrapassar a raia do bom senso e do equilíbrio, levando-nos aos exageros que transformam esse amor em um amor possessivo e deprimente, causando mais mal do que bem ao objeto do nosso afeto.
Repito: ainda temos muito o que aprender sobre nós mesmos e sobre os animais.
Nelson Moraes
Publicado na Revista Internacional de Espiritismo. Março de 2005.

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