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MEU ANIMAL AMIGO: Novembro 2008

sábado, 29 de novembro de 2008

PROTEÇÃO AOS ANIMAIS


Desde os tempos remotos os animais vêm encontrando dificuldades em sua convivência com o homem; porém, não menos verdade é que também, desde sempre, vozes isoladas ou grupos humanos têm se erguido em sua defesa. Vejamos alguns exemplos:1 - Religiões e religiosos Velho TestamentoAs Escrituras Sagradas estão repletas de citações referentes aos animais. Sem nos alongarmos, vamos buscar em Moisés a recomendação celestial do "Não matarás" (5° Mandamento), de mediano entendimento: a morte, de qualquer ser vivo, jamais deverá ser provocada.No Apocalipse 4: 6 a 11 e 5, quatro seres viventes à volta do Trono de Deus glorificam-no sem descanso; são semelhantes, respectivamente, ao leão, novilho, homem e águia em vôo. Considerando que Deus criou, ama e protege todos os seres que criou, a citação valoriza os animais, deixando límpido que junto ao Criador não estão apenas anjos...JesusJesus várias vezes se referiu aos animais de forma bondosa, como em Mateus 10:16, enaltecendo a prudência das serpentes e a simplicidade das pombas; na parábola da ovelha perdida configura o zelo e principalmente a estima do pastor pelos animais do seu rebanho. Se alguma vez comparou homens a animais, como quando Herodes queria matá-lo e o Mestre chamou-o de raposa (Mateus, 13:32), foi sempre no sentido figurado. Em socorro dessa tese - bondade de Jesus para com os animais - temos no livro A Gênese, de Allan Kardec, Cap. XV, n2 34, sugestiva opinião dissolvendo a notícia evangélica de que o Cristo teria autorizado demônios (espíritos obsessores) a "entrar" em porcos, após o que a manada atirou-se ao mar, perecendo. Em síntese, comenta Kardec que, além de manadas de porcos não serem comuns junto aos judeus, jamais seria possível um espírito humano animar o corpo de um animal (ainda mais 2.000 porcos, como quantificou Marcos, em 5:13).São Francisco de AssisFrancisco de Assis, Espírito iluminado, todo mansidão e pureza, é o exemplo máximo terreno de amor aos animais. Não só aos animais: a tudo criado por Deus! Sua vida apostolar teve como tônica o amor aos homens, aos animais, aos vegetais, aos minerais, aos astros e aos elementos naturais. Sua existência constituiu modelo de procedimento ecológico para as gerações futuras."Pai Francisco", como era carinhosamente chamado por seus companheiros e seguidores, a nosso ver, guardadas as proporções, representa para os animais e para a Natureza o que Jesus representa para os espíritos humanos e para a Terra.São BasílioNa liturgia de São Basílio (329/379), padre da Igreja Grega, bispo de Cesaréia da Capadócia - região central da antiga Ásia Menor - brilhante centro do cristianismo, encontramos esta belíssima oração: - Oh! Senhor! Aumenta em nosso interior o sentido da amizade com todos os seres que têm vida, nossos pequenos irmãos a quem Tu deste a Terra como seu lugar, junto conosco. Recordamo-nos envergonhados que no passado exercemos o domínio superior do homem, com desapiedada crueldade e assim a voz da Terra, que deveria ter subido até Ti em canções, tem sido um lamento. Oxalá nos demos conta que eles vivem não somente para nós, senão para eles e para Ti, e que eles amam a doçura da vida, da mesma forma como a amamos e te servem a Ti melhor, em seu meio, do que nós no nosso.IslamismoNo Alcorão, livro sagrado de cerca de 800 milhões de muçulmanos, em 40 países, representando a palavra textual de Deus - o Clemente, o Misericordioso -, encontramos incontáveis citações de que os animais são criação divina. Deus criou os animais para que servissem de cavalgadura, de transporte, de aquecimento ou de alimento para os homens.Nas suras (capítulos) e versículos que se referem aos animais, só transparece bondade e respeito para com eles. O emprego de animais, como transporte ou como alimento, é definido de forma clara, havendo várias proibições. É notável como o texto do Alcorão recomenda a proteção de Deus sobre os animais, mesmo quando necessários como alimento. E, nesse caso, quando forem destinados a alimento, que parte seja dada aos humildes e aos mendigos.Considerando que o texto corânico representa a lei civil, penal e moral para os muçulmanos, é indubitável que os animais que os servem têm o tratamento nele preconizado. Apenas como exemplo, vejamos parte da Sura n° 5, versículos l, 3 e 4: -"É-vos lícita a carne dos animais, exceto a que aqui vos é especificamente proibida.São-vos vedados o animal morto, o de porco e os animais imolados sob a invocação de outro nome que não o de Deus, os animais estrangulados, animais mortos por espancamento ou de queda ou por chifradas e os devorados por feras... São-vos vedados os animais sacrificados aos ídolos. São-vos permitidas todas as coisas boas bem como os animais caçados pelas aves e as feras por vós adestradas segundo os ensinamentos de Deus. Mas invocai Deus sobre eles.PensadoresVultos célebres da Humanidade também se expressaram em defesa dos animais:
- "A proteção aos animais faz parte cultura dos povos." Victor Hugo- "A civilização de um povo se avalia pela forma por que trata os animais." Humboldt- "A compaixão para com os animais é das mais nobres virtudes da natureza humana."Charles Darwin- "Se eu tivesse outra vida dedicá-la-ia inteiramente à luta contra a vivissecção." Bismark- "Entre a brutalidade para com o animal e a crueldade para com o homem, há uma só diferença: a vítima." Lamartine- "Ninguém se pode queixar da falta de um amigo, podendo ter um cão." Marquês de Maricá- "Falai aos animais, em lugar de lhes bater." Tolstoi- "- Por que é que o sofrimento dos animais me comove tanto?- Porque fazem parte da mesma comunidade a que pertenço, da mesma forma que meus próprios semelhantes." Emile Zola- "São Francisco de Assis os chamava de Nossos Irmãos Inferiores, porém, inferiores somos nós quando não os estimamos." Clóvis Hugues- "O erro da ética até o momento tem sido a crença de que só deva aplicar-se em relação aos homens". Dr.ALbert Scheweitzer- Finalizando as citações, Abraham Lincoln: Não me interessa nenhuma religião cujos princípios não melhoram nem tomam em consideração as condições dos animais".

Eurípedes Kuhl

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

OS ANIMAIS E O SAGRADO DIREITO À VIDA




I - As pesquisas científicas e os matadouros:Conquanto existam descobertas médicas que têm beneficiado a transferência de aprendizados farmacológicos e mesmo de transplantes, na relação animal-homem, às vezes ocorrem insucessos e inevitáveis acidentes, sempre indesejáveis. Tais fatos são irrecorríveis. Inescapável questionar se, excluído todo e qualquer auxílio advindo das conquistas científicas com experiências animais, o doente humano não poderia ser tratado de outras formas (fármacos minerais/vegetais, fitoterapia, medicina nuclear, medicina alternativa, homeopatia, psicoterapia etc.).Animais mortos em laboratórios ou em matadouros: quem tem esse direito e quem está com a razão? Dos laboratórios saem curas para as doenças e dos matadouros saem apetitosos filés...Fato-verdade: em ambos os casos; animais são sacrificados. A oposição-contenda permanece e recrudesce:- Quem aprecia um bom contrafilé, churrasco ou "picanha", ou uma costela bem assadinha, ou um lombinho, ou uma suculenta feijoada, ou um "galleto ai primo canto", ou um "frango a passarinho", ou uma canja, ou uma deliciosa peixada - absolutamente não se enrubesce em criticar o fim (nobre, para os cientistas) das cobaias em geral.- Já os pesquisadores espantam-se ante os críticos de seus trabalhos.No tocante à inflição de dor e ao sacrifício das cobaias, fatos esses nem sempre presentes em todas as experiências, mantêm incólume sua motivação. Consideram seu ideal científico no patamar de missão humanitária. Desconsideram reclamos dos defensores dos animais, julgando-se, eles próprios, vítimas - de intolerância, quando não de ignorância. Como quase todos os assuntos polêmicos na vida, neste é necessária muita ponderação, antes de quaisquer julgamentos, favoráveis ou contrários.Podemos estar equivocados mas pensamos que os cientistas, no consciente, agem com honestidade de propósitos, vez que seu objetivo é filantrópico, não só para a Humanidade, como também para os próprios animais. Assim, a comunidade científica considera benéfico e mesmo altruístico o seu trabalho. Sua consciência repousa em paz.Na equação oponente às pesquisas com animais, todos aqueles que eventualmente se alimentem de carne não podem, apenas por isso, ser demitidos do direito de oposição. Tamanha é atualmente a dependência alimentar da carne que os povos dela privados, seja por pobreza (alguns países da África), seja por religiosidade (índia), se debatem em penoso estado de míngua.- O que aconteceria ao mundo se repentinamente nenhum animal fosse jamais consumido?Certamente seria o caos, em termos de saúde pública, eis que a dieta proteica de carne (principalmente de bovinos) é tão transcendental quanto insubstituível costume de bilhões de pessoas. Além disso, há outro problema: o homem, para prover seu sustento de carne, espalhou incontáveis pastos, multiplicando assim o número de animais sobre a superfície do planeta; na hipótese considerada, tais animais continuariam se reproduzindo e aí, a breve tempo, como supri-los de vegetais nas proporções necessárias?Apenas como ligeiro comentário, eis o número de espécies vivas que Deus - a Inteligência Suprema do Universo - programou para esta grande casa que é o nosso mundo:- Animais• Protozoários (uma só célula).................................................................... 30.000• Metazoários (pluricelulares) Invertebrados.............................................. 820.000- Vertebrados• peixes, anfíbios, répteis, aves...................................................................46.600• mamíferos................................................................................................ 4.400Vida: Segundo idéia generalizada dos paleobiólogos, aproximadamente há 3,8 bilhões de anos, iniciou-se a vida, ligada a uma "sopa primordial", ou seja, região pantanosa, quente, onde moléculas simples foram se ajuntando.• No período cambriano (570 a 510 milhões de anos atrás), é provável que os animais tenham atingido a classe dos moluscos. Os invertebrados eram os animais mais evoluídos, habitantes dos mares de então.• No período devoniano (390 a 345 milhões de anos atrás), começaram a surgir os vertebrados mais primitivos.• No período paleogeno (há cerca de 65 milhões de anos), iniciava-se a evolução dos mamíferos, surgindo os placentários.Sabe-se hoje que os animais representam 3/4 da biomassa terrestre. Dessa biomassa, 15% são de formigas! Com seu fascinante e extremamente bem organizado sistema de vida, as formigas, na verdade, são canalizadoras de energias, no pioneiro trabalho de arar a terra, o que as situa em destaque na fauna dos insetos.O homemO homem foi o último a chegar no planeta, em termos de espécie animal. As fantásticas mutações, transformações, extinções e novas criações de espécies parecem ser o monumental trabalho da Vida, preparando a Terra para o advento do seu mais evoluído inquilino: o racional! Do período Plioceno (terrenos que formam o sistema da Era Terciária), há mais de 5 milhões de anos, ao Pleistoceno (terrenos que formam o sistema da Era Quaternária), há 1,8 milhões de anos, já os animais antropóides (semelhantes ao homem) eram prenúncio dessa chegada.Com efeito, o primeiro homem, "Homo habilis", apareceu há apenas dois milhões de anos. Seguiu-se-lhe o "Homo sapiens", que apareceu há apenas 400 mil anos; este, diversificou-se em "Homo sapiens neandertha-lensis" (há 80 mil anos) e, há 30.000 anos, em "Homo sapiens sapiens" - nós!Em termos de evolução humana, não há conhecimento que consiga explicar a fantástica sabedoria da Natureza, que agindo permanentemente, ao longo dos milhares de milhões de anos, povoou a Terra com a colossal fauna que nela habita! E sempre transformando e adaptando as espécies, de acordo com as novas características ambientais que sempre mudam! Já se vê que o uso de animais em pesquisas de laboratórios, bem como o sacrifício deles para transformarem-se em alimentos, merece mais profundas reflexões.Em primeiro lugar cumpre situar o planeta Terra e toda a vida nele existente como criação de uma causa inteligente - Deus - para a maioria dos homens. Balizando automaticamente a convivência entre as espécies vivas, a Natureza dotou todas com instinto de conservação, mobiliou os respectivos organismos com o necessário para viverem e procriar. Situou as espécies estrategicamente em diferentes "habitais", plenos de recursos para a vida e a sobrevivência.O homem, o ser inteligente da Criação, modificou o panorama terrestre, em razão de suas necessidades - alimentação de carne, inclusive. Um quadro mundial de alimentação puramente vegetariana demandará ações em etapas equilibradas para essa profunda transição, onde a inteligência seja igualmente empregada, agora em benefício da naturalidade.Ora, cabe refletir se o homem, na busca do seu conforto, ou sob qualquer outro pretexto, tem o direito de dispor da vida de seus ancestrais, ou de qualquer outro ser vivo. Abstraindo do pensamento mundial qualquer conceito ou corrente filosófica, a Lógica dirá que não, eis que a morte é fenômeno irrecorrível, tanto quanto a Vida é prerrogativa que exclui da capacidade humana a reposição daquilo que tenha subtraído.Em outras palavras: somente ao Criador compete o estatuto da Vida!Eurípedes KuhlNOTA: Caros confrades internautas, vocês poderão refletir o quanto é dificílima a nossa tarefa, ao procurar meios de efetuarmos a transposição quanto à alimentação (animal para vegetal completamente); devemos permeiar as variáveis desta transição. Por ser difícil e muito complexa esta tarefa, devemos lembrar de nosso procedimento ao efetuarmos uma Reforma Íntima: vamos milimetro a milímetro; palmo a palmo, uma conquista por vez, etc... Então as decisões para efetuarmos esta transição, poderemos também caminhar e implantar as idéias lentamente para que não afete nem homens, nem os animais, procurando colocá-las em ação provocando o menor sofrimento possível a ambos. E para isso algumas medidas podem ser tomadas para uma aplicação imediata:
1ª - Enquanto não conseguirmos liberarmo-nos completamente de alimentação de carne; devemos usar de nossa compaixão, procurando eliminar o sofrimento dos animais na hora da matança. (Quem já visitou um matadouro, sabe a que nos referímos).2ª - Devemos acabar o quanto antes com esta desapiedada crueldade com que tratamos os animais.
3° - Como os animais são nossos companheiros de jornada, e nos ajudam a desenvolver alguns belos sentimentos (amor, lealdade, companheirismo, etc..). Só quem já teve um animal de estimação tem todas as condições de avaliar a morte de um "companheiro". Por exemplo: Eu já tive vários animais de estimação, vários deles morrendo por idade avançada, mas em certo período de minha vida, (eu e minha irmã mais velha) tínhamos um porquinho recém-nascido, o qual, cuidamos muito bem que aparentemente ele adotou-nos como sua família. Mas, o tempo passa, ele cresceu ficando o que chamamos de "cachaço". Então era chegada a hora triste, pois, meu pai e avô deveriam abatê-lo para servir-nos de alimentação no Natal próximo, ainda ouço em minha alma o ecoar dos estridentes gritos de sofrimento. E agora eu pergunto: Vocês acham que tive coragem de comer a carne provinda dele? Nós devemos procurar conviver com eles em completa harmonia.
4° - Efetuar e documentar estudos referentes ao máximo possível de vegetais quanto à suas necessidades, o que eles podem oferecer, a melhor maneira de guardar e utilizar (pois, as nossas refeições deverão ser controladas e balanceadas de acordo com as nossas necessidades diárias, que é de + ou - 2.000 cal).
5° - Após este estudo bem detalhado, a aldeia global, deverá definir: o que, a onde, e quando preparar a terra procurando otimizar a produção com a qualidade (custo/benefício), alimentando o maior número possível de habitantes/por hectare.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008


VISÃO DOS ANIMAIS


O cão e o cavalo vêem ou sentem os Espíritos. Nunca testemunhastes a repugnância que manifestam, por vezes, esses animais, de passar por um lugar onde ignoravam tivesse sido enterrado um corpo humano? Certamente direis que seus sentidos podem ser despertados pelo odor particular dos corpos em putrefação. Então por que passam indiferentes ao lado do cadáver enterrado de um outro animal? Porque se diz que o cão sente a morte? Jamais ouvistes cães uivando sob a janela de uma pessoa agonizante, quando esta lhe era desconhecida? Não vedes, também, fora da superexcitação da raiva, diversos animais se recusarem a obedecer à voz do dono, recuar com medo, ante um obstáculo invisível, que parece lhes barrar a passagem? e se encolerizarem? e depois passarem tranqüilamente pelo mesmo lugar que lhes inspirava tão grande terror, como se o obstáculo tivesse desaparecido? Têm-se visto animais salvarem seus donos de um perigo iminente, recusando percorrer o caminho onde estes teriam podido sucumbir. Os fatos de visões nos animais se encontram na antigüidade e na idade média, assim como em nossos dias.
Assim, sem dúvida os animais vêem os Espíritos. Aliás, dizer que eles têm imaginação não é lhes conceder um ponto de semelhança com o espírito humano? e o instinto não é neles a inteligência rudimentar, apropriada às suas necessidades, antes que tenha passado pelos cadinhos modificadores, que a devem transformar e lhe dar novas faculdades? O homem também tem instintos, que o fazem agir de maneira inconsciente, no interesse de sua conservação. Mas, à medida que nele se desenvolvem a inteligência e o livre-arbítrio, o instinto se enfraquece, para dar lugar à razão, porque o guia cego lhe é menos necessário.
O instinto, que tem toda a sua força no animal, perpetuando-se no homem, onde se perde pouco a pouco, certamente é um traço de união entre as duas espécies. A sutileza dos sentidos no animal, como no selvagem e no homem primitivo, substituindo nuns e noutros a ausência ou insuficiência do senso moral, é outro ponto de contato. Enfim, a visão espiritual que, muito evidentemente, lhes é comum, posto que em graus diversos, também vem diminuir a distância que parecia erguer uma barreira intransponível. Contudo, nada concluais de modo absoluto: observai atentamente os fatos, porque somente dessa observação um dia vos surgirá a verdade. (Espírito de Moki - R. E. 1865)
Obs.: Este conselho é muito sábio, pois, evidentemente, apenas nos fatos é que se pode assentar uma teoria sólida; fora disto só haverá opiniões e sistemas. Os fatos são argumentos sem réplica, cujas conseqüências, mais cedo ou mais tarde, quando constatados, terão que ser aceitas. Foi este princípio que serviu de base à Doutrina Espírita, o que nos leva a dizer que ela é uma ciência de observação - Allan Kardec).

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

FIGURAS ANIMAIS NO PLANO ESPIRITUAL


Na literatura espírita, encontramos com bastante freqüência alusões a figuras de animais, no plano espiritual. Por exemplo, Hermínio C. Miranda, em Diálogo com as Sombras, descreve o "Dirigente das Trevas" como sendo visto quase sempre montado em animais. Brota imediatamente, em nossa mente, a pergunta: Qual a natureza desses animais?

Também André Luiz refere-se, em suas obras, a cães puxando espécies de "trenós" (Nosso Lar), aves de monstruosa configuração (Obreiros da Vida Eterna), e assim por diante.

Realmente, identificar a natureza dessas figuras de animais no plano espiritual, não é tarefa fácil. Alguns casos são de mais direto entendimento.

Assim, na GE XIV 14 lê-se que "o pensamento do Espírito cria fluidicamente os objetos dos quais tem o hábito de se servir; um avaro manejará o outro..., um trabalhador o seu arado e seus bois..."

Esses bois, portanto, não são animais propriamente ditos, mas criações fluídicas, formas-pensamento,

Em outras situações, em que são vistos animais, ou sentida a sua presença, existe também ainda a possibilidade de que sejam, mesmo, perispíritos de animais ou, se quisermos assim dizer, animais desencarnados, Digo animais desencarnados, mas haveria ainda a hipótese de serem também animais encarnados, em "desdobramento", estando então seu espírito e perispírito desprendidos do corpo físico, por exemplo, durante o sono. Mas, o Espírito Alvaro" esclareceu-nos, dentre muitas outras questões, que "os animais quando encarnados possuem raros desprendimentos espirituais, isso acontecendo apenas em casos de doenças, fase terminal da existência ou em casos excepcionais com a atuação dos Espíritos, pois geralmente permanecem fortemente ligados à matéria".

Essa a razão porque estou considerando, nesta possibilidade de explicação da presença de animais no plano espiritual, de modo particular os animais desencarnados, uma vez que a colocação de Álvaro me parece lógica e portanto aceitável.

O prezado confrade Divaldo Pereira Franco contou-me, certa feita, a ocorrência de interessante episódio, que tentarei reproduzir o mais fielmente possível. Autorizando-me, por carta, a citação de seu relato neste livro, acrescentou detalhes que passaram a contar da segunda edição em diante.

Há alguns anos, Divaldo foi convidado a proferir palestra em Campo Grande (MS), sendo recebido na residência da Sra. Maria Edwiges Borges, então presidente do Centro Espírita Discípulo de Jesus e mais tarde também presidente da Federação Espírita do Mato Grosso do Sul, quando de sua fundação. Ao chegar pela primeira vez à casa de d. Edwiges - que passou a hospedá-lo desde então, e estando no momento acompanhado por ela e alguns amigos, foi surpreendido por um enorme cão que saltou sobre ele, pondo-lhe as patas quase nos ombros. Acometido pelo susto, emitiu um grito, chamando a atenção das outras pessoas, que prontamente o argüíram sobre o acontecido. Ao elucidar, desconcertado, o que ocorrera, notou a emoção de d. Edwiges. Comovida, ela identificou, pela descrição feita por Divaldo, que se tratava de seu cão de estimação, que havia morrido há meses e ali estava dando o testemunho da sua imortalidade através da presença.

Segundo Divaldo, as pessoas que presenciaram o ocorrido certamente poderão testemunhá-lo.

Tudo leva a crer que o cão de d. Maria Edwiges, mesmo desencarnado, permanecia ali, no ambiente doméstico que o acolheu carinhosamente por muitos anos, enquanto encarnado, tendo sido, sua presença espiritual, detectada pela mediunidade de Divaldo.

Lindo, este caso!

Mas, esperem, tenho outro relato, também muito bonito, soobre a existência de animais no plano espiritual.

Em abril/99, após concluir palestra sobre a questão espiritual dos animais, na IAM - Instituição Assistencial Meimei, em São Bernardo do Campo - Sp, fui abordada pela Sra. Miltes Aparecida Soares de Carvalho Bonna, presidente da entidade. De passagem, disse-me sorrindo: - Devem ser os atavismos!, em resposta à alusão que, brincando, fiz a respeito do ar de nobreza e imponência de seu nome. D. Miltes tem a faculdade de desdobramento, condição em que participa do atendimento de entidades necessitadas. Assim, durante meses, contou-me ela, quando da realização desses trabalhos específicos, lá na Meimei, desdobrava-se e ia em socorro de Petra, uma jovem desencarnada em condições lamentáveis, que se encontrava em atendimento hospitalar, no plano espiritual. Mas, passava o tempo e a paciente não saia do seu estado de aparente "coma". Não dava o menor sinal de que estivesse respondendo ao tratamento, até que um dia, D. Miltes percebeu a figura espiritual de um lindo cãozinho branco e peludo que, como ela, também se aproximava do leito de Petra. A médium se surpreendeu, primeiro pelo inusitado da presença do animalzinho no plano espiritual e, segundo, pelo fato de presenciar, em seguida, a tão esperada manifestação da paciente que, despertada e exibindo evidente felicidade, exclamava: - Xuxu, ao mesmo tempo em que acariciava o seu alegre amiguinho.

Mais tarde, a própria Petra contou a d. Miltes que Xuxu havia sido sua única companhia, amiga e fiel, nos difíceis tempos que antecederam seu desencarne, e que seu maior sofrimento, ao ser levada para um hospital, ainda quando encarnada, consistia em não ter mais a presença do cãozinho a seu lado.

Nas seqüentes oportunidades em que se desdobrava e ia ao encontro de Petra, concluiu d. Miltes, percebia imediatamente a presença de Xuxu que corria à sua frente, acompanhando-a em direção ao leito de Petra.

Que maravilha a dedicação dos animais!

E eu fico me perguntando como é que este cãozinho foi parar lá, ao lado de Petra! É provável que os bons espíritos tenham facilitado o encontro, sabendo que a amizade de Xuxu seria um fator importante na recuperação da paciente.

Por outro lado, que pena a nossa insensibilidade em perceber melhor o íntimo dessas criaturas, pobres animais de que simplesmente dispomos para nos servir!

Talvez por isso, os Espíritos tenham dito (LE 607a) : ... É nessses seres (inferiores da Criação), que estais longe de conhecer inteiramente ... (destaque meu).

Aos poucos, vamos aprendendo ...

Não posso deixar de referir, novamente, a obra magnífica de Ernesto Bozzano Os Animais têm Alma?, que recomendo para leitura e aprendizado sobre o assunto, porque dos 130 casos descritos, de manifestações metapsíquicas envolvendo animais, muitos estão inseridos nessa categoria de fenômenos, ou seja, em que animais, pela atuação de seu perispírito são vistos e ouvidos ou sentida a sua presença.

Também Herculano Pires comenta a respeito de "casos impressionantes de materialização de animais, em sessões experimentais", em seu livro Mediunidade, Vida e Comunicação, cap. Xl, do que se presume que esses animais se encontravam previamente na dimensão espiritual.

Uma terceira possibilidade que vejo, em relação à presença de figuras animais no plano espiritual é a de perispíritos humanos se encontrarem metamorfoseados em formas animais sem, contudo, perderem a sua condição de Espíritos humanos, é claro!

É o fenômeno que se conhece com o nome de zoantropia (zoo = animal e antropos, do grego = homem), do qual uma variedade é a licantropia (lycos, do grego = lobo),

Temos o relato de um caso de licantropia no livro Libertação, de André Luiz. O obsessor, desencarnado, encontra a sua "vítima", uma mulher e conhecendo-lhe a fragilidade sustentada por um complexo de culpa, passa a acusá-la cruelmente, e conclui: "A sentença está lavrada por si mesma! Não passa de uma loba, de uma loba, de uma loba ... "

E assim, induzida hipnoticamente, a própria mente da mulher vai comandando a metamorfose de seu perispírito que, aos poucos e gradativamente, se modifica, assumindo por fim a figura de uma loba.

Diga-se de passagem, não foi o obsessor que diretamente transformou a sua figura humana, em loba. Foi ela mesma, ao aceitar a sugestão mental que partiu dele.

Afinidade e sintonia são os elementos básicos para o estabelecimento do "pensamento de aceitação ou adesão", conforme explica André Luiz em Mecanismos da Mediunidade, Caps. V e VI.

E por falar em perispírito de animais, em A Evolução Anímica, Gabriel Delanne comenta (resumidamente), que na formação da criatura vivente, a vida não fornece como contingente senão a matéria irritável do protoplasma e nada se lhe encontra que indique o nascimento de um ser ou outro, de vez que a sua composição é sempre uma e única para todos. É o perispírito, que contém o desenho prévio e que conduzirá o novo organismo ao lugar na escala morfológica, segundo o grau de sua evolução.

Animais e Erraticidade

No LP 224 encontramos a seguinte questão que Kardec coloca aos espíritos: O que é a alma (entenda-se humana) nos intervalos das encarnações?

R: "Espírito errante, que aspira a um novo destino e o espera. Nas questões que se seguem, lemos também a expressão "estado errante".

Um dos significados da palavra errante, no dicionário de Caldas Aulete é "nômade, sem domicílio fixo", e de errar, é "vaguear" (Errando ao acaso ... ). Por sua vez, erraticidade, o mesmo que erratibilidade, quer dizer: "caráter do que é errático. (Espir): Estado dos espíritos durante os intervalos de suas encarnações".

Bem, chegando aos animais, surge a natural curiosidade de se saber como o seu espírito se comporta na erraticidade, se é que para eles existe erraticidade.

No LE 600, lemos: "A alma do animal, sobrevivendo ao corpo, fica num estado errante, como a do homem após a morte?

R: "Fica numa espécie de erraticidade, pois não está unida a um corpo. Mas não é um Espírito errante. O Espírito errante é um ser que pensa e age por sua livre vontade; o dos animais não tem a mesma faculdade. É a consciência de si mesmo que constitui o atributo principal do Espírito. O Espírito do animal é classificado após a morte, pelos Espíritos incumbidos disso, e utilizado quase imediatamente: não dispõe de tempo para se por em relação com outras criaturas".

Bem, vamos por partes!

Algumas pessoas entendem, a partir deste texto, que os animais, assim que desencarnam, são prontamente reconduzidos à reencarnação.

A expressão "utilizado quase imediatamente" não necessariamente deve ter esse significado. O espírito do animal pode ser prontamente "utilizado" para uma infinidade de situações, dentre elas inclusive o reencarne e, então, em todas elas, "não dispõe de tempo para se por em relação com outras criaturas".

Entendo que os animais, sendo conduzidos por espíritos humanos, não dispõem de tempo livre, para atuarem à sua maneira mas, sim, conforme o estabelecido por seus orientadores. Alias, é o que sugere o texto em foco (LE 600): "o espírito errante é um ser que pensa e age por sua livre vontade; o dos animais não tem a mesma faculdade",

No LM 2ª, XXV 283, Kardec trata da possibilidade da "Evocação de Animais" e pergunta aos espíritos: "Pode-se evocar o espírito de um animal?" R: "O princípio inteligente, que animava um animal, fica em estado latente após a sua morte. Os espíritos encarregados deste trabalho, imediatamente o utilizam para animar outros seres, através dos quais continuará o processo de sua elaboração. Assim, no mundo dos espíritos, não há espíritos errantes de animais, mas somente espíritos humanos ... " Herculano Pires, tradutor da obra, faz a seguinte chamada em rodapé:

"Espíritos errantes são os que aguardavam nova encarnação terrena (humana) mesmo que já estejam bastante elevados. São errantes porque estão na erraticidade, não se tendo fixado ainda em plano superior. Os espíritos de animais, mesmo dos animais superiores, não tem essa condição. Ler na Revista Espírita nº 7 de julho de 1860, as comunicações do espírito Charlet e a crítica de Kardec a respeito.

Apesar da colocação dos espíritos ter sido taxativa, de que não há espíritos errantes de animais, os fatos falam o contrário. Se assim fosse, isto é, se não existissem animais (desencarnados) no plano espiritual, como explicaríamos tantos relatos?

Como explicaríamos a existência dos chamados "Espíritos da Natureza"? Trataremos deles no próximo capítulo e já posso adiantar que vivem na erraticidade!

Ernesto Bozzano, em Os Animais Têm Alma refere, dentre os 130 casos de fenômenos supranormais com animais, dezenas de episódios com aparição de bichos em lugares assombrados, com materializações e visão com identificação de fantasmas de animais mortos.

Quanto às referências de Charlet e a correspondente crítica de Kardec, voltarei em seguida.

"Nos mundos superiores, a reencarnação é quase imediata", lemos no LE 223. Se é assim a reencarnação dos espíritos humanos mais evoluídos, seria até de se esperar que os espíritos de animais, sendo mais primitivos, demorassem mais tempo para voltar à matéria sobre o que, entretanto, nada conheço de conclusivo.

Muito mais do que supomos, os animais são assistidos em seu desencarne, por espíritos humanos zoófilos, que os recebem no plano espiritual e cuidam deles.

Notícias pela Folha Espírita (dez.1992) nos dão conta de que Konrad Lorenz (zoólogo e sociólogo austríaco, nascido em 1903), o pai da Etologia continua trabalhando, no plano espiritual, recebendo com carinho e atenção animais desencarnados.

Também temos informações que nos foram transmitidas pelo espírito Álvaro, de que há vários tipos de atendimento para os animais desencarnados, dependendo da situação, especialmennte para os casos de morte brusca ou violenta, possibilitando melhor recuperação de seu perispírito. Existem ainda instalações e construções adequadas para o atendimento das diferentes necessidades, onde os animais são tratados.

Tendo sido perguntado se os animais tem "anjo da guarda", Álvaro respondeu que sim; alguns espíritos cuidam de grupos de animais e, à medida que eles vão evoluindo, o atendimento vai tendendo à individualização.

Concluindo, podemos dizer que para os animais é discutível se existe o estado errante ou de erraticidade. Eu particularmente estou propensa a aceitar que esse estado existe, sim, para os animais, se o entendermos como "o estado dos espíritos durante os intervalos das encarnações".

Se esses intervalos são curtos ou longos, não se sabe exatamente.

Tenho para comigo que existem situações as mais variadas possíveis, em face da grandeza da biodiversidade animal, devendo portanto acontecer tanto reencarnes imediatos, quanto mais ou menos tardios.

Por outro lado, existe ainda a consideração feita pelos espíritos (LE 600) de que o espírito errante pensa e age por sua livre vontade, além de ter consciência de si mesmo, o que não aconteceria em relação aos animais.

Mas, isso não aconteceria mesmo em relação a espíritos humanos em determinadas e graves condições de alienação mental, como é o caso dos "ovóides", a exemplo do que refere André Luiz em, Libertação, Cap. VII.

A rigor, nesta abordagem, teríamos que condicionar o conceito de erraticidade, não apenas ao fato do espírito (humano ou animal) estar desencarnado (vivenciando, portanto, o intervalo entre duas encarnações) como também às suas condições mentais do momento.

Desencarne e Reencarnação

Quanto ao reencarne dos animais, perguntou-se ao espírito Álvaro se os animais estabelecem laços duradouros entre si. "Sim, disse ele, existe uma atração entre os animais, tanto naqueles que formam grupos como naqueles que reencarnam já domesticados. Procuramos colocar juntos espíritos que já conviveram, o que facilita o aparecimento e a elaboração de sentimentos".

Os animais criam lados afetivos não apenas entre si, como também com os seres humanos, e disso temos provas todos os dias.

Aqueles que amam os animais, de modo geral sofrem bastante com o seu desencarne, às vezes "como se fosse uma pessoa da família"! - Alguns chegam mesmo a se sentirem culpados por amarem mais seus cães e gatos que certos parentes ...

Paciência, se não podemos amar a todos indistintamente! Vamos aos poucos, "tentando o amor até que ele domine soberano em nosso coração", conforme ouvi de uma gravação do prezado conferencista espírita Divaldo Pereira Franco.

Para as pessoas que lamentam a separação de seus queridos bichos desencarnados, tenho um lindo caso que me foi narrado pelo próprio Divaldo, quando do lançamento da 1a. edição deste livro, no II Congresso Espírita Mundial, realizado em Lisboa, Portugal, em outubro/98.

Contou-me ele que Chico Xavier possuía um cão de nome Dom Pedrito, de que gostava muito. Dom Pedrito foi atropelado e assim morreu, para desconsolo do Chico, que muito lamentou o acontecido. Uns tempos depois. Chico andava pela rua quando percebeu que estava sendo seguido por um cachorrinho, filhote. Surge então Emmanuel, o mentor do médium, que lhe diz: - Chico, pare e preste atenção neste cãozinho. É o Dom Pedrito que está voltando para você! Chico recolheu afetuosamente o filhote e deu-lhe o nome de Brinquinho, que será novamente lembrado no último capítulo, e do qual também se encontram referências nos livros escritos sobre a vida do famoso e querido médium Francisco Cândido Xavier.

Sobre reencarnação de animais muito queridos pelos seus donos, tenho o depoimento do sr. Gregório Benevenuto da Silva, conhecido por "Tito", que me foi gentilmente enviado pelo Dr. Marcelo Nalesso Lombardi, médico residente em Sorocaba -Sp, bastante sensivel em relação ao sofrimento dos animais, os quais vive recolhendo das ruas, salvando e cuidando. Que bom, Marcelo!

O sr. Tito, espírita desde os 11 anos, conforme acentua (agora tem perto de 40), e que trabalha no Grupo Espírita da Prece, de Piedade - SP e na Casa do Caminho, em Ibiúna - Sp, possuía um cão pastor de nome Leão, de singular inteligência e também muito bravo, que aos 5 anos morreu envenenado. Tinham uma forte ligação, motivo pelo qual todos na família sofreram demais com a perda do Leão. Sr. Tito estava mesmo resolvido a não ter mais nenhum animal, e assim se passaram três anos. Certo dia, teve de ir a uma loja de produtos agropecuários, e lá deparou com alguns filhotes de cão da raça pastor alemão, colocados à venda, em uma gaiola. Um dos filhotes chamou a sua atenção, pois assim que o viu passou a latir desesperadamente. Ficou intrigado, conforme salientou, porque havia umas seis pessoas ao redor da gaiola, todas brincando com os cãezinhos, menos ele que não queria se deixar envolver. Assim, disfarçou o quanto pode mas, vencido pela insistência do filhote, acabou não resistindo e levou-o para casa. Era uma 4a. feira, por volta de 15:00 horas, e a chegada do cãozinho ao lar foi uma festa só. À noite do mesmo dia, sr. Tito foi à Casa do Caminho, dirigir o trabalho de desobsessão, como sempre fazia. Um dos médiuns, o sr. Manoel de Aquino Resende, que vem a ser sobrinho de Eurípedes Barsanulfo, recebeu o espírito que se identifica como Max. Sem que ninguém dali soubesse do fato, Max referiu-se ao animalzinho que o sr. Tito levara para casa naquele dia, revelando tratar-se do Leão, que havia voltado. Explicou ainda que o amor dedicado pela família a esse animal havia possibilitado o seu retorno. Ele agora se chama Gibran e tanto quanto eu saiba, ainda vive feliz e satisfeito ao lado do sr. Tito, igualmente feliz e satisfeito.

Mais um caso bastante sugestivo de reencarnação de animais, voltando ao ambiente de afetividade em que se achavam envolvidos.

"Renasceu por Amor"! Este é o título de um dos livros de nosso eminente pesquisador espírita Hernani Guimarães Andrade, e focaliza a história de pessoas que se amavam e que se reaproximaram através da reencarnação. Pelos relatos que acabei de apresentar, é bem provável que a reencarnação também possa favorecer o reencontro afetivo de homens e de animais para que continuem juntos o aprendizado do amor.

E por que não?

E qual é a finalidade da reencarnação para os animais?

A finalidade é sempre a da oportunidade de progresso, conforme pude depreender dos itens LE 592 a 609.

Na Revista Espírita de Kardec III, 1860, encontramos várias dissertações feitas pelo espírito Charlet, a respeito da existência de animais em mundos adiantados, como Júpiter. Esse espírito faz inúmeras considerações, algumas fortemente contestadas por Kardec, e nas quais prefiro não me deter, uma vez que são contraditórias e não convencem, a mim pelo menos. Quando Kardec pergunta a Charlet o que pensa das reflexões (contestações) que a ele apresentou, responde: "Apenas as posso aprovar. Eu era pintor e não um literato ou cientista. Por isso, de vez em quando me deixo arrastar pelo prazer, novo para mim, de escrever belas frases, mesmo com sacrifício da verdade". (destaque meu)

Sem comentários!

Fico com a advertência expressa no LM 2ª XXVII 299: "Como só aos espíritos perfeitos é dado tudo conhecer, para os demais como para nós, há mistérios que eles explicam à sua maneira, segundo as suas idéias ... "

Herculano Pires (tradutor), em rodapé complementa: "Como Kardec sempre acentuou, devemos considerar os Espíritos como criaturas humanas desencarnadas e não como entes divinos. Essa posição natural evitaria que aceitássemos grande parte das suas comunicações, evitando muitos enganos".

Irvênia Prada

terça-feira, 25 de novembro de 2008

DOS ANIMAIS AOS MENINOS


Meu pequeno amigo:

Ouça.

Não nos faça mal, nem nos suponha seus adversários.

Somos imensa classe de servidores da Natureza e criaturas igualmente de Deus.

Cuidamos da sementeira para que lhe não falte o pão, ainda que muitos de nossa família, por ignorância, ataquem os grelos tenros da verdura e das árvores, devorando germens e flores. Somos nós, porém, que, na maioria das vezes, garantimos o adubo às plantações e defendemo-las contra os companheiros daninhos.

Se você perseguir-nos, sem comiseração por nossas fraquezas, quem lhe suprirá o lar de leite e ovos?

Não temos paz em nossas furnas e ninhos, obrigados que estamos a socorrer as necessidades dos homens.

Você já notou o pastor, orientando-nos cuidadosamente? Julgávamo-lo, noutro tempo, um protetor incondicional que nos salvava do perigo por amor e lambíamo-lhe as mãos, reconhecidamente. Descobrimos, afinal, que sempre nos guiava, ao fim de algum tempo, até ao matadouro, entregando-nos a impiedosos carrascos. Às vezes, conseguíamos escapar por momentos, tornando até ele, suplicando ajuda, e víamos desiludidos que ele mesmo auxiliava o verdugo a enterrar-nos o cutelo pela garganta a dentro.

A princípio, revoltamo-nos. Compreendemos, depois, que os homens exigiam nossa carne e resignamo-nos, esperando no Supremo Criador que tudo vê.

As donas-de-casa que comumente nos chamam, gentis, através de currais, pocilgas e galinheiros, conquistam-nos a amizade e a confiança, para, em seguida, nos decretarem a morte, arrastando-nos espantados e semivivos à água fervente.

Não nos rebelamos. Sabemos que há um Pai bondoso e justo, observando-nos, decerto, os padecimentos e humilhações, apreciando-nos os sacrifícios.

De qualquer modo, todavia, estamos inseguros em toda parte. Ignoramos se hoje mesmo seremos compelidos a abandonar nossos filhinhos em lágrimas ou a separar-nos dos pais queridos, a fim de atendermos à refeição de alguém.

Por que motivo, então, se lembrará você de apedrejar-nos sem piedade?

Não nos maltrate, bom amigo.

Ajude-nos a produzir para o bem.

Você ainda é pequeno e, por isto mesmo, ainda não pode haver adquirindo o gosto de matar. Não é justo, assim, colocarmo-nos de mãos postas, ante o seu olhar bondoso, esperando de seu coração aquele amor sublime que Jesus nos ensinou?

Neio Lúcio
Do livro Alvorada cristã. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

PERANTE OS ANIMAIS



Abster-se de perseguir e aprisionar, maltratar ou sacrificar animais domésticos ou selvagens, aves e peixes, a título de recreação, em excursões periódicas aos campos, lagos e rios, ou em competições obstinadas e sanguinolentas do desportismo.

Há divertimentos que são verdadeiros delitos sob disfarce.

No contacto com os animais a que devote estima, governar os impulsos de proteção e carinho, a fim de não cair em excessos obcecantes, a pretexto de amá-los.

Toda paixão cega a alma.

Esquivar-se de qualquer tirania sobre a vida animal, não agindo com exigências descabidas para a satisfação de caprichos alimentares nem com requintes condenáveis em pesquisas laboratoriais, restringindo-se tão-somente às necessidades naturais da vida e aos impositivos justos do bem.

O uso edifica, o abuso destrói.

Opor-se ao trabalho excessivo dos animais, sem lhes administrar mais ampla assistência.

A gratidão também expressa justiça.

No socorro aos animais doentes, usar os recursos terapêuticos possíveis, sem desprezar mesmo aqueles de natureza mediúnica que aplique a seu próprio favor.

A luz do bem deve fulgir em todos os planos.

Apoiar, quanto possível, os movimentos e as organizações de proteção aos animais, através de atos de generosidade cristã e humana compreensão.

Os seres da retaguarda evolutiva alinham-se conosco em posição de necessidade perante a lei.

“Todas as vossas coisas sejam feitas com caridade.”

— Paulo. (I CORÍNTIOS, 16:14.)

Ditado Pelo Espírito - André Luiz - Psicografia

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

MAUS TRATOS AOS ANIMAIS SÃO CONSDERADOS CRIMES

Um breve estudo de como tratar na Delegacia de Polícia para denunciar maus-tratos a animais e obter o B.O.

serve também para o RIO DE JANEIRO. PORQUE A LEI É FEDERAL

Caso você veja ou saiba de maus-tratos( ex:.manter animal trancafiado em locais pequenos ou mantê-lo permanentemente em correntes; envenenamento de animal; manter o animal em lugar anti-higiênico; golpear, mutilar um animal; utilizar animal em shows que possam lhe causar pânico ou estresse; agressão física a um animal indefeso; abandono de animais; não procurar um veterinário se o animal adoecer etc.- [ver art. 3º do Decreto Federal 24.645/34]), não pense duas vezes: vá à delegacia mais próxima para lavrar boletim de ocorrência ou, na dúvida, no receio, compareça ao fórum para orientar-se com o Promotor de Justiça (Promotoria de Justiça do Meio Ambiente em SP:011-3119.9524). A Denúncia de maus-tratos é legitimada pelo Art. 32, da Lei Federal n.º 9.605 de 1998 (Lei de Crimes Ambientais).

Preste atenção a esta dica: leve com você, por escrito, o número da lei (no caso a 9605/98) com o art. 32, porque em geral a autoridade policial nem tem conhecimento dessa lei, ou baixe pela internet a íntegra da lei para entregá-la na Delegacia.

Assim que o Escrivão ouvir seu relato sobre o crime, a ele cumpre instaurar inquérito policial ou lavrar um Termo Circunstanciado. Se se negar a fazê-lo, sob qualquer pretexto, lembre-o que ele pode ser responsabilizado por crime de prevaricação, previsto no art. 319 do Código Penal(retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal). Leve esse artigo também por escrito naquele mesmo pedaço de papel. (*)

O Escrivão irá tentar barrar o seu acesso ao Delegado, mas faça valer os seus direitos, exija falar com o Delegado que tem o dever de te atender e o dever de fazer cumprir a lei, principalmente porque você é quem paga o salário desses funcionários, com seus impostos.

Diga que no Brasil os animais são “sujeitos de direitos”, vez que são representados em Juízo pelo Ministério Público ou pelos representantes das sociedades protetoras de animais ( §3º, art. 2º do Decreto 24.645/34) e que, se a norma federal dispôs que eles são sujeitos de direitos, é obrigação da autoridade local fazer cumprir a lei federal que protege os animais domésticos.
Como último argumento, avise-o que irá queixar-se ao Ministério Publico (Denúncia ao Ministério Público - Tel: RJ (0**21) 2261-9954 / SP (0**11) 6955-4352 - meioamb@mp.sp.gov.br/ SC-(0**48) 229-9000- pgj@mp.sc.gov.br), à Corregedoria da Polícia Civil (Telefones em SP: 3258.4711; 3231.5536 e 3231.1775 – Rua da Consolação, 2333) e, ainda, que você fará uma denúncia ao Secretário de Segurança Pública (www.ssp.sp.gov.br)aliás, carregue sempre esses telefones na sua carteira. Para tanto, anote o nome e a patente de quem o atendeu, o endereço da Delegacia, o horário e a data e faça de tudo para mandá-lo lavrar um termo de que vc esteve naquela delegacia para pedir registro de maus-tratos a animal.

Se você estiver acompanhado de alguém, este alguém será sua prova testemunhal para encaminhar a queixa ao órgão público.

Se você tiver em mãos fotografias, número da placa do carro que abandonou o animal, laudo ou atestado veterinário, qualquer prova, leve para auxiliar tanto na Delegacia quanto no MP.

SAIBA QUE VOCÊ NÃO SERÁ O AUTOR DO PROCESSO JUDICIAL QUE PORVENTURA FOR ABERTO A PEDIDO DO DELEGADO!! Sabe por que? Preste atenção: O Decreto 24.645/34 reza em seu artigo 1º que : “Todos os animais existentes no país são tutelados pelo Estado”; e em seu artigo 2º - parágrafo 3º, que : “Os animais serão assistidos em juízo pelos representantes do Ministério Público, seus substitutos legais e pelos membros das Sociedades Protetoras dos Animais”. Logo, uma vez concluído o inquérito para apuração do crime, ou elaborado o Termo Circunstanciado, o Delegado o encaminhará ao Juízo para abertura da competente ação, onde o Autor da ação será o Estado.

Se o crime for contra Animais Silvestres (Animal Silvestre: são todos aqueles animais pertencentes às espécies nativas, migratórias e quaisquer outras, aquáticas ou terrestres, que tenham a sua vida ou parte dela ocorrendo naturalmente dentro dos limites do Território Brasileiro e suas águas jurisdicionais- fonte: www.renctas.org.br, e-mail: renctas@renctas.org.br), pode também dar ciência às autoridades policiais militares, mas, em especial, à Policia Florestal, anote: SP: 221.8699; São José do Rio Preto: (17) 234.3833; Guarujá: (13) 354.2299; Birigui: (18) 642.3955; ou ao IBAMA (Tel: 0800-618080 - "Linha Verde").

Se vc for do RJ, tenha em mãos o telefone do Disque-denúncia (0**21-2253-1177 ) que também recebe denúncias sobre maus-tratos, tráfico de animais, envenenamentos, trabalhos forçados, espetáculos que praticam abusos e maus-tratos ( circos, rodeios, brigas de cães e de galos etc.).

A prefeitura de SP tem um site onde você pode fazer solicitações de seus serviços, incluindo denúncias contra maus-tratos. O site é: http://sac.prodam.sp.gov.br/solicitacaoCadastro.asp mas tal procedimento é mais demorado e o auxílio pode vir tarde demais.


Uma outra dica também muito importante: Você sabia que as Associações de Bairro representam uma força associativa que pode provocar as autoridades na tomada de atitudes concretas em prol da comunidade?
Pois é, existe uma Lei de n.º 7.347,de 24.07.85, que confere a essas associações, qualificadas como entidades de função pública, ingressar em juízo na proteção dos bens públicos para preservar a qualidade de vida, inclusive com mandado de segurança(Constituição Federal, art.5º, LXX, "b") para a preservação desse bens e como a fauna é um patrimônio público, esta associação tem legitimidade para tanto.
Portanto, se o seu bairro estiver organizado em Associação, procure-a e peça que alguém o acompanhe até a Delegacia ou ao Fórum mais próximo.

Não se esqueçam também que o B.O. pode ser feito, dentro da Grande São Paulo, pela internet, através do site http://www.seguranca.sp.gov.br; basta preencher o B.O. na tela do computador e, em após um espaço de tempo, a Polícia entrará em contato para a confirmação das informações prestadas. A partir daí, o B.O. estará disponível para cópia via impressora, procedimento este, também, que é muito mais demorado para determinados casos que requerem urgência.

O que fazer quando presenciar maus-tratos ou ver cavalos ou burros doentes, magros? Não chame a carrocinha. Antes, peça orientação às Sociedades Protetoras de Animais ou, ainda, informe-se melhor acessando os únicos site brasileiros totalmente destinados aos eqüinos, à sua proteção e defesa:
http://geocities.yahoo.com.br/equinosbrasil/
http://www.providaanimal.hpg.ig.com.br/T3jeguesescravos.htm



Obras e artigos consultados:

01. Direito dos Animais, de Laerte Fernando Levai;
02. Direito dos Animais, de Diomar Ackel Filho;
03. Constituição Federal/88;
04. Código Penal;
05. Site www.arcabrasil.org.br ;
06. Site www.aprodan.hpg.ig.com.br/legisla.htm: ;
07. Site www.ibama.gov.br;
08. Site http://www.airnet.com.br/~falabicho/;
09. Site http://br.geocities.com/AnimaisSOS/entidades.html;
10. Site http://geocities.yahoo.com.br/equinosbrasil/
11. Site www.renctas.org.br


(*)RECLAMAÇÕES, QUEIXAS E SUGESTÕES SOBRE A ATIVIDADE POLICIAL
www.ouvidoria-policia.sp.gov.br

DISQUE- OUVIDORIA
DA POLÍCIA 0800-177070
Atendimento
de 2ª à 6ª feira
Das 9:00 às 17:00 h
ATENDIMENTO PESSOAL
das 9:00 às 15:00 h
Rua Libero Badaró, 600
Atualizado até maio/03.
MARIA CRISTINA AZEVEDO URQUIOLA- ADVOGADA -


Banco de Advogados Ativistas

Após o acompanhamento do movimento de defesa aos animais nos últimos anos, vejo que existem muitas dúvidas e que os procedimentos de esclarecimento nem sempre estão claros.
Com o objetivo de defender o Movimento de Defesa dos Animais contra maus tratos, contra a vivissecação e a favor da vida, vou formular um cadastro com advogados em todo o Brasil para direcionar dúvidas e indicar profissionais que possam oferecer assessoria jurídica aos interessados em colocar em prática os Direitos dos Animais.
Caso deseja participar, envie o seu Nome e Endereço para: advrofgo@terra.com.br
Rogério Gonçalves:"A sensibilidade no trato da questão animal se traduz em respeito ao mundo".

• Ajuda legal

Alguns esclarecimentos são sempre necessários quando tratamos dos aspectos da defesa do mundo animal.

A figura do ativista do meio ambiente, em muitos casos, é confundida com posição de histéricos sem ter o que fazer. Muito culpa nossa mesmo. Ao desenvolvermos atividades procurando a defesa animal, nos desviamos da conduta de educação e conscientização. Partimos ao ataque, muitas vezes pessoal. Isso não traduz fruto ao movimento. Nós cresceremos com denúncia. Com sabedoria. Com demonstração de civilidade, de carinho social. O amor à vida.

Buscando orientar na forma do procedimento em denúncias de maus tratos aos animais, tentarei de forma genérica, traduzir os passos que devem ser seguidos pelos ativistas.

É necessário um esclarecimento primordial. Quando nós ativistas nos vemos diante de um flagrante, ou de um ato criminoso de crueldade, abandono, ou qualquer forma de agressão, somos atingidos nos valores pessoais. De cada um. Assim, o ato condenado atinge seu aspecto criminoso, punido pelo Estado de Direito, e seu lado civil, o valor pessoal atingido, a pessoa que é atingida nos seus valores de sociedade. Seu lado justo. Sua moral. Os princípios que norteiam sua vida.

Dentro deste sentido, sempre que presenciamos a crueldade aos animais, e agimos em sentido inverso, estamos sendo atingidos em nossa moral. O Estado deve reprimir a atitude, nós, devemos sofrer uma reparação em nossos sentimentos, em nossos valores atingidos.

Tal compensação é cabível. E nem sempre deve ser traduzida em dinheiro. Pode ser determinado por atuação no sentido do bem estar animal. Tudo isso deve ser avaliado, e decidido pelo Poder Judiciário.

Outra informação que julgo extremamente importante, é o conhecimento da população do que seja, em rápida análise, o Ministério Público. O promotor público. Esta figura singular do Estado de Direito, é o fiscal da lei. Pode e deve ser informado das agressões à lei. Seja pela polícia judiciária, aquela dos distritos policiais, seja por denúncias. Toda cidade que possui um Fórum tem um promotor. Nas cidades grandes, onde existem foros regionais, há um ou mais em cada regional. Passíveis de recebimento das denúncias. Devemos fazê-las. isso dá força ao movimento.

É claro que estou raciocinando num mundo legal. Muitas vezes nos deparamos com dificuldades no atendimento das denúncias.

Compete à nós formularmos sempre corretamente, sempre com o maior número de prova e sempre com o maior respeito e educação, tudo almejando um bom entendimento. Lembre-se. Mesmo com muita má vontade, fica mais difícil dizer não quando nos deparamos com a educação e o sorriso.

Dentro deste sentido é bom sempre agirmos em dupla de ativistas. Procurando colocar no papel, num ofício, toda a situação que presenciamos e denominados cruel. Com o maior número de provas, documentos, fotos, endereços, cédula de identidade...etc. E o que é mais importante. ASSUMIR A DENÚNCIA. Não procurar o anonimato visando uma cobertura e com medo das represálias. Entendam. Se nós agimos, é porque entendemos que eles são o lado nefasto. Não tema seu inimigo. Respeito ao cidadão mas nunca ao seu lado cruel. O mal deve ser atacado. Medo? Sim. Respeito ao crime? NUNCA.

Agora procurarei orientar a postura do ativista frente a condutas sabidamente criminosas, ou seja, maus tratos definidos pela legislação.

De um modo geral, o dispositivo legal que deve ser aplicado é a LEI 9.605, DE FEVEREIRO DE 1998. ? Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências.

Neste diploma legal vem traduzido quase que na generalidade todas as atitudes condenadas quanto ao meio ambiente.

Como agir? Bem, já disse que toda cidade, município tem um Fórum, onde são discutidas as questões legais.

Assim também quanto aos postos policiais. Em alguns lugares denominados distritos policiais. Nestes há em esquema de plantão, policiais que devem estar ao serviço e na tutela da população.

O ativista deve, ressaltando mais uma vez, comparecer no distrito policial com o maior número de informações possíveis. Socorre-se o animal e após registra-se no posto policial a ocorrência. Em São Paulo, no Estado todo, temos o Boletim de Ocorrência e o Termo Circunstanciado de Ocorrência. A diferença é que este último só é aplicável em alguns casos. Na crueldade dos animais ele cabe.

O enquadramento é dado pela autoridade de plantão. Não devemos ensinar o trabalho de ninguém. Os ativistas comparecem como cidadãos. Buscando a tutela do Estado.

Repito. Respeito. Não submissão. Procurem ser atendidos e explicar com riqueza de detalhes. Sempre em dupla de ativistas.

Em caso de atendimento irregular, não se exaltem. Busquem o nome de quem lhes forneceu atendimento inadequado. Em São Paulo, há por detrás da autoridade de plantão, um quadro onde se vê o nome do delegado e equipe a que pertence. Anotem.

Lembrem-se. Papel. Provas. Ofícios. Esta é a saída. Somente com a força da punição estatal, conseguiremos educar e dar exemplo de nossos valores.

Buscamos a paz. Uma sociedade que respeite os diferentes. Que conviva. Liberdade de expressão, ação, sem conflito com o limite do outro.

Paz como objetivo. Amor como razão.

Rogério S. F. Gonçalves

OAB/SP nº 88.387


Em recente discussão na Escola Superior de Advocacia da OAB, chegamos a conclusão que manter animais em circo é prática inconstitucional. Isso pq a Constituição Federal proíbe os maus tratos e crueldade com os animais, e é justamente o que ocorre com os animais circenses. Cabe a nós, brasileiros, valer o que está escrito em nossa Carta Magna.

Neste caso, o primeiro passo seria ligar para a Polícia Ambiental (não tenho o tel aqui em casa, só no escritório; mas é só ligar para o 102 q eles informam!) e relatar o caso. Eles se diligenciarão até o local, e se possível, quem fizer a denúncia, ofereça-se para acompanhar os policiais pois desta forma eles dão mais crédito ao que for dito.

Não bastando, deve-se também denunciar o fato ao Ministério Público Estadual, que tem a divisão de Direito Ambiental que cuida destes casos. Os representantes do MP comparecerão tb ao local, e se acharem por bem, abrirão processo. O MP de São Paulo está localizado a Rua Riachuelo, 115 (centro) tel: 3119-9000. Site: www.mp.sp.gov.br



ESPECIAL LEGISLAÇÃO 3

O Especial Legislação desta semana trata ainda sobre a
RESPONSABILIDADE dos proprietários de cães. O artigo 17 da Legislação aborda
os deveres dos donos em relação ao alojamento de seu cão. Higiene,
sinalização e condições do local onde reside o animal é assunto desta
semana.

O lugar onde seu cão vive deve ser sempre limpo, ter um espaço
adequado ao seu tamanho e bem fechado, para que não possam nunca escapar. Se
seu o cachorro for de guarda, deve haver um aviso no portão e ele deve ser
mantido afastados dos medidores de luz e caixa de correio, de modo que não
ameacem os funcionários e pessoas que passam na rua.

Leia a Lei na Íntegra e veja se seu cão está alojado corretamente.
Vale também pra se defender, se algum cão fora dessas condições estiver lhe
incomodando, você pode denunciar ao agente sanitário do órgão municipal
responsável pelo controle de zoonoses. A multa é de R$ 30,00, R$ 100,00 na
reincidência e um acréscimo de R$ 50,00 a cada reincidência.

DAS RESPONSABILIDADES

Art. 17 - É de responsabilidade dos proprietários a manutenção de cães
e gatos em condições adequadas de alojamento, alimentação, saúde, higiene e
bem-estar, bem como a destinação adequada dos dejetos.

§ 1º - Os animais devem ser alojados em locais onde fiquem impedidos
de fugirem e agredirem terceiros ou outros animais.
§ 2º - Os proprietários de animais deverão mantê-los afastados de
portões, campainhas, medidores de luz e água e caixas de correspondência, a
fim de que funcionários das respectivas empresas prestadoras desses serviços
possam ter acesso sem sofrer ameaça ou agressão real por parte dos animais,
protegendo ainda os transeuntes.
§ 3º - Em qualquer imóvel onde permanecer animal bravio, deverá ser
afixada placa comunicando o fato, com tamanho compatível à leitura à
distância, e em local visível ao público.
§ 4º - Constatado por agente sanitário do órgão municipal responsável
pelo controle de zoonoses o descumprimento do disposto no "caput" deste
artigo ou em seus parágrafos 1º, 2º e 3º caberá ao proprietário do animal ou
animais:
I - Intimação para a regularização da situação em 30 (trinta) dias;
II - Persistindo a irregularidade, multa de R$ 100,00 (cem reais);
III - A multa será acrescida de 50 (cinqüenta) por cento a cada
reincidência.




ESPECIAL LEGISLAÇÃO 2

Esta semana o Especial continua falando sobre a RESPONSABILIDADE dos
proprietários de cães. O artigo 16 da Legislação dá continuidade à parte da
lei que começamos a abordar a semana passada e fala sobre a responsabilidade
de recolher as fezes de seu cãozinho das vias públicas.


Pois é, não parece muito agradável pegar o cocô com um saquinho. Mas
muito mais desagradável ainda é cruzar as fezes de vários cachorros da
vizinhança. E pisar então? E quando ele está na sua calçada?

A multa para quem confunde a rua com banheiro, (mesmo porque em casa
não deixamos coco nos incomodando) é R$ 10,00. Aposto que ninguém já cruzou
um fiscal para isso, você já viu? Mesmo assim é indiscutível, né? Tem que
pegar!!! Leia o artigo da LEI Nº 13.131, 18 DE MAIO DE 2001

DAS RESPONDABILIDADES

Art. 16 - O condutor de um animal fica obrigado a recolher os dejetos
fecais eliminados pelo mesmo em vias e logradouros públicos.

Parágrafo único - Em caso do não cumprimento do disposto no "caput"
deste artigo, caberá multa de R$ 10,00 (dez reais) ao proprietário do
animal.




ESPECIAL LEGISLAÇÃO

Você sabia que existem leis que protegem os animais e penalizam até
com prisão os responsáveis por abandono e maus-tratos?

Quem tem cachorro precisa conhecer a legislação que diz respeito ao
assunto. Isso é imprescindível para você não cometer um ato ilícito só por
ignorar as leis. Você sabia, por exemplo, que passear com seu cão solto
resulta em uma multa de R$ 100,00 ?

Acompanhe este no Blig Dog, toda semana postaremos aqui uma parte da
lei para que você a conheça, passe a agir de acordo com ela, se previna e
saiba identificar procedimentos ilegais no tratamento dos cães.

Sabe aquele cachorro solto que sempre tumultua seu passeio com seu
amigão, lhe obrigando a passar com paus e pedras na mão para espantar o
brigão inxirido?

Saiba que você pode denunciá-lo ao Centro de Zoonoses e também à
Polícia. Cachorros soltos nas ruas ou passeando com seu dono fora da coleira
ameaçam o bem-estar dos cidadãos e devem ser denunciados. Leia logo a baixo
a lei que trata sobre o assunto e os telefones que você precisa ter em mãos
para exigir que a lei seja cumprida:

LEI Nº 13.131, 18 DE MAIO DE 2001 (Projeto de Lei nº 116/2000, do
Vereador Roberto Trípoli - PSDB)

DAS RESPONSABILIDADES

Art. 15 - Todo animal, ao ser conduzido em vias e logradouros
públicos, deve obrigatoriamente usar coleira e guia, adequadas ao seu
tamanho e porte, ser conduzido por pessoas com idade e força suficiente para
controlar os movimentos do animal, e também portar plaqueta de identificação
devidamente posicionada na coleira.
Parágrafo único - Em caso do não cumprimento do disposto no "caput"
deste artigo, caberá multa de R$ 100,00 (cem reais), por animal, ao
proprietário.

Leia sobre esta lei em São Paulo.
http://www.ig.com.br/paginas/igdog/f
t/materias/165501-166000/165985/165985_1 .html
TELEFONES:
Endereço do Centro C. Zoonoses:
Rua Santa Eulália, 86 - Santana
CEP: 02031-020 Telefone: 6224-5500 Polícia: 190




Não são apenas os seres humanos que devem ter seus direitos assegurados. Os animais, sejam eles domésticos ou selvagens, também devem ser respeitados, tratados com dignidade e carinho. Como as pessoas, eles têm direitos assegurados por lei e que não podem deixar de ser considerados.

O artigo 164 do Código Penal, por exemplo, diz que é crime a "introdução ou abandono de animais em propriedade alheia, sem consentimento de quem de direito, desde que o fato resulte prejuízo''. O autor do abandono, quando denunciado, fica sujeito de quinze dias a seis meses de prisão ou multa.

A Constituição Federal, no capítulo VII do artigo 225, garante a proteção da fauna e flora "às práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade''.

Já a legislação, no Decreto Lei número 24.645, de julho de 1934, condena o "abuso e a crueldade contra qualquer animal''. São considerados maus-tratos: manter animais em locais anti-higiênicos; obrigá-los a trabalhos excessivos ou superiores a suas forças; golpear, ferir ou mutilar voluntariamente; deixá-los sem água ou alimento por mais de doze horas; abater para o consumo ou fazer trabalhar os animais em período de gestação avançada, entre outras práticas.

Infelizmente, para prejuízo dos animais e também dos seres humanos que convivem com eles, estas leis não são cumpridas da forma que deveriam e ainda são pouco conhecidas da maioria da população. Nas grandes e pequenas cidades, são inúmeras as atrocidades cometidas contra cães, gatos, cavalos e outros animais. "Diariamente nos deparamos com casos de estupro de cadelas, espancamentos realizados por puro vandalismo, mutilações e muita maldade do homem contra os animais'', revela a presidente da organização não-governamental SOS Bicho, Rosana Vicente Gnipper.

Abandono

A violência mais visível cometida nos meios urbanos é o abandono. Só em Curitiba, segundo a SOS Bicho, existem cerca de 92 mil cães nas ruas. Destes, 50% são tidos como abandonados pelos donos e 50% têm donos mas vivem nas ruas, muitas vezes voltando para casa apenas para dormir. O número de gatos e outros animais abandonados não é conhecido, mas a organização acredita que também seja bastante alto.

"Muita gente adquire um animalzinho quando ele ainda é pequeno. Quando o bicho começa a crescer, deixa de brincar, começa a dar trabalho e gerar despesas, é abandonado. Isto faz com que o animal sofra muito'', comenta Rosana. A incidência de abandono é muito grande e contribui para que cada vez um número maior de animais viva nas ruas, inclusive ameaçando o bem-estar do próprio ser humano.

Um problema também bastante preocupante, principalmente neste período de férias, são animais abandonados dentro de suas próprias casas. Muitos donos viajam por longo período de tempo e deixam seus animais de estimação sozinhos, acorrentados, sem abrigo contra o sol e a chuva, sem água e sem comida. "Os donos largam os bichinhos sem ninguém para tomar conta. Muitos chegam a morrer de desidratação e desnutrição".

O mesmo acontece com cães de guarda pertencentes a empresas de locação pouco responsáveis. Muitos animais são colocados em terrenos baldios, casas e indústrias desabitadas sem as mínimas condições de sobrevivência. É comum que os responsáveis pela locação passem diversos dias sem visitar os animais, que também ficam sem se alimentar, acabam estressados e não são socorridos quando se ferem.

"As empresas de locação de cães de guarda são autorizadas a funcionar, mas não há nada que normatize este funcionamento. Isto faz com que os animais sejam grandes vítimas de pessoas que querem ganhar dinheiro sem se preocupar com seus direitos", revela a representante da SOS Bicho.

Livro esclarece relação entre o dono e o animal

O desconhecimento da população em geral sobre os direitos dos animais fez com que a advogada Daniele Tetü Rodrigues, de Curitiba, escrevesse um livro sobre o assunto. Em outubro do ano passado, pela editora Juruá, ela lançou O Direito & os Animais -Uma Abordagem Ética, Filosófica e Normativa.

"As pessoas sabem que são cometidas brutalidades contra os animais, mas geralmente isto fica bastante longe da realidade delas'', afirma Daniele. "Acredito que os animais não estão uma categoria abaixo dos homens. São seres que sentem dor e frio, que devem viver lado a lado com o ser humano e que não podem ser tratados como coisa."

No primeiro capítulo de sua obra, Daniele tenta derrubar a idéia do homem como ser superior aos animais. No segundo, faz uma abordagem específica na área de Direito, mostrando o histórico das principais leis protecionistas à fauna brasileira. No terceiro e último capítulo, fala da propriedade privada dos homens sobre os animais.

O livro, que tem 162 páginas, está à venda por R$ 25,00. Pode ser encontrado nas livrarias Curitiba e Saraiva ou na própria editora.

Vítimas da ganância do homem

Assim como os animais domésticos, os silvestres, também chamados de selvagens, são grandes vítimas da ganância dos homens e da ação deles sobre a natureza. O comércio ilegal é hoje a principal ameaça a muitas espécies consideradas em extinção, como o papagaio-da-cara-roxa, o sagüi, tartarugas marinhas, iguanas, macacos, entre outras.

No município de Tijucas do Sul, o Centro de Triagem de Animais Selvagens (Cetas) recebe, através de uma parceria com o Ibama, a PUCPR e a Polícia Florestal, animais que as pessoas criam ilegalmente em casa, doados ou apreendidos nas mãos de comerciantes ilegais. Muitas vezes, eles chegam em péssimas condições de saúde.

"Quando os animais chegam, passam por exame e vão para tratamento. Depois de recuperados, ou são soltos ou vão para zoológicos e criadores'', informa a veterinária residente do local, Camile Lugarini. "A soltura ou não do animal depende de sua procedência, de seu estado de saúde e de áreas que possam comportá-lo''.

Camile conta que geralmente os animais selvagens são retirados da natureza ainda filhotes. De acordo com uma estatística da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), de cada dez animais retirados de seu habitat apenas um consegue sobreviver. "Geralmente, os animais selvagens retirados da natureza são vendidos irregularmente em beiras de estradas. As pessoas os adquirem e, quando eles começam a crescer, os soltam em locais errados. Isso gera grandes problemas ambientais e compromete a saúde do animal'', afirma a veterinária. "Orientamos as pessoas a não adquirirem animais selvagens e denunciarem pessoas que os criem de maneira inadequada''.

Os animais que conseguem sobreviver e permanecem com as pessoas que os adquiriram, geralmente também não vivem em boas condições. Por desinformação, muitos dos compradores os alimentam de forma inadequada, os mantêm enclausurados, sem companhia de outros da mesma espécie e não conhecem as reais características dos animais.

Os animais apreendidos pelos comerciantes ilegais são levados para outros estado da federação e até para outros países, onde adquirem valor financeiro bastante alto.

Segundo o Departamento de Polícia Federal, a cada ano 12 milhões de animais, a maioria integrante da lista de espécies em extinção, são apanhados na fauna brasileira. Deste total, 3,6 milhões são levados ao exterior. O tráfico internacional de animais movimenta US$ 10 bilhões por ano em todo o mundo. Só o Brasil é responsável por US$ 1,5 bilhão, o equivalente a 15%.

Algumas espécies estão em extinção

No Paraná, as atenções estão voltadas ao papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasilienses), espécie de animal selvagem considerada em extinção desde a década de oitenta. A ave, de penagem colorida, é endêmica da região litorânea.

Segundo a coordenadora do projeto de conservação do papagaio-de-cara-roxa da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), Elenise Angelotti Sipinski, atualmente existem 4.500 papagaios, sendo 3.500 no litoral do Paraná e o restante no litoral sul de São Paulo e litoral norte de Santa Catarina.

"Os pescadores paranaenses contam que, há cerca de quarenta anos, o céu ficava verde de tantos papagaios-de-cara-roxa que sobrevoavam a região. Atualmente, é muito raro ver o animal'', conta Elenise.

A principal ameaça à espécie são as mudanças ambientais. A degradação da Floresta Atlântica faz com que haja escassez de alimentos ao papagaio e que diminua o número de árvores disponíveis para a construção de ninhos e a busca de abrigos. Outro problema é o comércio ilegal. A beleza do papagaio-de-cara-roxa faz com que ele seja um grande atrativo aos comerciantes de beira de estrada e que atuam em mercados públicos. "É muito difícil saber quem são esses comerciantes ilegais. Eles retiram os papagaios ainda filhotes dos ninhos e os vendem a turistas, que muitas vezes compram sem saber das conseqüências ambientais que isso gera'', comenta.

Além de ser levado a outras regiões do País, o papagaio-de-cara-roxa também é enviado pelos traficantes de animais aos Estados Unidos e a países da Europa. "É muito difícil o papagaio conseguir sobreviver fora de seu habitat natural. A compra do animal incentiva o comércio ilegal e ninguém deve efetuá-la'', finaliza Elenise.

sábado, 15 de novembro de 2008

AMOR E RESPEITO AOS ANIMAIS

Qualquer pessoa pode ser protetora de animais. No dia-a-dia de todos nós, animais compõem a paisagem e, com pequeninos gestos de amor, poderemos agir em benefício deles. Não custa nada amar aos animais e necessariamente o retorno desse amor se fará presente em nossas vidas. Passamos a enumerar algumas situações nas quais nossa opção preferencial de amparo aos animais se constituirá numa atitude digna e principalmente cristã:

1 - Educação infantil
Conta-se que Licurgo foi convidado a falar sobre a educação. O grande legislador de Esparta aceitou, mas pediu um ano para preparar o material que iria apresentar.- Por que um homem tão sábio ocuparia tanto tempo para compor simples exposição de idéias? Exigência aceita, prazo cumprido, ei-lo diante da multidão que compareceu para ouvir-lhe os conceitos. Trazia duas gaiolas. Numa estavam dois cães; duas lebres na outra.
Sem nada dizer, tirou um animal de cada gaiola, soltando-os. Em instantes o cão estraçalhou a lebre. Libertou em seguida os restantes. O público estremeceu, antevendo nova cena de sangue. Surpresa: o cão aproximou-se da lebre e brincou com ela. Esta correspondeu, sem nenhum temor, às suas iniciativas.
- Aí está, senhores - esclareceu Licurgo -, porque pedi prazo tão extenso, preparando esses animais. O melhor discurso é o exemplo. O que mostrei exemplifica o que pode a educação, que opera até mesmo o prodígio de promover a confraternização de dois seres visceral e instintivamente inimigos.
Se é possível educar animais, mesmo antagônicos, levando-os à convivência pacífica, naturalmente será possível educar as crianças, incutindo-lhes desde cedo o respeito devido a Deus, aos semelhantes e à Natureza - fauna e flora. A criança, em particular, em casa, na escola e na sociedade, deve ser esclarecida quanto às normas cristãs de amor e respeito, aí incluindo-se os animais. Deve ser enfatizado que maus-tratos aos animais embrutecem o homem, pois isso é crueldade, que em nada dignifica a alma. As crianças são sensíveis ao aprendizado e, se lhes for demonstrado que os animais sentem dor como nós próprios, certamente serão protetoras de animais por toda a vida.
O inevitável sacrifício de animais para servir de alimento, em hipótese alguma pode se revestir de pavor, crueldade e dor para com eles: a maneira deve ser a mais rápida e mais indolor possível. Quanto a insetos daninhos (moscas, mosquitos, baratas, escorpiões etc.) devem ser eliminados mas sem características de crueldade, isto é, de um golpe só.
A criança deve ser informada que tais insetos não são "inimigos", mas, sim, seres criados também por Deus: vivendo em rudimentar estágio, estão na Terra em razão de este planeta também abrigar outros seres - nós, inclusive - todos em processo de evolução. Em mundos felizes, certamente, inexistem tais nocivas criaturas, aqui, meros instrumentos consentâneos com a evolução terrena.
A exemplo do que já acontece em outros países, de todo recomendável seria a criação, nas escolas, dos chamados "Grupos de Proteção aos Animais" ou "Grupo de Assistência aos Animais"; pertencer como sócio a um desses grupos é dignificante para a criança, para a família e para a Pátria; com seriedade e ardor, semelhantes aos dos escoteiros que protegem os seres indefesos, os sócios desses grupos muito poderão fazer pelos animais, usando sua natural energia e criatividade. Como sugestão, o coordenador pedagógico ou educador responsável pelo Grupo poderá designar, para cada espécie animal, uma equipe de "advogados de defesa".
A(s) criança(s) proporia(m), na escola toda, algumas questões do tipo:
• como devem ser tratados os cavalos? E os cães? E os gatos?
• você sabia que os sapos são extremamente úteis aos jardineiros e na roça, pois comem pragas?
• você já pensou no benefício que os urubus, gaviões e crocodilos fazem ao homem, comendo animais mortos? Pois, do contrário, esses restos mortais poderiam contaminar o meio ambiente?
• quem gostaria de morar a vida toda numa gaiola ou numa jaula?...
Conquanto a educação aqui preconizada refira-se à criança, esforços deverão também ser envidados - por todos os segmentos sociais, principalmente os escolares e religiosos para que os adultos dêem o exemplo.

2 - Piedade
O sentimento de piedade demonstra elevação espiritual, principalmente quando seguido da respectiva ajuda para a cessação da causa do sofrimento. Só que se deve sentir piedade, não apenas por semelhantes, mas também pelos animais. A emoção piedosa será a mesma, em ambos os casos. A piedade antepõe-se vigorosamente à crueldade, obstando-a, quando não a eliminando. Tanto a piedade quanto a crueldade têm a proprie­dade de se multiplicar; por isso, melhor será sempre in­crementar aquela, com isso banindo esta.
A piedade é a ante-sala do Amor, assim como a crueldade o é da violência.

3 - Animais abandonados
Cães e gatos, principalmente, "sem casa", perambulando perdidos pelas ruas, famintos, arredios, apavorados, nascem pelos mesmos mecanismos divinos da vida, dos demais seres vivos, estando em árduo processo evolutivo. Merecem nossa compaixão e mais que isso: merecem nosso apoio! Sendo possível, devemos alimentá-los, jamais escorraçá-los. Na hipótese de um animal estar acometido de hidrofobia (raiva), eleja não sabe o que faz. Está sofrendo. Normalmente, anda de cabeça baixa e em silêncio, triste. Espuma na boca pode significar duas anomalias distintas: ou "raiva" ou envenenamento cruel.
Nesses casos, deve-se apelar para as autoridades municipais, que apreenderão o animal e, conforme o caso, por inevitável, o sacrificarão. Cabe aqui lembrar que o mundo é lugar destinado também para os animais e isso é decisão divina. Negar-lhes tal direito conflita com o respeito a Deus. O abandono de um animal é condenação certa. O autor desses dolorosos quadros que o cotidiano nos mostra, agindo irresponsavelmente, cedo ou tarde terá que prestar contas à sua consciência.

4 - Eutanásia-animal
A revista mexicana La Voz de los Animales considera que o abandono de animais (de estimação) é para eles o pior castigo; recomenda que é preferível proporcionar-lhes morte piedosa (se possível, sob cuidados de um veterinário). Conquanto a admiração que nutrimos por aquela revista - toda ela dedicada à proteção dos animais -, respeitosamente discordamos. Discordamos porque, como cristãos, jamais poderíamos aceitar um ou outro procedimento, à guisa de tal ser imperativo.
Se é ruim o abandono do animal que conviveu longos tempos sob a proteção do seu dono, pior será sua execução, quando tal proteção não mais seja possível. O fato é que não se deve descartar de um animal de longa convivência doméstica como se desfaz de um chinelo velho: qualquer argumento falecerá ante as regras da vida e da ética. Morte piedosa do animal, talvez, só quando o veterinário atestar que traumas ou doenças sejam irreversíveis, além de acompanhadas de dores insuportáveis.

Obs.: Não podemos confundir fatos e nem devemos nos esquecer que no O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. V, n5 28, consta ser grave equívoco a eutanásia, sob o pretexto de carma sendo esgotado nos casos de doenças incuráveis, com desencarne previsto pela Medicina. O espírito humano tem aí (paciente terminal) preciosíssima oportunidade de reflexão e arrependimento, crescendo às vezes num minuto o quanto não o fez na vida toda.
Quanto ao animal, possuindo também uma alma, embora diferente da humana, não lhe é acometido carma (nem bom, nem mau - por não possuir livre-arbítrio), nem lhe ocorrem reflexão ou arrependimento, em qualquer instante, de atos praticados durante sua vida (por não possuir consciência). Dever cristão é que impõe ao dono ampará-lo até o último sopro de vida, para morrer em paz e para com gratidão ao ser humano chegar às regiões espirituais que Deus lhe concede.

5 - Cemitério para animais
Aqui, muitas pessoas "gente boa" torcem o nariz quando ouvem falar nisso. "Se os cemitérios já andam lotados com gente, era só o que faltava pensar em cemitério para animais..." -argumentam. Não deveriam. Enterrar animais, quando não seja por afeto, por respeito, que seja por questões de higiene ambiental, pois é extremamente perigoso que carcaças de animais mortos destilem líquidos virulentos, que podem infiltrar-se nos mananciais de água ou mesmo contaminar crianças ou outros animais, pelo contato.
Não podemos nos esquecer de que os animais estão na face da Terra há mais tempo que o homem; até o aparecimento deste, a própria Natureza se encarregava de dar fim adequado aos animais mortos: quando nas águas, serviam de alimento a outros animais (crocodilos e peixes em geral); quando em terra, os animais mortos serviam de pasto a predadores, a animais carnívoros, ou às aves "faxineiras" (urubus, gaviões etc.).
Em regiões silvestres, isso ainda ocorre e provavelmente sempre continuará a ocorrer. Posteriormente, com a presença do homem, algumas espécies animais vieram (ou foram trazidas...) para sua companhia, passando a viver e a procriar em cidades. E, nas cidades, inexistem aqueles meios naturais de dar fim às carcaças dos animais mortos (referimo-nos, aqui, particularmente aos animais domésticos). Por essa razão, passou a ser responsabilidade humana, única e exclusivamente, o conveniente destino dos cadáveres de animais das cidades: enterrá-los.
Em Tóquio, num templo zen-budista, todos os dias são realizados enterros de bichinhos de estimação: os ritos para animais começam com toques de sinos, para buscar a presença de Buda, e com um sacerdote de cabeça rapada entoando os sutras; é assim que "outra alma inicia sua longa jornada para o nirvana". O sacerdote informou que no Budismo "todas as coisas vivas são capazes de alcançar a condição de Buda"; e concluiu: "nossos ritos a favor dos animais são idênticos aos feitos para os humanos". O Templo, em Jikkein, subúrbio de Tóquio, crema cerca de dez mil animais todo ano.

Notas: Nos anos 50 foi inaugurado um cemitério para animais no Rio de Janeiro, então capital brasileira, fato que de pronto teve aceitação dos cariocas, bem como numerosos "inquilinos ". Um assessor especial da Prefeitura do Rio de Janeiro propôs (maio/93) a privatização de 63 bens, empresas, entidades e serviços cariocas, neles incluído o Cemitério de Animais Jorge Vaitsman, na Mangueira, Zona Norte do Rio. Desse fato podemos concluir que cemitérios para animais, inclusive, podem ser lucrativos, desde que administrados por empresas particulares.

6 - Agressões e defesa
Se uma pessoa estiver maltratando um animal deveremos intervir, jamais nos omitir - intervenção por altruísmo, educação e amor à Natureza. - Como? - Com brandura e educação, não piorando o ânimo do agressor, o qual, já exaltado, poderá se tornar mais rude ainda com o animal. Podemos tocar-lhe os sentimentos, lembrando que os animais:
• não raciocinam nem sabem falar...;
• sentem dor, sede e fome como nós;
• não têm "salário" nem "sindicato" onde possam se queixar.
Como argumento poderoso podemos citar que foi junto aos animais que Jesus se abrigou ao nascer, abrigo esse negado, ou pelo menos dificultado, pelos racionais, a Ele e a Seus pais.

Eurípedes Kuhl

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

ZOOTERAPIA



Em 1982, profissionais do Instituto Médico Educativo de Sablettes, em La Seyne-sur-Mer, que abrigava 90 jovens retardados mentais, resolveram levar seus pacientes a uma visita ao parque de Clos Olive, em Toulon, na França, segundo matéria da revista Manchete de abril/ 88.
Logo os terapeutas, surpresos, se deram conta de que as crianças corriam em direção aos bichos. Nem todos preferiam os mesmos. Alguns escolheram os pôneis, ou as corsas, ou aves, e assim por diante.
Michele Fory, uma das terapeutas, lembra o caso de uma pequena menina africana, de dez anos, que jamais emitira qualquer som. Com a aproximação e posteriores contatos com um pônei, conseguiu expressar emoções (se irritava quando o animal não queria andar) e a se comunicar (punha-se a repreendê-lo com sons onomatopaicos e a gesticular).

Vários outros casos são relatados.
Além da alegria e do equilíbrio que as crianças encontravam no parque - comentaram os profissionais - essas experiências mostram um novo modelo de terapia, a zooterapia, isto é, conjunto de procedimentos que visam auxiliar o paciente para a melhoria de seu quadro clínico, mediante a utilização de animais.
Com esse recurso, educadores e médicos puderam estabelecer contato com seus pacientes autistas, "despertados" de seu estado constante de recolhimento, pela presença e convívio com animais.
O prof. Charles Pilet revela que, no adulto, o simples contato com um cão ou um gato, o ato de acariciá-los é um santo remédio para baixar a pressão sangüínea. E, nos lares de pessoas idosas, a presença de um animal aumenta as expectativas de vida.
Hoje, várias entidades que trabalham com deficientes mentais valem-se do precioso recurso da zooterapia.
Utilizada na Europa já há vários anos, uma forma de zooterapia, a equoterapia ou hipoterapia usa o cavalo como agente terapêutico. No Brasil, começou a ser aplicada em meados da década de 80, como coadjuvante terapêutico no desenvolvimento psicomotor de portadores da síndrome de Down ou de outras deficiências neuropsicomotoras congênitas ou adquiridas.
A terapia complementar com auxílio do cavalo tem sido indicada também para pessoas com deficiências sensoriais ( como cegos e surdos), atrasos psicomotores e dificuldades de coordenação motora (ataxia), atrofias musculares, paralisia cerebral, distúrbios comportamentais e outras afeções.
A equoterapia ainda é uma técnica de elite, segundo a revista Saúde, de jan./98; o primeiro passo para minimizar esta situação parece ter sido dado pela Universidade de Santo Amaro, em São Paulo, que implantou na Faculdade de Fisioterapia a equoterapia como curso de extensão universitária, atendendo a pacientes de baixa renda, ao mesmo tempo em que promove a especialização de profissionais.
Segundo Leticia Junqueira, equoterapeuta dessa equipe, "o cavalo é inteligente e sabe que está sendo usado, sente que está sendo útil, não reclama e coopera. Ele transmite equilíbrio, poder e amor, sentimentos que dão confiança e ajudam no melhor desempenho de crianças e adolescentes".
Conforme a revista Momento, de nov./dez. 97, existem atualmente 25 federações de equoterapia espalhadas pelo mundo, sendo que a federação brasileira contabiliza cerca de 70 centros.
"Talvez mais importante que a parte fisioterápica, a relação que o paciente estabelece com o cavalo é que vai promover sua melhoria - comenta Yina Nascimento, da equipe da Ande (Associação Nacional de Equoterapia); o praticante, ao se relacionar afetivamente com o cavalo, passa a se aceitar também. O cavalo ajuda a resgatar a auto-estima, pois aceita a pessoa independentemente de sua condição. Seu amor é incondicional".
Quem ilustra bem essa relação é a paciente Cathlen Cudo , de 24 anos, que tem problemas na fala e na parte motora. Diz ela:
"O cavalo não tem preconceito. Não dá para explicar o que o praticante sente, quando está em cima do cavalo. Ele percebe que é amado pelo animal e essa relação é recíproca".
A equoterapia proporcionou a Cathlen maior agilidade, tonicidade muscular e auto-estima, possibilitando que enfrentasse desafios que jamais ousaria antes do tratamento, como tirar carteira de motorista ou mesmo emitir opiniões na sala de aula.
O clima de afeto criado entre o cavalo, a equipe de profissionais e os pacientes é fundamental para o sucesso do tratamento, possibilitando a estes últimos criar laços de amizade e confiança que muitas vezes não encontram no mundo exterior, comentam as terapeutas.
Essa relação afetiva torna-se tão preciosa que um dos grandes problemas enfrentados pela equipe e pelos pais, é o fato de que os praticantes não podem postergar o tratamento para sempre. Somente na sede do Distrito Federal, onde 213 pacientes são atendidos semanalmente, há mais de 100, na fila. Alguns esperam vaga há dois anos!
À medida que são atingidas as metas propostas, o que ocorre em 80% dos casos, o praticante deve ceder seu lugar na terapia, para que uma nova pessoa inicie o tratamento.
Mas, as crianças não querem parar e o rompimento do vínculo afetivo gera novas dificuldades.
Para os psicanalistas, o cavalo está associado à força e à vitalidade, e seu domínio por uma criança dá a ela a sensação de ser mais poderosa que o animal, resultando em intensa auto confiança.
A revista Hippus, de dez. 96 também editou matéria a respeito ressaltando que, em deficientes mentais, nos quais invariavelmente o cavalo exerce imensa influência psicológica, o fluxo de afetividade é transmitido bilateralmente, isto é, cria-se um laço de amizade entre o praticante e o cavalo, o que ajuda no desenvolvimento do componente emocional do paciente.
Outra forma de zooterapia, que vem revelando sucesso é a que utiliza golfinhos; particularmente na Flórida, nos Estados Unidos, existem vários centros importantes que estão sendo acompanhados por uma de nossas alunas. Os resultados são promissores!
O que vou tratar, em seguida, não se identifica exatamente como zooterapia, pois a finalidade da utilização de animais não visa à melhoria do estado clínico do indivíduo, mas sim estabelecer entre eles - pessoas e animais - uma forma especial de relacionamento com o objetivo, digamos assim, de "prestação de serviços".
A revista Manchete de abril/88 traz interessante matéria soobre o trabalho de Henriette, um macaquinho fêmea do gênero Cebus genus, especialmente treinado para servir Sue Strong, 37, um dos 90 mil americanos tetraplégicos (paralisados dos ombros para baixo).
Animais como Henriette aprendem a suprir as necessidades básicas de pessoas fisicamente incapacitadas, como acender e apagar luzes, folhear livros para a leitura, aquecer refeições, servir água e sucos, colocar música no tape-deck etc.
A idéia de treinar macacos para auxiliar seres humanos foi desenvolvida por Mary Joan Willard, antiga colaboradora do psicólogo B. F. Skinner, o pai da teoria da modificação do comportamento.
O projeto, que deu certo, estendeu-se a outros países como Argentina, Canadá e Israel.
A Helping Hands: Simian Aides for the Disabled, empresa norte-americana de NewYork possui material (livro e vídeo) de apoio a interessados.
Nas fotos que ilustram o artigo, Henriette aparece em várias situações, demonstrando ser a mais devotada amiga de sua paciente humana.
No I Congresso Brasileiro de Bem-Estar Animal, realizado em São Paulo, em 1997, houve uma palestra seguida de atividade demonstrativa sobre o treinamento de cães para guias de deficientes visuais.
Pela revista Primeira Pata, de abril/98, Michael Geary transmite várias informações a respeito. Conta que a utilização de cães para esse fim surgiu na Alemanha, com a finalidade de ajudar soldados que perderam a visão na Primeira Guerra Mundial.
Ainda na Europa, a Guide Dogs for the Blind Association, que foi fundada em 1934, atualmente é composta por cinco unidades, sendo uma delas na Escócia.
Nos Estados Unidos, a introdução desses cães-guias deu-se em 1926, com a fundação do Master Eye Institute.
"Importante" - diz o autor - "são as características do cão; deve ser inteligente, adaptável a diferentes situações, afável, não efusivo demais, e que tenha porte compatível para que uma pessoa de estatura média possa andar confortavelmente segurando a guia".
É impressionante o trabalho desses animais, graças ao qual o indivíduo que tem deficiência visual adquire maior liberdade e segurança em suas atividades.
Bem, de tudo isso surgem algumas considerações.
É preciso que avaliemos essas situações com discernimento, aceitando o fato de que os animais estão servindo ao ser humano nas atividades de zooterapia e de prestação de serviços, em circunstâncias restritivas à sua qualidade de vida.
Os cavalos, por exemplo, são necessariamente castrados, para que se tornem mais dóceis e obedientes; os macacos são retirados de seus hábitats e submetidos a condições totalmente diferentes do que lhes seria natural; os golfinhos ficam confinados em tanques, deixando de usufruir as possibilidades inerentes à vida livre; os cães-guias de deficientes visuais passam a viver em função das atividades para as quais foram preparados.
Tudo isso sem dizer que, até se tornarem aptos, são submetidos a exaustivos treinamentos, nem sempre contando com a paciência e a tolerância de seus instrutores.
Por essas razões, pessoas ligadas a movimentos mais radicais, em defesa dos animais não aceitam a sua utilização para esses fins.
Embora essa questão tenha mérito em si mesma, não posso deixar de compará-la a outras situações em que se dispõem dos animais.
Quem dera os pobres bichos desses deprimentes espetáculos da ignorância humana - touradas, vaquejadas, rodeios, rinhas de galo e de cães, farra do boi e tantos outros -, pudessem estar inseridos em programas bem orientados de zooterapia ou atividades similares, ao invés de serem constrangidos à experiência da dor e, por vezes, ao sacrifício de suas próprias vidas em favor da simples satisfação do "prazer" alheio.
Assim, no relativo à questão do uso de animais em zooterapia, penso que o mais importante é atinarmos para a maneira como isso pode e deve ser feito.
Mesmo sob as condições restritivas apontadas, deve haver a preocupação de se manter os animais em uma boa qualidade de vida; é preciso que sejam adequadamente treinados, com paciência e respeito, bem tratados e, principalmente, amados.
A relação de amizade e confiança que venha a se desenvolver entre as partes, certamente contribuirá para a evolução tanto do espírito do homem quanto do espírito do animal.
Outra consideração é relativa à evidência de que os animais são seres afetivos.
Têm sensibilidade, que parece ser maior ou menor, segundo a espécie e o próprio indivíduo, sensibilidade essa para a qual não estamos, de modo geral, despertados.
Entretanto, o trabalho especializado de zooterapeutas e de treinadores de macacos, de companhia e de cães-guias vem demonstrando de maneira racional as qualidades e as aptidões desses animais, através das quais é possível o estabelecimento de uma forte relação de amizade e confiança para com o ser humano.
Esses procedimentos científicos e técnicos vêm confirmar a existência, nos animais, de um componente mental ou psíquico, ao qual se relacionam todas as características apontadas pelos profissionais, e necessárias como suporte ao trabalho que realizam e à relação afetiva que são capazes de estabelecer com as pessoas.
Esse componente mental ou psíquico dos animais, que a Ciência não tem como negar, sabemos que se encontra afeto ao espírito, no caso, ao espírito dos animais!
Existe um outro dado, bastante objetivo, que vem demonstrando a capacidade de interação afetiva de animais e seres humanos.
Crescem a cada dia, em todo o mundo, atividades comerciais direcionadas ao "PET" , ou seja, ao animal de estimação; cães, gatos, hamster, macaquinhos, peixes de aquário, pássaros e outros tipos de aves, além de cobras, iguanas e assim por diante.
Basta dizer que as rações para pets representam hoje, no Brasil, o quarto produto agropecuário mais importado dos Estados Unidos (750 mil toneladas em 1997).
E qual será a razão pela qual as pessoas, sejam crianças, adultos ou idosos estão se apegando tanto aos bichos?
Penso em duas possibilidades.
A primeira é triste. Parece que as pessoas estão cada vez mais sozinhas, não confiam seus sentimentos a outras pessoas, e assim, na condição de carentes afetivos, transferem para os animais o seu apego e os seus cuidados.
A segunda, entretanto, é alentadora, embora julgo que se refira a uma minoria.
É possível que o ser humano esteja descobrindo a sensibilidade dos animais e, através dela, percebendo a possibilidade de interagir de maneira harmoniosa com toda a criação.
Tomara!

Irvênia Prada