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MEU ANIMAL AMIGO: HISTÓRIA DE UM CÃO

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

HISTÓRIA DE UM CÃO


Maria Dolores

Falávamos de amor, de heroísmo e ternura,
Nos caminhos da Terra, em lutas naturais,
Quando um amigo lembrou: “ não se deve esquecer
O amor dos animais”.
E contou comovido:
-Quando na Terra, um pobre cão rafeiro
Que eu nunca soube de onde vinha,
Fez-se meu companheiro
Na tapera isolada que eu mantinha.
Era um cão vagabundo, um desses cães,
Cujo medo de banho desconsola,
Vendo-lhe a boca enorme e as bochechas caídas,
As crianças chamavam-no Beiçola.
Bernento e preguiçoso, muitas vezes,
Procurei desterrá-lo,
Mas Beiçola voltava e me seguia
Estivesse eu a pé ou trotando a cavalo.
Já não sabia o que fazer do cão,
Que já me habituara a suportar
Num misto de amizade e de aversão.
Certa manhã de Sábado, eu devia,
Ir do campo à cidade,
A fim de resgatar antiga conta
Cujo prazo vencia.
Montei no meu pequira muito cedo
De merenda robusta na sacola,
E pus-me alegremente no caminho
Acompanhado por Beiçola.
Desmontei-me às dez horas para o almoço,
Transportando a merenda para baixo,
Ao pé de velha ponte que cobria
Um pequeno riacho...
Alimentei-me à farta e dei ao cão
Tudo que me sobrou da refeição...
Tomei de novo a montaria
Açoitei o animal para seguir depressa,
O débito a pagar daquele dia,
Mas uma cena estranha então começa.
Beiçola, de ordinário, pachorrento,
Intentava correr, de lado a lado,
Em uivos e latidos...
Depois correu à frente,
Como a querer parar o pequira assustado.
O cão dependurava-se nos freios,
Enquanto eu lhe gritava nomes feios;
Espanquei-o a chicote, mas em vão...
E cansado de vê-lo a pular, doidamente,
Concluir, de repente,
Que a doença da raiva atacara meu cão...
Agi sem medo, rápido e seguro,
Dei-lhe um tiro com o fim de elimina-lo,
De modo a defender-me e a livrar meu cavalo.
Beiçola então soltou doloroso gemido,
Caminhou para trás, claramente ferido,
Enquanto fui em frente...
Mas atingindo o banco e buscando o gerente,
A fim de resgatar a minha conta inteira,
Debalde procurei minha carteira...
No assombro que me toma,
Notei que me faltava grande soma...
Decerto que perdera o dinheiro em caminho
Pois saíra com ele da fazenda...
Deliberei voltar ao local da merenda,
Pedi ao chefe amigo aguardar mais um pouco
E aflito, semi-louco,
Remontei o cavalo e voltei de corrida...
Regressando ao lugar em que estivera...
E o amigo rematou, emocionado:
-Só então compreendi quão ingrato que eu era...
Sabem o que encontrei?
Após seguir pequeno espaço
Todo ele marcado em sangue, traço a traço,
Achei Beiçola já sem vida...
E ao arrasta-lo para um canto,
Vi, sob o corpo dele, a estremecer de espanto,
A carteira perdida...
Ah! Como me doeu o coração
De susto e de emoção!...
Não sei dizer tudo o que sinto,
Por muito que lhes conte,
Meu pobre cão rafeiro,
Cuja lembrança está sempre comigo,
Arrastou-se ferido e, após ganhar a ponte,
Morreu fiel e amigo,
Guardando o meu dinheiro.

Fonte: livro – “Coração e Vida” Francisco Cândido Xavier – Maria Dolores

Um comentário:

  1. Oi Sergio...
    Visitando o teu blogger, me espantei, primeiro ao ver meu cão Rex, fila amarelo da fotografia, depois li a história do cão, linda, bregeira, mas muito bonita. Meu cão também morreu atropelado por um carro e logo após por um caminhão, sofremos muito, porque na minha família todos amamos os animais, ele estava com 11 anos.
    Meu maior sofrimento foi quando minha gatinha Afú, minha companheira, minha filha, que sofria com o meu sofrimento e, que morreu de AVC nos meus braços em 17.09.07.Hoje, eu sonho que ela volta para dormir nos meus braços como fazia enquanto vivia.
    Estou contando isso, para dizer que adorei teu espaço, mas que, no momento não tenho condições de ficar. Eu entro outro dia.
    Fica com a Paz do Senhor

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